| Forum Home > NACIONAL E INTERNACIONAL > SALVEMOS A LINGUA PORTUGUESA | ||
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"Sem uma língua comum não se podem concluir os negócios" Confúcio Nos últimos tempos, a Língua Cabo-Verdiana tem estado na boca do povo, através das mais díspares e apaixonadas discussões a favor e contra o ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Cabo-Verdiano).
Ao contrário do que se diz por aí, não se trata de se ser contra a oficialização da língua cabo-verdiana, e nem sequer se trata de uma guerra entre Barlavento e Santiago. Só para citar um exemplo, o pedagogo Napoleão Andrade que tem sido um dos maiores críticos do ALUPEC e defensor de um alfabeto etimológico, na tradição dos Claridosos, é um foguense. Muitos outros que têm vindo a público pronunciar-se sobre o assunto, também, não são das ilhas do norte. Creio que os problemas decorrem é da forma como a questão foi conduzida politicamente. O erro é, essencialmente, político.
O principal culpado é sem duvida Manuel Veiga, ministro da Cultura, que revelou grande incapacidade política para promover o debate com a sociedade cabo-verdiana residente e na diáspora. Não basta dizer que o ALUPEC é mais sistematizado, mais económico e mais funcional, é preciso demonstrá-lo. Mesmo que assim seja, esse não pode ser o argumento decisivo. Além disso, competia, sim, àqueles que estudam o assunto produzir, pelo menos, duas propostas de alfabeto, uma de base etimológica e outra de base fonológica a fim de proporcionar a melhor escolha. Tenho estado a estudar o ALUPEC para o tentar compreender.
Constatei que é verdade que cansa ler os textos escritos segundo o ALUPEC! É deveras cansativo! É verdade, também, que causa muita confusão a substituição de letras que tem o mesmo som, como, por exemplo, g por j, s por z, c por k, c por s, o por u, etc,. Constatei, ainda, que a escrita do ALUPEC gera resistência, muita confusão e rejeição pura e simples, porque, além de ser cansativa, sai fora dos nossos automatismos, provocando, assim, dissonância cognitiva. Como não foi apresentado para discussão com o povo, soa e é percepcionado como imposição! Por outro lado, até agora, os apressados com a oficialização não conseguiram demonstrar a necessidade premente, urgente, inadiável e os ganhos incomensuráveis para Cabo Verde no domínio da ciência, da cultura, da educação, da administração pública, da economia e da comunicação com o Mundo que a oficialização do crioulo, com base no ALUPEC, irá trazer. Igualmente, ainda, não demonstraram as perdas enormes, os prejuízos terríveis, os custos insuportáveis que a não oficialização do crioulo tem acarretado ao país, nestes 550 anos da existência de Cabo Verde. É por essas razões que, ainda, não se conseguiu convencer a maioria dos cabo-verdianos a aceitar esse alfabeto. Agora que já sabemos que não vai haver mais a revisão da Constituição da República, e que, portanto, o crioulo não vai ser oficializado tão cedo, devemos aproveitar para concentrar toda a nossa energia, o nosso tempo, esforço e paixão na valorização da língua portuguesa em Cabo Verde.
É chegado a hora de, também, dignificarmos a língua de Camões, agora que o escritor Arménio Vieira ganhou o prémio Camões, este que é atribuído aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. O português é também a nossa língua afectiva. Façamos qualquer coisa para salvar o nosso português de Cabo Verde, tão bem explicado na wikipédia! Deixemos de lado os complexos da “reafricanização dos espíritos”, de uma vez por todas, e assumamos que o português é nosso e que devemos saber falar, amar, celebrar, cantar e viver em português. Paremos também de dizer que é uma língua estrangeira como alguns teimam em dizer. A língua portuguesa é a nossa ponte com os 175 milhões de brasileiros, com os 8 milhões de Moçambicanos, com os 7 milhões de angolanos, com os 10 milhões de portugueses e com outros milhões espalhados desde da Guiné Bissau, passando por S. Tomé indo até Timor e às terras da Índia e pelas diásporas que falam português nos quatro cantos do mundo. A língua portuguesa, com mais de 260 milhões de falantes, é a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no ocidente, sendo idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo também falada nos antigos territórios da Índia Portuguesa (Goa, Damão, Ilha de Angediva, Simbor, Gogolá, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli), além de ter também estatuto oficial na União Europeia, no Mercosul e na União Africana.
