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A Atitude "ca tem hipotese" de Aqueleu

Posted by Pedro Paulo Veiga on March 28, 2011 at 6:26 PM

No dia 19 de Março passado, no jornal da noite da Televisão de Cabo Verde, chegou-me a notícia de tiroteio em Chã das Caldeiras. Tudo aconteceu quando a Câmara Municipal de Santa Catarina do Fogo mandou demolir uma cisterna que o Senhor Danilo Fontes mandou construir. Uma grande parte da população local não gostou da medida da Câmara e protestou-a por tratar-se de um equipamento de utilitidade pública, tentando mesmo impedir que a polícia fizesse a demolição da mesma, o que provocou disparos de vários tiros pela polícia, alegadamente, segundo o chefe da esquadra policial, para intimidar e dissuadir os manifestantes, que entretanto descontentes, revoltados e em represália, danificaram dois equipamentos sociais.


Protestar em Cabo Verde é legal. É um direito consagrado na Constituição da República, sendo, por essa razão, absolutamente normal que a população de Chã das Caldeiras se manifeste sem que esse seu direito seja violado e, muito menos, pela Câmara Municipal que, supostamente, é quem mais que nenhuma outra entidade local, deve zelar e proteger-lhe esse direito sagrado.


Em princípio, fazendo uso da sua autoridade, a Câmara pode mandar demolir uma construção ilegal e clandestina, mas se a população manifestar contra essa medida, ainda mais, estando presentes criancas na manifestacao , a Câmara deve acautelar essa sua intenção porque, afinal, na democracia o povo é quem mais ordena. E nos dias de hoje, levantamentos populares monumentais estão acontecendo em cadeia nos países de regimes ditatoriais. Coincidentemente, hoje, quatro dias apos o inicio da operacao a pedido do povo líbio e a mando da comunidade internacional, uma força de coligação iniciou uma ofensiva militar na Líbia para proteger a população civil das brutalidades de Kadafi, que, mesmo perante o aviso pertinente do conselho de segurança das Nações Unidas, continuou as suas investidas. Faça favor de tomar nota, presidente da Camara de Santa Catarina! E tenha mais cautela com a sua linguagem e esse seu discurso arrogante “ca tem hipótese, proprio de um politiqueiro mediocre e pouco avisado!


Não estou certo que a construção da cisterna em Chã das Caldeiras seja clandestina, pois, ainda antes do início das obras, a Câmara já tinha essa informacao e a populacao local tambem ja sabia. Tanto sabia que apoiou de corpo e alma o empreendimento, porque tinha utilidade pública na medida em que iria satisfazer-lhe a necessidade que tem do abastecimento de água. Sendo isso verdade (e está atestada nos depoimentos dos manifestantes) porque é que a Câmara não autorizou a contrução da cisterna? Se isso não fosse possível por constrangimentos inultrapassáveis, porque é que a Cãmara, alternativamente, não providenciou o abastecimento de água à população de Chã das Caldeiras? Nao seria essa a função primária de uma Câmara Municipal? Se a Câmara é ausente e desinteressada naquilo que é essencial para a população local, é natural que ela procure resolver por si própria os seus problemas, como é tambem natural que ela se oponha às medidas arrogantes e prepotentes de authoridades locais. Não é assim o normal funcionamento de um regime democrático, que não se confunde com um regime ditatorial?


Mas relativamente à inépcia de Aqueleu, eu já tinha feito várias dissertações, por a ter constatado quando ele era ainda presidente da Comissão Instaladora do Município de Santa Catarina, tendo dito na altura que ele não tem qualificação necessária nem discernimento indispensável para entender e elaborar um programa integrado para o desenvolvimento municipal de Santa Catarina e nem a necessária competência para a sua eficiente execução.


