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Ilha do Fogo: Cultura, Gentes e Vivencias

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Posted by Francisco Mendes on April 4, 2011 at 1:14 AM

 

No dia 2 de Abril de 2011, assinalou-se o 16º aniversário da última erupção vulcânica no pico do Fogo.

Os anos passam e as pessoas esquecem de quão atribulada foi aquela madrugada.

Os responsáveis políiticos gastam rios de dinheiro em festas e festivais, mas pouco ou nada em campanha de prevenção. No ano passado já haviamos aqui dito que a data, a nosso ver, merece ser recordada anualmente com pompas e circunstâncias, no sentido de dar graças a Deus, por ter permitido a toda a população sair ilesa do infortúnio, por um lado, mas também com o objectivo (fundamental) de reflectir sobre a questão da segurança e protecção civil em caso de catástrofes naturais na ilha do vulcão.

É do conhecimento geral que, a última erupção representou um enorme prejuízo para os proprietários, em especial os que tem na agricultura o seu ganha-pão que, viram larga maioria dos seus terrenos, cobertos por lavas e, durante vários dias, as suas famílias espalhadas pelas várias localidades, voltando a se reencontrar nas tendas montadas no aeródromo de São Filipe.

Entretanto, ela não foi a pior erupção que a ilha do Fogo já conheceu.

Contam os mais idosos que, a catástrofe de 1951, devorou as localidades de Tinteira e Cova Matinho e, parte de Estância Roque, tendo as lavas desembocadas no mar, depois de ceifar algumas vidas. Na altura, ainda sob a administração colonial, viu-se eruer a Aldeia Roçadas, uma referência para o Conselho de Santa Catarina do Fogo, por vários motivos. A mesma que todos os anos vem passando por renovações de cosmética que a vai descaraterizando aos poucos. Todavia, também sabemos que, se à data a mudança das populações afectadas para a nova aldeia – erguida numa zona que oferece garantías em termos de segurança foi um um (relativo) sucesso – contrariamente ao que aconteceu aquando da última erupção – em que, foram construídas dezenas de moradias em Achada Furna e Monte Grande, entretanto (quase) nunca ocupadas, pois os contemplados voltaram às suas antigas residências, no sopé do vulcão, justificando que ali consguem obter o seu ganha-pão, tornando-os não dependentes da esmola do Governo.

Porém, se há 16 anos, as autoridades se interrogavam até que ponto a erupção irá ter influência na vida das populações (?) o que será de Chã das Caldeiras enquanto ponto turístico de referência (?) quais serão as consequências da erupção no povoamento e na fauna agrícola da ilha (?), entre outras questões, passado 16 anos e cerca de 13 meses depois de um grande incêndio ter devorado uma larga área dos terrenos em Cova Matinho/Espigão, nota-se que as autoridades ainda não reconheceram que a questão de segurança/protecção cívil na ilha do Fogo, deve ser prioridade das prioridades, pelo que, a título preventivo, devem promover acções de reflexão/consciencialização das pessoas..., mas não só..., continuamos aguardando que o mal nos bate à porta para dar início ao ciclo de lamentar...lamentar...lamentar!

Att: Para quando uma verdadeira equipa de protecção cívil na ilha do Fogo ?

Categories: Artigos, Francisco Mendes

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1 Comment

Reply Danillon Fontes
07:00 AM on April 08, 2011 
As suas preocupacoes sao legitimas e clarividentes, sao as mesmas que desde 1995 me acompanham e me entalam na garganta A verdade e que neste Fogo surdo o que manda ja o sabemos, emanando a cegueira a corrupcao a inoperancia, a repressao, e a policia politica que pensavamos ter acabado. Muitos preferem o bonus do que participar para o desenvolvimento da Ilha, ou seja sao egoistas e esquecem o futuro doa seus filhos Urge que os filhos do Fogo se consciencialisem antes que seja demasiado tarde.
Abracos que continues nas suas reflexoes apesar dos teus afazeres. Forca! God Bless yuu!