Como disse e bem a Professora Ondina Ferreira a língua portuguesa está entre nós num estado de autêntica calamidade! Infelizmente, temos que reconhecer que o estado da língua em Cabo Verde é, de facto, muito crítica. Cada vez que oiço alguém a dizer: vou falar na “ língua d’terra” porque assim todos me entendem - penso cá com os meus botões: lá vem uma desculpa para não falar em português. Dizer que os cabo-verdianos não entendem o português é, absolutamente, falso. Qualquer analfabeto consegue entender tudo o que se diz num relato de futebol, e qualquer cabo-verdiana, do meio rural ou urbano, consegue entender, interpretar e até explicar uma telenovela brasileira, do princípio ao fim!
Causa embaraço, e mesmo vergonha, ver estudantes, políticos, artistas, professores, emigrantes a atrapalharem-se cada vez que são obrigados a falar em português. Há pouco tempo, um dos nossos artistas, estava a ser entrevistado na RTP, mas não conseguia falar. Quando a jornalista viu a coisa por demais, disse-lhe: óh homem, vá, diga qualquer coisa, diga! O artista não conseguia dizer nada de jeito. O problema não era o medo de falar em directo na televisão.
O verdadeiro problema era falar em português! A situação é, também, grave a nível dos alunos do ensino superior. Constatar os erros de português que os estudantes universitários cometem nos testes deixa qualquer um desiludido e apreensivo. Muitos professores têm, também, dificuldades inacreditáveis para se expressarem em português. A situação, nalgumas ilhas, é muito crítica em relação ao uso do português na sala de aula. A má situação da língua portuguesa, é algo que nos interpela a todos. Não podemos cruzar os braços e dizer que o crioulo é a nossa salvação. Qualquer cabo-verdiano tem capacidade para dominar com toda a naturalidade a língua portuguesa e usá-la normalmente. Uma vez que nenhum cabo-verdiano tem dificuldades com a língua cabo-verdiana devemos então investir onde temos de facto um grande problema. A bem de Cabo Verde, todos somos chamados a contribuir para a valorização da Língua Portuguesa. Em primeiro lugar temos de actuar na motivação de alunos, pais e professores.
Para isso o Governo da República deve criar uma instituição que cuide da língua portuguesa em Cabo Verde. É preciso apelar ao envolvimento e à participação activa de escritores, investigadores e jornalistas, na definição de políticas que articulem escolas do EBI, do Secundário, Institutos, Centros Culturais, Universidades, Associações, ONG’s, Clubes Desportivos, Bibliotecas, Grupos Teatrais, Câmaras Municipais, etc, na concretização de programas que fomentem o gosto pela leitura e pela escrita, no reforço da cooperação com instituições educativas e culturais de outros países de língua portuguesa, viabilizando a geminação entre escolas, criando “Clubes de Português” entre outras acções, actividades e medidas que propiciem o domínio da Língua Portuguesa em Cabo Verde. Temos que ser capazes de dominar o português para que sejamos de facto um país bilingue, com todas as vantagens que isso tem na aprendizagem de línguas, na educação, no desenvolvimento cognitivo e na melhoria da comunicação.
