Os resultados das eleições, considerados como sendo livres, justas e transparentes pelos observadores internacionais presentes, comprovaram o que as sondagens, tornadas públicas na comunicação social, já previam.
Uma vez mais, o povo escolheu! Da sua escolha resultou um grande vencedor e um grande vencido. O PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde) que vinha de dois mandatos consecutivos (2001-2011), viu a sua continuação à frente dos destinos do país reforçada com mais uma maioria absoluta para os próximos 5 anos.
O MpD (Movimento para a Democracia), enquanto maior partido da oposição saiu derrotado e prometeu cumprir o papel que a consulta popular o reservou por mais 5 anos, a somar aos outros 10 que esteve na função de oposição política ao governo.
Do meu ponto de vista, as eleições de 6 de Fevereiro vieram desmentir e desfazer duas realidades antagónicas que vinham sendo discutidas no seio da sociedade civil cabo-verdiana já há algum tempo: primeiro, o facto de que para um país em desenvolvimento, como Cabo Verde, o fim de ciclo era de 10 anos. Segundo, a ideia de que o recurso do MpD ao seu líder mítico e histórico era o único trunfo capaz de vencer estas eleições e deste modo alcançar o poder que já o fugia por 10 anos.
Perante estas constatações e não obstante a falta de qualidade dos debates políticos- que, ao invés de clarificar posições, apresentar projectos credíveis, confiáveis e concretos, contribuíram para escamotear a realidade, porquanto estes deixaram-se enveredar mais pelos suspeitos de costume, quais sejam: ataques pessoais, calúnias, fulanização e política de “bota abaixo”, o povo deu provas de grande maturidade político-eleitoral ao aderir com grande afluência e civismo às urnas para eleger aqueles que considera estar melhor preparados para prosseguir com a Agenda de Transformação de Cabo Verde.
De facto, na política pode-se ser morto várias vezes, e Carlos Veiga, mais uma vez e, como não há duas sem três, foi brutalmente assassinado pelo povo. É caso para dizer que este assassinato mais do que do seu próprio partido é dele porque da forma tirânica e pouco ortodoxa no âmbito da qual chegou à presidência do MpD, uma vez que ao que se sabe, não parece ter havido congresso para se eleger e, assim estar em condições legais e democráticas de poder candidatar-se ao cargo de Primeiro-ministro, esta derrota é-lhe pessoal e como tal deve tirar as devidas ilações políticas de todo o processo eleitoral com vista a apurar o que terá falhado, e analisar se ainda lhe restam condições políticas de se apresentar como líder nos próximos embates eleitorais.
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