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O FEDERALISMO SERIA UMA FORMA DE GOVERNO IDEAL PARA CABO-VERDE?

Posted by NAPOLEAO on January 21, 2011 at 9:25 PM

A tendência de desarmonia e desequilíbrio no desenvolvimento entre as ilhas são sentidas como manipulação regionalista, coberto de influências maioritárias nos projectos e programas destinados às ilhas que usufruem de sensibilidades que lutam pelo investimento regional dentro de determinados governos. Por isso, Cabo-verde precisa pensar com alguma brevidade sobre a regionalização e/ou desconcentração de poderes por forma a evitar percepção de população prioritária e previlegiadas e outras não, de cidades na ordem do dia e outras não, de ilhas preferidas e outras não.

 

Baseando na dimensão territorial, na divisão geográfica nacional em dois grupos – o de Barlavento e o de Sotavento -, na criação de vários municípios e na peculiaridade cultural, económica e social, deve-se dizer que algumas actualizações constitucionais são precisas para que a autonomia do poder politico regional vincule como estrutura do governo dentro do estado de Cabo-Verde.

 

 

A tendência de desarmonia e desequilíbrio no desenvolvimento entre as ilhas são sentidas como manipulação regionalista, coberto de influências maioritárias nos projectos e programas destinados às ilhas que usufruem de sensibilidades que lutam pelo investimento regional dentro de determinados governos. Por isso, Cabo-verde precisa pensar com alguma brevidade sobre a regionalização e/ou desconcentração de poderes por forma a evitar percepção de população prioritária e previlegiadas e outras não, de cidades na ordem do dia e outras não, de ilhas preferidas e outras não.

 

 

Federalismo é uma forma de governo baseado num certo modo de distribuir e exercer o poder politico numa sociedade, sobre um determinado território, que resulta da necessidade de preservar a diversidade de culturas ou constatação das origens diferenciadas (língua, música, tradições económicas, sociais, etc.), necessitando, portanto, de um estatuto que garanta a sua autonomia local.

 

 

Não é pacífica, na doutrina, a classificação das formas do Estado. A tradicional classificação entre as formas de Estado faz a divisão entre o Estado Unitário e o Estado Federal. O Estado Unitário se caracteriza pela centralização do poder politico-administrativo em único centro de poder produtor de decisões. Já o Estado Federal, por sua vez, é definido como a união de estados ou regiões autónomas previstas na constituição em que estas possuem autonomias e participação politica. Esta forma de Estado pressupõe a consagração de certas normas constitucionais para a sua configuração e para a manutenção da sua indissolubilidade.

Cabo-Verde, como arquipélago, apresentando sempre sua descontinuidade territorial, acaba-se por fazer das ilhas um estado em miniatura e/ou dos Grupos Barlavento e Sotavento, tendo na sua essência seus valores peculiares que não devem ser destruídos pela força da maioria. A cultura não deve ser subjugada pela maioria, mas sim preservada como um valor de um povo/ilha ou região, na perspectiva de que seu valor em conjunto com as restantes ilhas faça crescer o Estado que queremos construir.

 

 

A tendência de nacionalizar o crioulo de Santiago e a forma como tem sido trabalhado merece cuidado perante a identidade de cada ilha. Alguns investimentos concentrados em algumas ilhas e o abondono de outras chama atenção aos cidadãos atentos sobre o direito que usufrui perante um estado democrático.

A democracia será bem entendida, quando a defesa dos valores culturais, sociais, políticos e económicos não sejam esmagados em favor da maioria, dando possibilidade a autonomia, uma das formas de aproximar a democracia e o poder de decisão mais perto da população, única e responsável pelo seu êxito ou fracasso, sem se perder o sentido da união nacional, elemento fundamental para a grandeza dos nossos valores, uma vez que seremos reconhecidos como cabo-verdianos só quando o valor cultural, económico, politico e geográfico se manifestem como resultado da diversidade na unidade nacional.

Continua...

 

 