Américo Silva | |
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Amilcar Cabral disse e bem: “ Maior herança cultural que recebemos do colonizador é a língua. Português é língua oficial cabo-verdiana, que precisa de cuidados da educação e cultura cabo-verdiana. Português deve garantir todas ferramentas necessárias para a estruturação da língua, sendo sua gramática e dicionário modelos predilectos para alimentação do nosso crioulo. | |
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Member Posts: 170 |
A lingua, nao me importo qual , e importante. E coisa q nunca temos e em todas as ocasioes.E importantes q saibamos todas. Quando nao podemos, porque nao ter a traducao da nossa caboverdiana? Vai o resto... | |
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Belo artigo, sem duvidas. Um dos bons artigos produzidos na senda deste debate. Estou plenamente deacordo que se deve reforcar o ensino do portugues em Cabo Verde. Essa lingua traz-nos possibilidades que nao se encontram na nossa lingua materna. Reduzir o portugues eh reduzir as nossas possibilidades como povo. Mas por outro lado, sufocar o crioulo eh negar a nossa existencia como povo. Lembro-me de um comentario do Napoleao, aqui no manduco, quando ele disse, qualquer coisa como isto: " Com o portugues nos marcamos golos na ONU e na esfera Internacional". Nada mais certo. Tao certo como o facto de ser necessario marcar golos internamente e ganhar os desafios nacionais, para se poder participar em disputas internacionais. Portanto, temos que ser nos proprios, primeiro, como condicao indespensavel para outros desafios. No artigo, o autor demonstrou as nossas dificuldades com a lingua portuguesa. Certo, e necessario reforcar a aprendizagem desta lingua. Mas toda a sua demonstracao, nao servira tambem como argumento para se dar mais atencao ao reforco da lingua materna, ja que eh tecnicamente comprovado que quanto maior e o dominio da lingua materna, maior sao as possibilidades de aprendizagem de outras linguas, conforme as recomendacoes da UNESCO? O artigo, com o qual estou grandemente em acordo, traz, infelizmente, mais uma vez aquelas afirmacoes de caracter emotivas e preconceitosos em relaccao a Africa. Eu, como muitos, nao me posiciono apartir de afirmacoes que ligam certas coisas em relaccao a qualquer outras latitudes. Nao e preciso fazer afirmacoes para esperar que pessoas reagem dogmaticamente as afirmacoes. No caso referido e necessario demonstrar a africanidade da proposta para convencer as pessoas. Nao basta dizer. Depois de se demonstrar isso, e convencer as pessoas, ha o outro passo que eh fazer as pessoas concordarem que certas coisas nao valem por serem africanas ou de origem africana. Mas, concordo que houve um erro politico e de estrategia na socializacao da proposta ALUPEC e oficializacao do caboverdiano, de tal forma que muitas questoes, como as que foram levantadas, estao para serem resolvidas. So mais uma nota. O autor diz que essa discussao nao e entre Norte e Santiago, aproveitando as prestacoes do meu amigo Napoleao para justificar "que tambem" no Fogo ha pessoas...Isto e apenas a percepcao dele, e talvez de algumas pessoas de Barlavento, porque eu e muitas pessoas do Fogo pensamos que esta luta e entre Fogo e as tais "variantes mais socializaveis- Stiago e S.Vicente". Se o articulista ficou surpreendido com as pessoas do Fogo, nos tambem estamos surpreendidos que afinal la no Norte, as pessoas tambem tomam posicao. Ficamos surprendidos porque nos ultimos 4/5 anos, esse debate, pelo menos nos foruns online, quando havia apenas o forum da VisaoNews, foi largamente feito por pessoas do Fogo. | |
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Limited Member Posts: 1 |
A lingua como cultura é veiculo principal de um povo. O que seria de um povo mudo, sem língua? A politica portuguesa nos tempos da dominação colonial não tinha uma politica educativa e cultural bem direccionadas. Portugal não teve condições para dominar as colónias e, nem a mais pequena e miserável na altura, nosso Cabo-verde. Serviu do exercito para conduzir o povo a escravatura. Se Portugal fosse um pais inteligente podia ensinar aos cabo-verdianos o português, criando escolas e mecanismos de culturas que facilitassem ensino -aprendizagem. Nós falamos mal o português como também falam-no mal os portugueses. Poucos portugueses falam bem o português de acordo à gramática e dicionários concebidos no sistema de ensino. É só ouvir os portugueses falarem, meus amigos e minhas amigas. Eu corrijo diariamente os portugueses nos seus modos e tempos de falar e escrita. Somos bobra da mesma cordeira. Vale a pena massificar e qualificar o ensino da língua portuguesa e fazer dela nossa identidade. Pois, se esforçamos um bocadinho vamos falar a língua de Camões melhor do que os portugueses. Falar e escrever a língua portuguesa é uma questão de estudar e não de nascimento e/ou uma herança umbilical (materno). Caca esta certo e acho que vamos discutir este assunto que tem muito a ver com nossa situacao actual. Porquê que o senhor Napoleão não quer comentar mais largamente? Espero para ver. | |
