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Homem, animal Civilizado?
O homem, a meu ver, é o ser mais estúpido que existe sobre a face da terra. Julga-se civilizado, superior a tudo ( quicá o seja) e isso não é mais do que puro egoismo. Esse egoismo - se assim podemos chamá-lo - é tão grande que o faz esquecer de si próprio, desentender, odiar, matar - às vezes a si próprio - para se saciar. Para ficar satisfeito!?… Isso ao fim e ao cabo, analizado e ou refletido com uma certa calma e sangue frio é satisfazer à láia os seus mais hidiondos caprichos…
Explicando melhor, ameaça o mundo a terceira Guerra mundial - tema, severa e internacionalmente, discutido, nos último tempos.
Paz! Paz! Paz!…É slogna. É o que todo o mundo clama. E o seu sinónimo está ancorado no Golfo Pérsico (1), radicado no Afganistão (2), etc.
Os Estados Unidos da América, de um lado e doutro a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Como donos dos “galos”. São os “costas”(meninos mais grandes). Por ora, simples observadores… O cuspo já está no meio, para quem quizer começar, esfregar o pé… E amanhecer com um olho “topido”.
Mas porque tanta hesitação? Ah! Talvêz os “Os Galos” estão com medo de não virem a ser apoiados, pelos “meninos mais grandes”(3), em caso de dificuldades…
Quem de entre os “galos” terá a coragem de começar? Quem de entre eles será capaz de destruir o cuspo? E apostemos quinhentos contra cinco. África do Sul ou Israel (?). Nem que venham a sofrer eventuais consequências? Duvido!…
Admitamos que andamos enganados e que a terceira Guerra mundial é uma utopia.Será então debalde que a África do Sul fabrica bomba atómica? Como conciliar a ideia da criação do pacto de C.E.D.E.A.O? Com que argumento se justifica a ideia do pacto de defesa dos Países Africanos (em vias de se criar)? Muitas outras perguntas podiam-se fazer. Quiçá!?
Dentro do limite da minha ignorância, pergunto a mim e a todos: Para qué tanta “fantuchada”?… Medo, diria. E de quem, ninguém sabe (!?).
Da Guerra poucos são os que saem fora do caixão ou (im) paralítico por toda a vida. Os que ficam com vida, portanto, sãos, são os que se limitam a debrucar na “varanda” e de longe sem qualquer perigo, acompanham o desenrolar desse descabido, desumano e fora de série espectáculo…
Tenho ou não a razão quando afirmo que o homem é o ser mais estúpido do planeta terra? Até desisto de pensar que Homem e Homem, a não ser que não tenha consequências…
Não é que eu tenha medo da morte. Não! Longe disso! A morte já não me assusta. Vi morrer centenas de pessoas e de milhões oiço falar diariamente. Mas, o que é que os defuntos ganharam e/ou os vivos e ou sobreviventes, ganham com a Guerra? Ou mesmo aqueles que mandam matar, se todos, mesmos (eles e eu), quer queiramos ou não, teremos que morrer um dia? Tarde ou cedo, hoje ou amanhã, definitivamente, não importa. É, sem dúvida, certíssima. Assim como cem, não pode ser outra coisa. Pergunto: Como reagem as pessoas que estão prestes a morrer ou a matar o seu semelhante? Talvês, uma espécie de remorso, de nojo, de nausea… Que aperto ao pescoço. Que horror!
Os outros animais - ditos irracionais - matam-se, com o único objectivo: Arranjar o que trincar. Mas o homem, esse civilizado, não! Pensa, reflete, decide caprichosamente, empenha-se em matar descaradamente, o seu semelhante, nem sempre para se defender, defender o que e seu, mas sim, para extorquir e fazer dos outros (e do que é dele) um objecto… Para adquirir coisas que um dia,“vai e deixa”! Permanentemente e…nem sabe!!!
Porque é que o homem não se contenta com, somente, aquilo que é seu? O cão, por exemplo, luta por um pedaço de osso, de carne, com o fito de se fazer saciar. Oh! Quem me dera fosse um cão! Diria! Para não pertencer a esse grupo de selvagens, que luta pelo dinheiro, pelo ouro, pelas coisas de cujo o valor é convencionado por ele próprio.
Apela-se, suplica-se ao Homem - esse ser civilizado - que viva no sossego e conceda a paz àqueles que a ela aspiram.
Todos os anos, cerca de cinquenta milhões de pessoas, na maioria habitantes de paizes sub-desenvolvidos e/ou em vias de desenvolvimento, morrem de fome ou de má nutrição, enquanto milhões e milhões de dolares são anualmente gastos na fabricação de armas e estudos espaciais. Não é que eu seja contra os estudos. Antes pelo contrário. Mas…o planeta que vivemos, primeiro…
Porque os cientistas não estudam a forma de evitar, conhecer melhor os catástrofes naturais, como por exemplo, o terramoto, o cataclismo, a erupção volcánica e/ou alertar as milhares e milhares de pessoas que morrem e/ou sofrem por causa desses incidentes, um pouco antes disso acontecer. Porque é que não se gasta mais dinheiro na luta contra o prolongamento do deserto de Sahará? Por exemplo? Não seria mais conviniente explorar primeiro a terra - que se encontra ainda por explorar - e deixar o espaço para depois?
Quem tudo quer… ou quem ao mais alto soube?…
Não há mais… e nem o colchão…
Que as coisas sejam repostas no seu devido lugar: deixar que os “mundos” pertençam ao seus donos - é o que se exige, com naturaldade e rigor…do homem.
(1) - barcos de Guerra e porta-aviões americanos
(2) - Tropas Soviéticas devidamente equipadas.
(3) - Alcunha que se dava aos meninos que não brigavam, mas que incitavam os outros a isso.
Remoaldo M. Cardoso
Animador Social
Publicado no Jornal “Terra Nova” Ano VII -72 Junho de 1981
Categories: Artigos, Remoaldo Cardoso
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