Napoleao Vieira de Andrade

Categories: Artigos, Napoleao Andrade

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10 Comments

Reply Arlindo Andrade
12:17 PM on August 25, 2011 
PS.
Ao reler o meu comentário sobre "O Federalismo Seria Uma forma de Governo Ideal de Governo para Cabo Verde?", verifiquei a existência das seguintes gralhas no meu texto, pelas quais peço desculpas:
1- Onde se lê "... pela qualidade e finura de raciocínio que se constata...", pretendia dizer "pela qualidade e finura de raciocínio que se constatam...";
2- Onde se lê ".... e tantos outros grandes nomes da escrita criola do passado e usa, presentemente...", pretendia dizer "... e tantos outros grandes nomes da escrita criola do passado e usam, presentemente..."
Reply Arlindo Andrade
11:56 AM on August 24, 2011 
Venho admirando, há muito tempo, as publicações de Napoleão Andrade (permitam-me a familiaridade de tratamento!), pela qualidade e finura de raciocínio que se constata em tudo quanto escreve. Este pequeno artigo testemunha inequivocamente o que estou a afirmar.
Como foguense, militante do PAICV, comungo inteiramente da opinião ora formulada, porquanto a centralização da Praia, face ao decurso do tempo decorrido após a nossa independência, revela-se, sem margem para dúvidas num rotundo prejuízo para as outras ilhas. É tempo de se encontrar uma outra forma de distribuição do exercício do poder político (não se restringindo ao actual modelo existente, que, reflectindo embora, um modelo democrático, não é o único modelo válido), de forma a que haja maior repercussão de desenvolvimento em cada ilha.
O modelo alupequiano que se pretende impor, não é mais do que o corolário desse ignóbil centralismo. Tenho, porém, a certeza de que a mim, nem à força (e por mais que venham a oficializar o Alupec), me obrigarão a usar o Alupec. Escreverei, sim, no criolo, cujo estilo usou Pedro Cardoso, Eugénio Tavares, e tantos outros grandes nomes da escrita criola do passado e usa, presentemente, Zizim Figueira, Napoleão Andrade e tantos outros, com grande mestria. Oxalá que os deputados eleitos pelo círculo da Ilha do Fogo comecem a ter a percepção de que antes de serem deputados da Nação foram da Ilha do Fogo e que a população que os elegeu espera deles legitimamente (sem bairrismo) a defesa de um Cabo Verde desenvolvido de forma equitativa.
Reply Diniz Da Graca
01:22 PM on August 19, 2011 
A unica e viavel solucao para Cabo Verde!
Reply CRISTAL
09:00 PM on January 22, 2011 
Pena e que sua/nossa ideia e aproveitada pela oposicao e tiram grandes proveitos nesta questao. PAICV deve valorizar o que valor tem e deixar de fingir que nao ve. Para frente que e o caminho...
Reply CRISTAL
08:57 PM on January 22, 2011 
Pois, deixem a democracia florir, porque os ditos de Onesimo Silveira, Carlos Veiga etc, etc sao plagios do artigo do Napoleao Andrade na lingua de S. Vicente e Badio genuino.
Se alguem tem merito nesta questao de ideias, voto primeiro no Napoleao. Resto e oportunismo e roubo de ideias.
Parabens querido
Reply ARBA
08:40 AM on January 22, 2011 
No Fogo obras paralizadas, mas dizem os deputados que esta tudo bem
Reply Zelito
08:35 AM on January 22, 2011 
FACAM COMPARACAO DO REGIONALISMO DO ONESIMO E DO SENHOR NAPOLEAO ANDRADE.

Onésimo Silveira: ?O Governo da Praia Destruiu Parte da Memória Deste País?
by FORCV 20. January 2011

MINDELO, CV (Notícias do Norte) -- Na apresentação dos candidatos do PTS pelo círculo eleitoral de São Vicente, que teve lugar ontem na cidade do Mindelo, Onésimo Silveira ?disparou? para todos os lados. Como a dizer que é preciso contar com ele e? com o PTS. Como era de esperar Silveira centrou a sua mensagem na defesa de valores, que para ele são caros a São Vicente, e no ataque às políticas do PAICV e do MpD.

Em relação ao primeiro disse que ?O PAICV tem uma politica colonial. No seu poder mandou retirar estátuas da nossa cidade, a de Camões, por exemplo e não sabemos onde foram parar. Cabo Verde continua a ser vítima de uma Politica cultural. Só preocupam com a cultura de Santiago. O Governo da Praia destruiu parte da memória deste país.?

E Silveira gritou: Abaixo a República de Santiago, para mostrar a sua indignação pelo que considera de asfixia de São Vicente e citou exemplos ?É um abuso demitir a Direcção da UNICV pela internet. São Vicente não é produto de prostituição em Cabo Verde. Há um fundo Americano, que só o governo da Praia tem acesso. O Governo central desviou a cooperação de Luxemburgo de Santo Antão, para a Ilha de Santiago, porque só Santiago tem direito a cooperações. Para os outros Partidos, São Vicente é para asfixiar.?

Depois atacou a tentativa do Governo de impor o crioulo de Santiago ao resto do Pais. ?Querem impor-nos o crioulo de Santiago. Não têm competência nem autoridade para impor essa tal língua. Temos de reagir à Politica de Desvirtuamento de línguas. A Regionalização é a resposta para todo este mal que aterroriza o nosso país. Nem só do pão vive o homem, pois temos de valorizar a nossa cultura.? E está dado mote para a campanha do PTS. Onésimo está de volta com São Vicente, mais uma vez, no centro do seu discurso. O eleitorado tem a palavra.

Tags: onesimo silveira, pts, mindelo, sao vicente, paicv, mpd, campanha eleitoral
Legislativas 2011
Reply GALO
09:38 PM on January 21, 2011 
O Onesimo, o Carlos veiga, etc, etc podem cantar regionalizacao, mas quem mais cantou isso foi um quadro militante do PAICV Napoleao Vieira de Andrade. Ate porque ele fala em mudar Constituicao e fazer leis que sustentam a garantia da governacao.
Este e militante e homem que fala e faz outro calar. Mas continue amigo porque sua voz faz eco.
Reply ARBA
09:34 PM on January 21, 2011 
Pena nao termos candidatos a deputados do lado do PAICV a fundamentar. Hoje precisamos de pessoas que sabem o que e que o pais precisa. Estamos a desenvolver e temos mais exigencias.
Mas ainda bem que esta questao e fundamentada por senhor Napoleao militante de conviccao.
Reply Zelito
09:31 PM on January 21, 2011 
Ao vermos Onesimo Silveira, Carlos Veiga a fazerem finca pe no Regionalismo como batalha de campanha, leio com prazer este artigo do meu amigo Napoleao Vieira de Andrade com muito prazer, porque vejo que ali tem ideias e fundamentos credive...is.
Agora pergunto:
Porque que o senhor Napoleao nao foi escolhido para o deputado? Que perda grande ao ver ideias dessas a serem aproveitadas pela oposicao.
O senhor Napoleapo negou fazer parte da lista?