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Moderator Posts: 26 |
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Peco desculpas por algumas falhas no meu primeiro comentario. | |
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Moderator Posts: 26 |
É verdadeiramente reconfortante a leitura de um artigo com o seu esqueleto todo, com "bianda" suficiente a ser consomida . Muito oportuno ou cheis de coincidencia, não interessa, .. trazendo novidades que significam a bonança.É tempo de amadurecer as nossas ideias acerca deste tema. Estou completamente de acordo com este artigo, os demais comentários enriquecedores presentes e atrevo a acrescentar, que deste erro políco identificado pelo autor será sempre uma lição para as políticas vindouras, a nunca adoptarem posições políticas que negam a história em detrimento a complexos, seja de que natureza for, A Lingua é dinâmica e o Tempo é Historia. O crioulo é tanto nosso como o Português.Todos esqueceram disso, tavez por causa de tanto pesar este ramo de pensamento.Esqueceram que tanto o Crioulo como Potugûes coexistem desde o nascimento de Cabo Verde e os Caboverdianos. Porque insistimos com os nossos complexos criar problemas para os nossos descendentes. A nossa antiga política cultural falhou porque encontrava cheio de complexos, e acabou por negar a sua própria história. Convêm dizer que a anterior estava cheios de outros complexos, por isso devemos aceitar a nossa história e aplicar polícas que vem ao nosso encontro.Já tinha inserido um comentário algures sobre um artigo relacionado com este tema, onde lembrei que o Portugûes pode nos servir como um grande escudo ao nosso Crioulo, num mundo onde os mais fracos são engolidos pelos mais fortes. Não somos assim tão ricos para deitar fora a nossa maior herança,por complexos, que mais parecem um doença contagiosa.Lembro-me ter referido a este movimento ALUPEC, que até a altura desconhecia, estar satisfeito com a criação do Alfabeto unificado, mas que na velocidade que estavam a conduzir este veículo, correriam o risco de serem multados pelo excesso de velocidade, veio a confirmar.Na velocidade moderada, a proposta deste autor, foi muito aportuno e bem estruturado. Como disse a Imaculada, este complexo de errar, tem cura, tanto que qualquer um pode errar. Podemos e com todo o direito descutir essa herança com os Portugueses.A Língua é Nossa. Precisamos estudar. Não há complexos temos duas línguas. | |
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Member Posts: 72 |
Caro Danilo, temos as mesmas ideias em algumas coisas. No entanto, eu reparo que muitas afirmacoes e critcas tem cabimento e podem ser feitas dos dois lados. Por exemplo, a questao dos complexos pode ser aos dois lados. Pode-se fazer uso de um punhado de argumentos para se justificar, por isso, como tu, eu acho que posicionamentos que se sustentam desta razao nao sao salutares, sejam elas de que lado forem. Certo, como dizes, que o portugues e tao nosso como o crioulo. E necessario reforcar a lingua portuguesa. Mas, muitos tem-se estribado neste argumento e acabam por esquecer que o crioulo e tao nosso como o portugues, e eh aqui que esta o problema, porque se sao igualmente "tao nossos", a nossa lingua materna tem perdido na luta pela dignidade. Acha que o crioulo tem sido tao nosso como o portugues? Eu disse que concordo mais ou menos a volta de 90% com este artigo. E necessario reforcar ainda mais a lingua portuguesa. Mas qual sera a opiniao do autor e de muitos, se se dizer que e necessario reforcar ainda mais a nossa lingua materna? Portanto, e necessario reforcar as duas linguas. Olha Danilo, gostei da comparacao referente a velocidade. Concordo. Mas quanto negar a nossa historia, nao creio que uma politica de reforco da lingua materna seja uma negacao a historia. Ela sera, como penso que tens razao, se ha uma negacao a lingua portuguesa. Mas tambem ela a sera, quando se esquece e se secundariza a lingua materna. | |
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Moderator Posts: 26 |
