"Preto", "negro" e etc.... permanece tudo numa boa;
Com "africano", pela minha origem, persistirei ufano...
Contudo, "de cor" irrita-me, põe-me atroz e insano,
Porque nada mais é que um cuidar literalmente à toa.
Esse atributo, que, tão somente, a ignorância me soa,
Não me inferioriza nem me causa o mais pequeno dano;
De longe não me atinge, pois neste assunto sou veterano...
Mas não me cai bem, quando da tua cínica boca ecoa.
Tu, que na África só acumulaste vergonha e desmando,
Torturaste, por séculos, o povo que da sua raça se orgulha
E lá te misturaste durante todo o teu humilhante comando,
Agora, na tua terra, com uma mente vazia que me embrulha
Nessa designação sem nexo ("de cor"?), tens receio - falando -
Que me ofendas, se exprimes o que vês: "negro como hulha"?
Lá longe, no além-mar, num cantinho de África espalhadas,
As ilhas hesperitanas conquistam o seu lugar no mundo;
Em cada bela ilha, cada filho tem um orgulho profundo
E, no conjunto, são todas, sem excepção, igualmente amadas.
Com aquele arquipélago (onde nunca se viram serras nevadas
E em que não correm rios, nem sequer por um só segundo,
Mas onde todos os dias se vê o mar e sonha-se com o seu fundo)
Todo o cabo-verdiano se identifica, nas suas longas jornadas:
No cantar do seu honroso hino e da sua melódica morna;
No espalhar da sua morabeza e no abanar da sua bandeira,
Com aquele espírito fraterno e altivo que nunca se suborna;
Pela musicalidade do seu crioulo e pelo rebolar da coladeira;
Pelo orgulho caboverdeano que de todos os seus filhos se entorna...
Viva Cabo Verde, terra amada e pátria para todos, sem fronteira!
Por: F.Fonseca da Silva