Pedro Monteiro Cardoso
Escritor cabo-verdiano nascido em 1890, na Ilha do Fogo, e falecido em 1942, na cidade da Praia. Professor do ensino primário, salientou-se no jornalismo ao defender os interesses sociais, políticos e económicos de Cabo Verde. Publicou Folclore Cabo-Verdiano (1933), Pelos Direitos do Crioulo (1933) e Profissão de Fé (1934), uma série de sonetos e redondilhas. Dirigiu o jornal Manduco e colaborou na Voz de Cabo Verde onde publicou cerca de 33 crónicas de intervenção cívica e política publicadas em 37 números do jornal.

Pedro Cardoso, aliás, “Afro”, das ilhas de S. Nicolau, Boa Vista e S. Vicente, zurziu e alimentou polémica sobre os mais diversos assuntos, da arborização, da estiagem e da fome, ao analfabetismo e à instrução pública, passando pelas questões do Nativismo, da Raça Negra e da autonomia da província, sempre em defesa dos interesses dos filhos das ilhas. Recorde-se que, no campo da política e do jornalismo, Pedro Cardoso assumiu-se como socialista, melhor dito, comunista, tendo sido um ardente defensor do continente negro e da dignificação do homem africano, usando nos seus escritos o pseudónimo “Afro”.
Foi fundador, proprietário, director e editor do jornal O Manduco (Fogo, 1923-1924) e, juntamente com João Lopes (S. Nicolau, 1884-1979), foi responsável pelo jornal (socialista) Cabo Verde (S. Vicente, 1920-1921), tendo colaborado em vários outros jornais cabo-verdianos e portugueses.Pedro Cardoso tem ainda publicado os seguintes livros: Primícias (Lisboa, 1908); Caboverdeanas (Lisboa, 1915), Jardim das Hespérides (Vila Nova de Famalicão, 1926), Duas Canções (Lisboa, 1927); Algas e Corais (Vila Nova de Famalicão, 1928); Hespérides. Fragmentos de um poema perdido em triste e miserando, naufrágio (Vila Nova de Famalicão, 1930); Folclore Caboverdeano (Porto, 1933); Conferência no "Teatro Virgínia Vitorino" (Praia), em 30 de Dez. 1933 (Porto, 1934); Cadernos Luso-Caboverdianos. 3 volumes: (1) E mi que ê lha’r Fogo (Fogo, 1941), (2) Ritmos de Morna (Praia, 1942), (3) Sem Tom Nem Som (Praia, 1942); e Lírios e Cravos (Ermesinde, 1951).Por Decreto Presidencial N.º 3/95, de 2 de Fevereiro, Pedro Monteiro Cardoso foi agraciado, a título póstumo, com o Segundo Grau da Ordem do Dragoeiro.