Em resposta ao comentário do Káká, sinto feliz em estares de acordo comigo mesmo em parte, assim fiquei a saber que não estou sozinho, e estarei sobretudo quando encontrar mais opiniões e as suas fundamentações, na certeza de que todos o fazem como contributo para o bem estar do nosso povo. Respondendo as tuas preocupações quando á atenção á nossa língua materna, embora parece paradoxal acho que quando falhamos em relação á lingua portuguesa, diga-se de passagem por causa dos nossos complexos, viemos retirar uma grande proteção á nossa língua materna, explorando-a sob os mesmos complexos.Não houve nenhum debate extensivo ao dono da lingua, o Povo. Não creio que esta questão seja algo que devemos tratar como um projecto com um fim marcado no tempo.Tem o seu próprio tempo digirido de forma natural. Falo precisamente na submarca "sem tadju" que o autor referiu uma sensação de imposição, Não parece. Porque defender uma lingua de forma a prejudicar a outra? Isto é que chamo de pequenos complexos que prejudicam tanto uma lingua como outra e claro o fruto somos nós.Não defenderei o crioulo com estes complexos, defendo-o para que haja um alfabeto unificado de modo a receber na sua plenitude todos os aspectos da cultura crioula sem adulteração, e por conseguinte poder preservá-lo.Ter todas estórias escritas no alfabeto crioulo unificado é um grande passo/contributo ao crioulo.Como já se disse aqui o Português, embora seja herança dos nossos colonizadores, que nos maltrataram e e desprezaram a nossa língua materna, hoje deveriamos utilizar na plenitude as suas vantagens, e com isso proteger o nosso crioulo no seu santuário. Abraçus | |
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Member Posts: 50 |
Acho interessante esta tese: "Cada vez que oiço alguém a dizer: vou falar na "língua d’terra" porque assim todos me entendem - penso cá com os meus botões: lá vem uma desculpa para não falar em português. Dizer que os cabo-verdianos não entendem o português é, absolutamente, falso. Qualquer analfabeto consegue entender tudo o que se diz num relato de futebol, e qualquer cabo-verdiana, do meio rural ou urbano, consegue entender, interpretar e até explicar uma telenovela brasileira, do princípio ao fim " ! Será que muitos que recorrem ao crioulo é uma questão de fragilidade no domínio do português, ou será que no crioulo todo mundo é doutor? Uma questão que devemos indagar. | |
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Member Posts: 72 |
Nos falamos o crioulo simplesmente por ela ser a nossa lingua materna. Sendo a lingua materna, ela eh aquela com a qual estamos naturalmente a vontade, naquela a que nos os cabo-verdianos, desde o mais humilde ate o mais erudito, somos todos "doutores". Nao ha nenhumas duvidas que sentimos mais a vontade com a nossa lingua materna do que com qualquer outra. Quando o autor do artigo fala crioulo, ele o faz, tambem, por esta razao. Falamos o caboverdiano como qualquer povo fala a sua lingua materna, como o portugues o faz, o alemao, o chines etc. O anormal seria o contrario e incompreensiveis sao algumas conjecturas descabidas. Todos entendemos o portugues, como disse o artigo. Mas a que isto quer induzir? Que temos que falar o portugues, e quando falamos o crioulo estamos a fugir a normalidade? Se a totalidade dos caboverdianos falam o crioulo, sera isso uma anormalidade, ou sera isto a prova da forca da nossa lingua e retrato da nossa identidade? | |
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Moderator Posts: 26 |
Considero as suas observações inegáveis tanto que só por ser a nossa lingua materna, lhe confere fazer certas exigencias. Mas será que estas exigencias não estarao carregadas de complexos, que poderão por em causa , o nosso património(língua Portuguesa).Estamos a usar devidamente os nossos valores ? O texto em questão, o autor pediu algo pertinente. O que este rally do crioulo deixou pra trás? | |
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Member Posts: 89 |
