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Na ilha do Fogo, viajando-se no sentido Leste para Sul, ultrapassando o Espigão, e a maior altitude, encontra-se Cova Figueira, povoação fundada em princípios do séc. XIX. Espaço ermo, era uma propriedade que pertencia à fazenda Real. Media três léguas de largura, confrontando-se a sul com o mar e monte Dízimo até à serra e a Norte com ribeira da baleia, também do mar até à serra.
Em 1802, um tal João de Araújo Gomes, natural do Reino, que residia no Fogo há 18 anos, pediu o arrendamento desta fazenda. Propunha fundar ali um povoado à sua custa, uma igreja e povoá-la com 150 famílias pobres da freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, que vivessem mal, principalmente depois da erupção do Vulcão em 1799. Durante um período de seis anos teria de executar o plano apresentado; cultivar os terrenos bravios de algodão e vinha, aforando-se ao fim dos seis anos o terreno aos povoadores.
A Provisão de 6 de Dezembro de 1806 do Conselho Ultramarino resolveu sobre o aforamento de Cova Figueira a João Gomes Araújo. No entanto, a divisão daquela fazenda pelos seus moradores só se executou em 27 de Junho de 1815. Contava então com 132 famílias. Uma população constituída por 361 homens e 342 mulheres, num total de 703 pessoas. Aforaram-se 420.143 braças quadradas de terrenos e cerca de um sétimo, 57.000 braças, ficaram indivisos para logradouro comum. Também já existiam 76 cabeças de bovinos, 859 de caprinos, 9 cavalares e 123 jumentos, perfazendo um total de 1066 cabeças.
A fundação da Cova Figueira e o seu crescimento vai fazer aparecer e desenvolver novos focos populacionais. Esses focos desenvolvem-se nos pontos de maiores altitudes, criando uma vizinhança que mais tarde vai-se estender ate a Chã das Caldeiras.
Categories: Claudio Fonseca (Khacka), Artigos
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