Efectivamente, na entrevista que Aqueleu deu à Televisão Nacional em que tentou justificar a acção da Câmara que conduziu à demolição da cisterna, pondo enfase na observância e cumprimento das leis municipais, nas regras de implantação de construção urbana e no discurso “ca tem hipotese” (uma linguagem claramente arruaceira), ficou claro que esse horrível incidente (inédito ate hoje em todo o pais) ocorreu mais por falta de entendimento e traquejo políticos por parte dele do que propriamente por culpa do Senhor Danilo Fontes e seus apoiantes na manifesteção que, com a construção da cisterna, apenas pretendiam saciar a sede. Perante uma situação dessa, a Câmara não devia ser tão insensível e arrogante como, alias, é notório nesse noticiário do dia 19 de Março, por sinal ainda instalado em vídeo, como se pode ver, mas, antes, ser capaz de artibrar e conciliar os interesses público e privado. E no caso em apreço da construção dessa cisterna, o interesse privado é quase público, pois, uma grande parte da população apoiou-a clara e decididamente, o que devia ter facilitado a compreensão e decisão à Câmara e ao seu presidente, tendo acontecido, contudo, precisamente o contrário - a exacerbação da contenda entre a Câmara e a população local, com todas as consequências daí advindas, como infelizmente se viu.


Antes de terminar, e a propósito das regras de construção urbana em Santa Catarina do Fogo, eu gostaria de dizer algumas palavras, que estão no essencial relacionadas com a conduta arrogante da Câmara e seu presidente em Châ das Caldeiras. A Câmara, fazendo uso arbitrário do poder, construiu a residência do seu presidente num espaço isolado, não-residencial e num terreno semi-bravio, sobranceiro à ribeira de monte-pelado, muito afastada da vila (agora cidade) de Cova Figueira, que é, por sinal, a sede do concelho. Igualmente, mandou construir o liceu de Cova Figueira num espaço ainda mais isolado e de terreno bravio, cerca de tres a quatro quilómetros distante da vila-cidade. Se estas construções estejam contempladas no plano de urbanização, ou requalificação urbana da vila-cidade (terá a Câmara um plano de urbanização ou um projecto de requalifição dos povoados do concelho?), alguma coisa deve estar a funcionar muito mal na cabeca dos politiqueiros revanchistas da Câmara de Santa Catarina, que se traduz claramente no desdém em relação à vila-cidade, secundarizando-a, e num ódio profundo que nutrem pela mesma, seus moradores, ex-moradores e proprietários de terrenos contíguos à vila-cidade, agora residentes no estrangeiro, os quais, e é preciso que se saiba, não serão nunca atingidos por essa política arrogante, revanchista e arbitraria da Câmara, que, obviamente, prejudica sobremaneira, estes sim, os munícipes residentes no concelho, pois, os seus filhos e eles próprios é que irão frequentar e fazer uso dessas infraestruturas isoladas em terrenos bravios.


Desonestamente, esses politiqueiros de terra queimada passam a vida a enganar os munícipes residentes no concelho e no Fogo em geral, dizendo que os proprietários residentes no estrangeiro recusam vender terrenos à Câmara para construção de equipamentos sociais e urbanização da vila-cidade, o que não corresponde mínimamente a verdade. A verdade, esta sim, é que o presidente da Câmara, numa atitude arrogante e insensível de discurso “ca tem hipótese” , nunca até hoje, numa postura séria que se esperava de um presidente da Camara, aproximou-se dos proprietários de terrenos residentes no estrangeiro para sequer conhece-los, mormente negociar com eles. Aliás, nem podia, porque desde que foi eleito há quase tres anos, não visitou uma única vez a comunidade santacatarinense na América, provávelmente, pelo desdém e ódio que nutre por ela, comprovada agora nessa sua linguagem arruaceira de “ca tem hipotese” no vídeo do caso de Chã das Caldeiras, instalado no sítio da Televisão de Cabo Verde.

