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Sentença
Peito ferido de morte
Atirado a sua vã sorte
Pela paixão sempre fútil
Julga dedicar-se inútil
Será o tempo meu remédio?
Curar-me-á a angústia, o tédio?
Árdua fé, serei curado
Se escapar a este tal fardo
Não mais cantarei trovas
Do sufoco serão provas
Lágrimas, minha lamúria
Choro, penosa penúria
Peito degolado e dor
E nem se ouve seu clamor
Paixão, sua vil assassina
E minha trágica sina
Feito fel, peito fera
Paixão mortal é o que era
Jaze agora paixão ímpia
Neste peito, vã Eva olímpica
Categories: Poemas
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