Luis Pires e Joao T. Junior
Teodolindo Ledo Pontes, popularmente conhecido por Minó de Mámá, nasceu a 2 de Março de 1917; era natural da freguesia de S. Lourenço, concelho de S. Filipe, Fogo; Morava na localidade de Pedro Homem; Era casado e deixou 9 Filhos, (Infelizmente, para contrariar a tradição, nenhum dos filhos sabe tocar).
O pai, João Ledo Pontes, era músico e também tocava gaita; por influência do pai, Minó se transformou num exímio tocador deste instrumento. Nos registos, não consta o nome da mãe. Sabemos entretanto que era conhecida por “Miôda”; era cantadeira e normalmente acompanhava o marido nas festas.
Foi num ambiente de festas que Minó aprendeu a tocar a gaita. Chegava mesmo a “roubar“ a gaita ao pai e tocava-a às escondidas. Com a morte do pai, Minó, ainda menino, acompanhava a mãe que continuara a cantar nas festas sempre que convidada.
Quanto aos registos da sua obra artística, Minó di Mámá gravou apenas um disco intitulado “Talaia Baxu ”, em Maio de 1999, através da Editora Sons d´África, com o Produtor Musical Quim Alves. Participou, entretanto noutras gravações de caracter não comercial, nomeadamente para o concurso - Rádio França Internacional;
Sempre solícito e pelo simples gosto de ouvir a sua gaita, permitia também que fosse gravado, em situações informais, pelos seus admiradores. Não se sabe ao certo o número de composições da sua autoria. Sabe-se, todavia que é ele o autor da música mais popular da ilha do Fogo - Minó di Mámá em que ele canta a si próprio dizendo: “Minó di Mámá, mundo krebu ki fari bu má”.
Das outras possíveis composições dele, não há registo magnético.
É considerado por muitos, um grande repentista; improvisava com alguma habilidade, ao sabor do ambiente. Umas vezes lançando piadas, outras vezes em jeito de remoques, mas sempre brincando. Eram frequentes em Minó, tiradas do tipo: “Pabi seku ka tâ sendê”, para significar pavio sem petróleo não acende (isto foi dito por Minò, num jantar oficial, para chamar a atenção dos organizadores que os músicos também bebiam...); “ai Merca, ai dóla, ai mámá” (cantando assim os emigrantes e demais presentes entendiam logo a mensagem e na presença de moças bonitas, alguns competiam entre si, depositando sempre mais dólares no bolso de Minó;); Em plena gravação do seu álbum em Dakar, porque na noite véspera havia comido chicharro grelhado e ficara indisposto, disse: “ Mané quel tchitcharro, Djonsa dja cumel ”, (isto no momento em que metia a sua voz na gravação da música que dá título ao álbum). Improvisações como estas que citamos surgiam, a todo o momento, sempre que Minó abria a boca para cantar, a ponto de nunca conseguir cantar uma mesma música, duas vezes com a mesma letra.
Pisou alguns palcos nacionais. Esteve em actuações na cidade da Praia por várias vezes a convite do Centro Cultural Francês, entidades oficiais e amigos; participou ao lado de Augusto Cego em 1994 no Festival de Baía das Gatas, na cidade do Mindelo; esteve presente em vários espectáculos organizados pela PBS e já esteve também noutras ilhas em tocatinas.
Fora do país, actuou em Dakar, aquando da gravação do seu primeiro CD; Por iniciativa do Centro Cultural Francês, fez uma digressão para Suíça e França. Esteve ainda nos Estados Unidos por três vezes, duas por iniciativa de amigos e uma para participar no Festival de Smithsonian em Washington DC.
Morreu a 2 de Julho de 2004, pelas 10:00 horas, da manhã, no Hospital Regional de S. Filipe, onde esteve internado, vítima dum ataque cardio vascular. No cortejo fúnebre participaram, praticamente, todos os músicos do concelho, diversas entidades públicas, representação governamental, familiares e amigos que ao invés de chorarem, entoaram solenemente, ao ritmo da gaita a sua música preferida, Talaia Baxu.
Encontra-se sepultado no cemitério de S. Lourenço, zona norte da ilha.
Já não se ouve a voz do Minó, nem tão pouco a sua gaita, mas porque era de todo mundo, como ele mesmo cantou, estará sempre connosco, em todas as vozes e em todas as gaitas que glorificam a nossa música.


Djarfogo, 1 de Junho de 1998
Para mim, humilde e anonimo escriba, e uma honra escrvinhar estas despretenciosaslinhas sobre Mino de mama...
Porque nao se trata simplesmente de um musico excepcional que ouso, sem desfavor, comparar a esse grande nome da musica sertaneja que foi Luis Gonzaga. Tal como o seu homologo, tocador de concertina e repentista, Mino de Mama, de seu nome proprio teodelindo Ledo Pontes, tambem vai beber fundo nas tradicoes do seu povo, mais concretamente, na vivencia e nos ritmos genuinos da Ilha do Vulcao.

Guardiao e fiel depositario de todo um seculo,reflexo da labuta diaria das suas gentes, Mino transporta nas suas valsas, mazurcas, scotishs, atalais/baixo toda a emotividade do foguense, toda a sua alma, toda a sua ironia e a sua nontade de antes quebrar que torcer.
Vejo Mino, nos seus oitenta e um anos de idade e fico pensando em tantos outros autenticoscriadores de cultura popular Foguense de uqem ele foi contemporaneo mas que, infelismente, ceifados pela inexoravel lei da morte, mao viram, a tempo, preservadas as suas obras.
Onde param as cantigas de Ana Procopio e Tintina de cabeca-do-Monte?
E os ritmos de tambor de Tchitchite e de Pedro d'Amelia? ou os passos de danca de "canizade" de Nho Domingo, as satiras de Principe de Ximento ou as cantigas de "renado" de Pedro Nacha, este ultimo, felizmente ainda vivo?...
Nao posso terminar, sem deixar de felicitar os "sons d"africa por essa iniciativa. Porque mais do que merecido ou simples homenagem, este "CD" e imprescindivel, pois preserva uma parte importante da arvore cultural de todos nos.
Fausto Amarilio do Rosario.