Categories: Artigos, Manduco

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8 Comments

Reply Prentcha
01:47 PM on April 13, 2011 
entao Napoleao e Kaka ca sta comenta más na manduco? Es comenta tudo cusa mas es li go es ca ta comenta. Pa ess importante é PAICV na poder e djel sta, bico calado. Cada um se cuida!
Reply Djinguilane Andrade
06:40 AM on April 04, 2011 
Excelente Sr Paulo Veiga por este excelente artigo, ao Sr Danilo muita força e coragem por esta atitude cobarde do Presidente de Santa Catarina em mandar demolir a tua casa construida com suor da emigração, muita força, mas quantas asneiras o Chéché já fez na sua casa em Cova Figueira e ninguem diz nada visto que ele é PAICV ,dois pesos duas medidas.
Reply Dadim di nha prendja
12:56 PM on April 01, 2011 
Esperava que Káká e Napoleão comentassem esse nao o artigo, mas o sucedido. A atitude do Aqueleu é lamentavel. Trata-se de um homem sem escrupulo, que se afirma como advogado e que de Direito nao entende patavina. O Caricato dessa historia toda é demoluir primeiro as construções e só depois uma convacão de reunião para explicar a demoluição. Que prioridade e sensatez! aso analisar esta atutude demoluir, provocando tiroteiro onde havia centenas de crianças e só depois reuniaõ de esclarecimento monstra o nível de Aqueleu amado. Penso que Aqueleu tem a consciencia clara que o seu nível é tão baixo que só em Santa catarina concelho mais pobre e ilha do Fogo com maior numero de analfabetos Aqueleu pode ser presidente de Camara. É bom lembrar que ele nao ganhou as eleições, isto é nao foi eleito. Comprou consciencia das pessoas pobres.
Reply FERRO
10:13 PM on March 31, 2011 
Eu lembrar muto ntrumado de Pedro Paulo. Ele imbarcou e nunca mais noticia de lhe em Cova-Figueira.
Eu estar com sadadi dele. Se ele es bom emigranto debi mandar uns bidons com roupa nem que es usado para eu e se ter pusubilidade mandar tambem uns par de bota timberlaw que es muto bom para andar nas kemadas de padjigal. Ele pode vir candidatar para freguesia di santa catarina, mas tem que mandar bidons primeru.
Abraco bem trancado no costa largo
Reply Pedro Paulo Veiga
03:47 PM on March 29, 2011 
Errata: no terceiro paragrafo, em vez de "encrevista", deve ler-se entrevista e no ultimo paragrafo, em vez de "tagarelice de Aqueleu e colocar", deve ler-se tagarelice de Aqueleu e coloca.

Aproveito para dizer que que quando Aqueleu era ainda Pr. da Comissao Instaladora em 2007, eu escrevi alguns artigos versando varios temas e um deles era relacionado com a titularidade de terrenos em Santa Catarina. Vou revisita-lo e, se achar que tem alguma pertinencia actual, irei publica-lo no MANDUCO.
Reply TAMBARINADURO
02:25 PM on March 29, 2011 
Caro Danillon, fiquei profundamente consternado com a noticia. Como imigrante, sentir-me-ia lesado com o gesto demolidor da camara de Cova Figueira. Espero que o tribunal venha a decidir a teu favor. Convem tratar este assunto no seu aspecto juridico e municipal, sem permitir que terceiros venham tirar dividendos do o teu sofrimento. Gostaria de ouvir uma explicacao oficial do pr. da camara, para conhecer o outro lado da verdade. Independentemente de quem estiver do lado certo da lei, a minha solidariedade e contigo. Forca!
Reply Pedro Paulo Veiga
02:10 PM on March 29, 2011 
Solidarizo-me contigo, Danillon, porque a razao estah do teu lado. Abstraindo por um instante da legalidade e de legalismos oportunisticos e convenientes de Aqueleu, o seu caso, fosse o Aqueleu e sua Camara sensatos, nao deveria ter escalado para o nivel de demolicao e intervencao policial, que resultou em accoes que mais pareciam de Gangsters do que propriamente de autoridades municipais. Contudo, sinto-me um pouco mais clarificado, e obrigado pela informacao, quanto ah motivacao de Aqueleu e sua conduta, pois, como me deixaste agora saber, ele tinha ja projectado algo nessa parcela de terreno e pretendia compra-la em conluio com a usurpadora, o que parece ser grave, gravissimo mesmo!

