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manuel reis
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Posts: 5

PAICV e a luta pelo poder.

A ideologia política de uma classe revela aspectos marcantes que a mesma pode produzir no seio de um grupo ou de uma sociedade.

Basta fazermos um retrocesso às histórias sejam as recentes ou não para podermos confrontar e facilmente enquadrar o momento actual do nosso partido (PAICV) com uma perspectiva futurista, tendo em conta os próximos cenários.

O homem pode ser dogmático, porém, a sua postura leal e sincera é que o faz ter sempre um espaço e cativar apoios e elogios face a cada momento da sua intervenção ou de acção.

Como é sabido o PAICV é um partido que prima pela liberdade de escolha e os seus verdadeiros militantes sempre foram firmes mesmo nos momentos da travessia do deserto o que demonstra uma grande militância e simpatia. Outrossim, pelo que eu saiba, qualquer forma de se fazer política é orientada por um conjunto de normas/ regulamentos estatutários como forma de regular, orientar as directrizes políticas do partido e de seus líderes e militantes.

Face às notícias vinculadas pelo A Semana de 6 de Novembro sobre o convite ao Luís Pires ao Congresso do Partido, fiquei estupefacto e atónito perante o cenário que se deslumbra, naturalmente por várias razões.

Ninguém pode refutar que este senhor se desvinculou do partido porque entendia que era a solução à sucessão do Eugénio Veiga, criando assim um grupo de dissidentes que podia custar caro ao PAICV e às estruturas de base em S. Filipe e no Fogo.

Enganado como sempre e na sombra da estrela negra quis ser César, no entanto, esqueceu-se que o que detinha de nome era fruto do partido e os cargos de confiança foram em função da ligação com o governo e o partido que o sustente e, por outro lado havia um Senhor que tantas oportunidades o tinha dado e até um grande espaço no seio do partido caso para se pensar não acham? O discurso por ele feito foi sempre que não comprava votos de defuntos e nem comprava consciência dos eleitores com vergas e cimentos, pudera, se o mesmo não estivesse oito anos do mesmo lado com PAICV. Um outro aspecto interessante é que o próprio, então Delegado do MEES em S. Filipe quis que muitos dos professores deixassem da militância activa do PAICV para se juntar à sua lista alternativa, logicamente que era membro de confiança do governo. Assim é ser serio não acham?

O ponto fulcral desta minha chamada de atenção é para termos em conta um futuro cenário que seria de um lado um grupo que apoiaria o seu regresso e, do outro assim como eu , não o faríamos.

Naturalmente vincular ou desvincular de um partido é um processo livre, porém, deve ser de acordo com o estatuto e não pode existir qualquer processo em separado tendo em conta a vantagem pessoal de qualquer um em detrimento dos valores políticos e morais do partido.

Eis algumas questões que gostaria de compartilhar com os amigos, membros e militantes do nosso partido.

Qual é vantagem do seu regresso no momento que o partido precisa de união e não de conflitos interno?

O PAICV ganharia tendo Luís Pires e provocando duas alas no seio do Partido mesmo perante os próximos embates que se avizinham?

Quem ganharia mais? O nosso partido, MPD ou o próprio?

Será que perante o discurso feito estaria de bom agrado na mesa com os verdadeiros militantes e amigos do PAICV?

Que modelo de militantes queremos nas fileiras do partido? Que valores políticos e morais pretendem incutir nos jovens quadros do partido? Onde podemos enquadrar as ideologias defendidas pelo PAICV na criação de valores morais e políticos a bem da formação da nossa sociedade?

Vale a pena cria mas feridas no fogo em torno do nosso partido?

Acredito sim que os verdadeiros militantes e amigos estão e estarão atentos e em uníssonos saberemos fazer ouvir as nossas vozes como forma de combater qualquer que seja oportunista e que estaria disposto a pôr em choque o bom nome e a Verdadeira ideologia do PAICV.

Estarei sempre atento neste novo estádio de interesses que o nosso partido se tornou, naturalmente que nem todos terão um lugar cativo nesta luta de interesses e pelo poder.

Muitos filhos pródigos quererão de certeza em forma de cordeiro fazer parte desta luta sem tréguas, o que me preocupa, pois, alguns sairão magoados, outros desiludidos e outros injustiçados.

Verdadeiros militantes nunca tiveram sede do poder, pelo contrário ajudaram a fortalecer com diálogo, liderança e postura digna de um Cabo- verdiano batalhador e pronto a dar o seu contributo, respeitando as directrizes políticas do partido como forma de o tornar cada vez mais a força politica motora de crescimento ideológico e um viveiro de ideias capaz de fazer do Homem Cabo-Verdiano mais respeitado e livre.

 

December 4, 2009 at 11:53 AM Flag Quote & Reply

Kaka
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Posts: 72

Caro Manuel, este seu excelente artigo é deveras inteligente. Mas devo, no entanto, opinar sobre aspectos que me sugeriram outras interpretações.

Você faz abordagens, centrando-se no seu entendimento sobre o comportamento do Luís nas ultimas autárquicas, inferindo-se, depois, no seu oportunismo em querer regressar ao partido. Pelas referencias que trouxe da noticia da ASEMANA, não se vislumbram essas pretensões do Luís, mas sim, um convite que parte do partido. O interesse parte do partido, até porque, o Luís nem sequer reagiu, pelo que sei (talvez existam outras informações). A partir dai, faz algumas observações que não parecem justas. Pois, alguém que abandona o poder por conflito de princípios não pode ser acusado de sede de poder porque é mais confortável estar-se quieto e estabelecido do que entrar nestas contendas- (Quero deixar claro que não faço juízo de opinião sobre quem esteve certo ou errado, que nem defendo uma posição em relação a outra e nem pretendo significar que quem esteja no poder esteja la por interesses. Apenas quero compartilhar outras possíveis interpretações).

Sendo essa tentativa de aproximacao de origem partidária, será ela ilegal e/ou imoral?

Como você observou, o PAICV, como qualquer outro partido, deve cultivar a união e não conflitos internos. Se foi fácil concluir que o regresso de Luís, que simboliza o mesmo processo de centenas de militantes, pode prejudicar essa unidade, também, ele pode ser visto como um passo definitivo para a solidificação dessa mesma unidade. Um jovem quadro como você, aberto e disposto ao dialogo, estará na liderança da fileira dos que defenderão esta resolução com a finalidade depromover uma instituição aberta e disposta ao dialogo e reconciliação.

Afinal, como diz o titulo do seu artigo, o objectivo final dos partidos políticos é o poder, sendo as lutas meras estratégias. O GIGA conseguiu mais de dois mil votos no universo de São Filipe. Como nenhum dos dois grandes partidos estão indiferentes a forca do movimento, posicionam-se para dali tirarem o maior retalho possível. Neste contexto, se entende o convite do PAICV como uma tentativa de aproximação. O movimento de Luis Pires, consciente da sua forca, vai entrar nas negociações e fazer exigências. Se não o fizer com um partido, será com o outro.

Nessa estratégia, não havendo obstáculos estatutários, o que impedirá o partido de aceitar o regresso de centenas de militantes? A lei ou a moral? Sendo “papista”, defenderia a união não só de dois, mas de todas as forcas politicas existentes, para o bem da nossa ilha. Mas, o sentido que orienta os partidos, referindo-se mais uma vez ao titulo do seu artigo- é a luta pelo poder, e os militantes estarao conscientes disso.

December 24, 2009 at 7:23 PM Flag Quote & Reply

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