Nao deviam meter o nome da Ondina Ferreira neste artigo, porque duvido que, como linguista que ela e, se faria esta afirmacao " Qualquer analfabeto consegue entender tudo o que se diz num relato de futebol, e qualquer cabo-verdiana, do meio rural ou urbano, consegue entender, interpretar e até explicar uma telenovela brasileira, do princípio ao fim! " Acho que estamos a confundir a linguagem receptiva; isto e, receber e a consumir a lingua com a linguagem productiva (falar e produzir linguagem). O problema do Cabo Verdeano nao esta na lingua receptiva, esta na lingua productiva. Como ja se disse aqui, temos grandes dificuldades em produzir a lingua. A nossa lingua materna e o crioulo...Tanto assim que criamos o Crioulo...criou - lo...porque o Portugues nao era nosso... Se fosse, nao seria preciso ‘’criou-lo. Nos fomos expostos ao Portgues por razoes obvias, e como o Portugues e uma lingua util, devemos tirar dividendos. Mas mesmo assim nao deviamos andar a romantizar a realidade e a confundir o "devia ser" com o "ser". O autor critica, dizendo que e cansativo ler textos escritos em ALUPEC. Concordo. Tambem foi dificil, para mim, ler textos em Portugues. Hoje, nao tanto. Foi dificil ler textos em Ingles. Hoje, nao tanto. Igualmete foi dificil ler textos em ALUPEC. Agora esta ficando mais simples Acho que estamos todos a discutir este assunto linguistico, so na sua perspectiva historica, politica ou emocional. Temos que aprofundar mais! | |
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Member Posts: 170 |
ESTOU TODINHO EM ACORDO CONTIGO TAMB. TOMO O MEU TEMPO TODO A LER O ALUPEC. NAO IMPORTA PQ ESTOU APREENDENDO LER O Q NAO ME ENSINARAM, COMO APREENDI O PORTUGUES - SE APREENDI-O TODO, O Q E DIFICIL. CUSTA-ME, DEMASIADO, LER O CRIOULO. MAS VOU TENTANDO APREENDER.NAO ESTOU CONTRA DE APREENDERMOS TODAS AS LINGUAS. MAS A NOSSA E A MELHOR: DA-N UN DJANGAGU, SEN MISTURA. KI BUNITA LINGUA, TE KI NU STA PIDI ALKOL!?. VIDA, NUMA PALAVRA. | |
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Member Posts: 170 |
ESTOU TODINHO EM ACORDO CONTIGO TAMB. tOMO O MEU TEMPO TODO A LER O ALUPEC. nAO IMPORTA PQ ESTOU APREENDENDO LER O Q NAO ME ENSINARAM, COMO APREENDI O PORTUGUES - SE APREENDI-O TODO, O Q E DIFICIL. cUSTA ME LER O CRIOULO. mAS VOU TENTANDO PREENDER.NAO ESTOU CONTRA DE APREENDENDERMOS TODAS AS LIGUAS. mAS A NOSSA E A MELHOR. DA-N UN DJANGAGU, SEN MISTURA. KI BUNITA LINGUA, TE KI NU STA PIDI ALKOL!?. VIDA, NUMA PALAVRA. | |
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Member Posts: 72 |
Caro Danilo, voce, mais uma vez, faz referencias a complexos, conectando-os com a defesa do crioulo. O que acha do caboverdiano que e anti-crioulo? Tambem perguntas se estamos a fazer o uso devido dos nossos valores. Acho que nao, e, pelo menos aqui neste debate, reparaste que o Tambarinaduro, o Ramoaldo e eu denfedemos um reforco da lingua portuguesa e tambem da caboverdiana. Em todos esses anos, entre artigos e comentarios, ja leste centenas de opinioes dos anti-crioulos. Viste pelo menos uma vez alguns destes "antis" a defender o reforco da nossa lingua materna? De que lado esta o complexo, do lado dos acusados ou dos acusadores? Deixo aqui a minha posicao, de forma a ficar ao lado da "guerra das comadres": Sou a favor do reforco da lingua portuguesa; sou a favor do reforco e dignificacao da minha lingua materna embora, esteja reticente quando a sua oficializacao neste momento. | |
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Member Posts: 50 |
Toda Língua ganha seu contorno de desenvolvimento ao longo do tempo. A Língua Portuguesa é mais desenvolvida que a do crioulo e permite-nos comunicar com pessoas não só no âmbito nacional. A Lingua portuguesa é nossa, mais bem instituda, estruturada e oficializada para o cabo-verdiano usar. Crioulo é nossa língua, com aplicabilidade comunicativa oral mais do que a escrita, tendo o processo de ALUPEC desviado da originalidade etimológica, sem razão que justificasse a condenação de um alfabeto lusófono, onde os claridosos basearam para escrever o crioulo acessível e culturalmente harmónico com a língua mãe _ língua portuguesa. Ninguém e contra ao crioulo, mas muitas pessoas são contras ALUPEC, cuja tendência levou a muitos ao regionalismo desenfreado. Ser contra ALUPEC não significa ser contra ao crioulo. Ser contra ao crioulo é fazer luta contra qualquer corrente que escreve o crioulo, neste caso, Etimologico e Fonologico e/ou eliminação de projectos que eleve ao crioulo como uma língua estruturada ( com gramática, dicionário, etc). Prefiro, neste momento, maior atenção ao português no sistema de ensino e estruturas culturais cabo-verdianas, a fim de nos ajudar a falar e escrever melhor a nossa única língua oficial até então. OBS: Claro que a escrita etimológica precisa de ajustes e unificação de critérios nacionais. Toda língua tem que ter padronizacao e consensos nacionais. Por isso, a nosso ver, o ALUPEC foi um projecto de um grupinho de agentes fundamentalistas, que não submeteram suas propostas ao voto popular. Alias, não fizeram nenhuma campanha de sensibilização nacional para o efeito. Isso cheira ditadura e postura inaceitável dentro da cultura e democracia.