Mas, independentemente disso e mesmo na ausencia dessa motivacao de Aqueleu, ele, na qualidade de Pr, devia ter mais sensibilidade em relacao ah populacao local que se manifestou a teu favor e contra ele, tendo o caso ganhado contornos politicos (poder e forca), estando do lado dele forca (policia) e do teu lado apoio popular. Na democracia a forca de apoio popular estah sempre acima da farca de armas.

E vendo bem, o Aqueleu nem deve ter razao na questao da legalidade. Ele diz que eh advogado, mas nao entende nada de direito. Na escrevista que deu, ele disse, num tom demasiadamente arrogante, que toda a caldeira de Cha das Caldeiras eh do estaaadoo (assim ele o pronunciou), sem saber bem o que estava a dizer. Quando o interesse do estado estah em causa, o governo eh quem deve legislar, dizendo clara e explicitamente as razoes da exclusividade e da nao autorizacao de contrucoes, como, por exemplo fez em relacao as ZDTI -zonas de desenvolvimento de turismo integrado, nas quais os municipios nao tem autoridade nem competencia para autorizar construcoes urbanas.

Ora, sendo isso vedade e eh verdade (eu sei!), a Cha das Caldeiras para ser declarada uma zona de alto risco, onde nao se pode construir moradias, o governo tem de legislar e explicitar as razoes. Mas nao me parece sensato o governo legislar que Cha das Caldeiras eh uma zona de alto risco, porque se o fizesse, teria tambem que declarar que Cutelo Capado, Estancia Roque, Achada Furna, Mae Joana, Cova Figueira, Baluarte, Figueira Pavao, Monte Vermelho, Fonte Aleixo, Relvas, enfim, toda ailha como zona de risco, declarando ilegal habitar a ilha do Fogo, porque, afinal, toda a ilha pode ser atingida por uma violenta erupcao vulcanica.

Portanto, uma coisa eh falar de Cha das Caldeiras como zona de alto risco e outra coisa bem diferente eh saber se existe uma lei aprovada pelo parlamento, ou mesmo um decreto governamental nessa materia. Tanto quanto eu saiba, nao existe nenhuma lei a esse respeito, o que, a ser verdade, invalida toda a tagarelice de Aqueleu e colacar no teu cesto, amigo Danillon, toda a razao, bem como a total solidariedade dos municipes, para um competente processo contra a Camara de Aqueleu.
Reply Danillon
07:51 AM on March 29, 2011 
Sou suspeito para falar no assunto, mas como muitas coisas nao foram ditas e a compreensao das pessoas que nao presenciaram os acontecimentos poderao formar opinioes que nao pretentiam fazer, tudo por culpa de uma comunicacao social transparente, nao tentenciosa capaz de ouvir as duas partes.Infezilmente na minha ilha encontrei as instituicoes tudo ª kalapitchaduª enrrolados no partido e ou nos poderes, esperando cair nas suas benesses. Eu desloquei a dificil cidade de Cova Figueira diversas vezes, esclarencendo a Pr a minha dificil situacao, o meu congelamento em Portuagal com o sultimos sete anos no desmeprego provocados por desisao infantil de decretar Cha das Caldeiras zona de alto risco e deslocar arbitraairmente oses us residentes.O Pr em vez de facilitar compilcou dizendo que o terreno etas em conflito e nao passa p lanta de localizacao.Tudo isto porque ele ja teria projectado algo naquele sitio e pretendia comprar em concluo com a usurpadora.Eis a razao porque mostrou a sua forca ditatorial. Passado estes dias todos nenhum Partido poliitco pronunciou sobre este insidente que no minimo provocaria a demissao deste Pr. Estamos todos de olhos fechados A cada dia que passa mais asneiras ele faz. Ontem foi convocar 20 pessoas da Zona para mua reuniao em Cova Figueira. Inovacao.Inecratitavel