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Kurkutisan é uma espécie de poesia oral ou de cantiga popular, que se assemelha muito às cantigas medievais portuguesas conhecidas por cantigas de mal-dizer. Possui também um certo paralelismo com as cantigas repentista do nordeste brasileiro, por ser toda ela inventada, de repente, isto é, improvisada no momento em que duas cantadeiras se encontram e começam a dizer mal uma da outra, de forma metafórica, em geral, e, às vezes, de forma muito crua e directa, mas sempre numa toada melodiosa ou num tom poético.
Kurkutisan é uma cantiga de desafio, de contenda verbal e de esperteza, do género da desgarrada portuguesa, em que dois cantadores se injuriam mutuamente, de forma jocosa, usando uma linguagem mordaz e obscena, por vezes, com intenção ofensiva e maldizente.
Muitas vezes, é utilizada para satirizar os grandes senhores proprietários de terras ou mesmo a sociedade em geral, caricaturando aspectos imorais das pessoas ou o desregramento social.
Originária do meio rural foguense, a kurkutisan (discussão) veio da palavra kurkuti, ou krakuti, que significa insultar, ofender o outro. É conhecida também por rodriga ou rafodjo e possui uma certa analogia ou paralelismo com o Konbersu Sabi, ou Passa Piada, da ilha de Santiago, em que, também, duas pessoas insultam-se mutuamente, de forma poética, com o fito de causar riso, recorrendo, principalmente, a um jogo de palavras com duplos sentidos. O humor e a presença de espírito para uma resposta pronta, rápida e engraçada, são indispensáveis nestas cantigas.
A Kurkutisan, no fundo, é uma coladeira cantada em bailes populares, onde se toca violino, violão, viola, cavaquinho e tambor.
Uma das maiores cantadeiras da ilha do Fogo desse género de cantiga chamava-se Ana Procópio, mas há outras ainda, como, por exemplo, Nha Tintina Mane di Bedja
Dany Spinola.
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