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Moderator Posts: 26 |
Respeito muito a minha lingua apesar de não poder expressar através da escrita, Sinto feliz por falar mais crioulo do que português viver em Portugal. A oficialização do crioulo cheira um aproveitamento político de algo que não devia ser politizado, o que causou um duro golpe na proteção do Crioulo. Ainda estive a pensar se estes "menhimenhis" não vão afastar mais a proteção da nossa lingua. Tentar desligar o criolo do português, é também um sinal de incentivo tribal.Estou completamente de acordo com o Napoleão, Aproveitamo o que temos mesmo com esforços podemos proteger o crioulo se já houvesse um alfabeto de consenso e que todos poderiam registar os seus pensamentos e serem vistos sem "menhimenhis". | |
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Member Posts: 72 |
Sao indiscutiveis as vantagens que o uso da lingua portuguesa traz. Por isso defendemos a sua socializacao cada vez maior. Deixamos isso expresso em todos os comentarios. Os anti- ALUPEC tem dado uma imagem de anti-crioulistas por manifestacoes e afirmacoes que muitas vezes ferem a lingua materna. O facto de se concluir que certos caboverdianos falam o crioulo so porque nao estao a vontade em falar o portugues, eh no minimo absurdo. Eh absoluta verdade que estamos, todos, mais a vontade com a nossa lingua materna. Mas, a tal permissa eh ridicula. Depois, os anti-ALUPEC que se tem comportado como anti-Crioulo abstraem-se quanto a valorizacao da sua lingua materna (mesmo que vejam sinais de complexos so de um lado), concentrando-se em tomar o portugues como o centro da questao, quando se refere a valorizacao do crioulo, antes de se considerar a lingua caboverdiana como nuclear de si mesma e referencia para o seu proprio estudo. Por isso, embora a inegavel paternidade da lingua portuguesa, a lingua dos meus pais eh uma lingua propria e, por isso, deve-se dar atencao ao que lhe eh particular. A minha lingua materna eh e sera uma testemunha fiel das suas origens, mas tambem, devera ser um retrato de si propria e nao sombra de outras. Mas mais do que isto, defera reflectir uma epoca historica e sociologica, e nunca regredir e suicidar-se numa viagem a Idade-Media como pretendem alguns, enquanto os outros, atraves de acordos ortograficos, estao actualizando-se, sem se poder dizer, por exemplo, que o portugues esta a afastar-se do portugues por causa das suas actualizacoes. Entao parece-me, que pelo facto de os criticos nao poderem assumir a nossa lingua como um a lingua propria e de nao conseguirem adaptar-se a modernidade e aos desafios do novo mundo, eles nao tem conseguido produzir pelo menos uma proposta embrionaria, capaz de sonhar, no minimo, com uma vida efemera ate ao aborto, entolando-se apenas em questoes avulsas e incapazes de comparar propostas. Esta condicao vai empurrando-me para aceitar o ALUPEC como realmente a unica proposta capaz, competente e adequada. Eh que ja esperei tanto, os meus cabelos ja comecaram a ficar brancos e eu tenho que escrever a minha lingua antes de morrer. | |
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