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Cabo Verde - Uma Vis?o Cr?tica e Pedag?gica Sobre as Pr?ticas Sociais e Politicas

Posted by Pedro Fonseca on March 7, 2009 at 1:33 AM

 

Os homens precisam se unir para fazer renascer o gosto pelo questionamento, mesmo sabendo que é uma tarefa difícil e pouco valorizada actualmente. Pois, vivemos numa sociedade satisfeita consigo mesma. Uma sociedade que já se convenceu que o material é superior ao espiritual…” José João N. B. Vicente

 

Na aprendizagem, a sociedade é um livro aberto, ou se calhar, escola para os habitantes. Estes são leitores, estudantes e professores permanentes. A sociedade é heterogénea. Nela encontramos crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos; Indivíduos, uns irresponsáveis, outros responsáveis e com responsabilidades elevadas. Todavia, tomando a sociedade como livro ou escola, os sujeitos que nela vivem, aprendem e ensinam muitas vezes, sem querer, como também, aprendem ou ensinam sem escolher o que aprender ou ensinar. Há, como é lógico, nestas circunstâncias, perigos diversos. Pois, trata-se de uma aprendizagem diversificada a partir da realidade e da experiência quotidiana, onde os indivíduos convivem com todas as castas de pessoas. Deste livro ou escola ninguém escapa. Portanto, refletindo assim, podemos concluir que somos professores e alunos permanentes. Assim, o cidadão, por mais comum que seja acaba por ter responsabilidade na sociedade. Os sucessos ou insucessos são consequências das nossas atitudes como cidadãos. Nesta lógica, os professores não são apenas os que passaram pela escola de formação ou que estão em sala de aula, mas sim, todos os cidadãos conscientes ou inconscientes. Os alunos não são, apenas, os que frequentam uma instituição escolar. Assim sendo, podemos dizer que há dois tipos de professores e alunos: os professores que abraçam o professorado como profissão e os que no quotidiano directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente ensinam; os alunos que frequentam as aulas e aprendem nas escolas e os que aprendam com atitudes dos outros na sociedade. Assim sendo, todos os cidadãos são professores/alunos e responsáveis pela e na sociedade.

 

Longe de igualarmos essas figuras, podemos tomar como exemplos paradigmáticos Jesus Cristo e Sócrates: Jesus era grande professor, sobretudo um educador. Não preparava as aulas como também não tinha sala de aula específica. Ensinava em todos os lugares: praias de mar, foz dos rios, desertos, praças públicas etc. Seus alunos eram indivíduos simples, humildes, honestos …. Escolheu indivíduos que a priori Lhe exigiam enorme tarefa. Todavia, soube em pouco tempo transformá-los em grandes pescadores de homens e condutores da humanidade. Seu ensino é, na verdade, transformador, significativo e, sobretudo útil no passado, presente e futuro. Para materializar seus ensinamentos usou como material didáctico exemplos da sua própria vida.

 

Sócrates era, também, à semelhança de Jesus um excelente professor/educador. Não tinha sala de aula e tão pouco turmas específicas. Direccionava seus ensinamentos para esclarecer a juventude grega. Trata-se de ensinamento útil à sociedade. Jesus e Sócrates foram figuras pragmáticas, úteis, com ensinamentos significativos e que ajudam muito na construção de uma sociedade sadia, harmoniosa e igualitária. Todavia, ambos foram julgados e condenados à morte por causa da verdade. Entre enganar, mentir e defender a verdade, ambos preferiram a verdade e por ela morreram. É diveras uma convicção árdua! As sociedades modernas precisam, urgentemente recuperar e produzir homens desse calibre. As escolas precisam ter professores reflexivos, brilhantes e, sobretudo fascinantes (Augusto Cury, 2003) responsáveis e comprometidos com a profissão. As outras instituições devem instruir os funcionários a prestarem serviços, sobretudo serviços de excelência como acto de dever. Afinal ensinamos às crianças a serem amanhã maus cidadãos, maus profissionais e maus professores com o comportamento que temos hoje na sociedade, nas escolas e noutras instituições.

 

Devemos ter sempre em mente que quando vemos ou ouvimos indivíduos assumidamente responsáveis a mentir na televisão, na rádio ou a desvirtuar a verdade em função dos seus interesses ou interesses confusos, nada mais estarão a fazer do que ensinar uma criança a mentir ou a desvirtuar uma verdade amanhã, em função dos seus interesses; sempre que vemos/ouvimos indivíduos com responsabilidades acrescidas a fazerem promessas falsas estarão a ensinar as crianças a não cumprirem com as suas tarefas/ obrigações no futuro. Tomemos a consciência, sejamos responsáveis, freemos os nossos interesses a favor de uma sociedade justa, fraterna, harmoniosa e equilibrada para que amanhã não venhamos a criticar e condenar a sociedade que hoje construímos! Jesus e Sócrates são figuras importantes a seguir, mas para tal é preciso conhecê-Los através da Bíblia (Jesus) e livros de filosofia (Sócrates), pois, o mundo precisa cada vez mais de cidadãos desse calibre; precisa de cidadãos com visão clara e objectiva; precisa de homens reflexivos, transformadores, altruístas e práticos; precisa de ensino prático e fundamentado na vivência quotidiana… Como esperar uma sociedade sadia, justa, harmoniosa, equilibrada… se hodiernamente o homem vive em função do presente, do imediato e dos seus próprios interesses abdicando dos aspectos colectivos/comuns que constituem Pedras Basilares na construção da sociedade ideal almejada pelos homens que ainda defendem valores!?

 

É o que pensamos de momento como simples e humilde cidadão.

 

Cidade São Filipe, Fevereiro de 2009

 

Alberto Nunes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Categories: Artigos, Alberto Nunes

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10 Comments

Reply Lucilio F. Alves
01:31 PM on July 30, 2009 
dei uma rápida olhada em seu artigo com tanta gentileza. só posso agradecer pelo que observei, pois existem de facto poucas pessoas que percebem o que eu digo algumas diferentes das outras. infelizmente sou desconhecido, mas de tudo é a real visão que podemos ter quantos as esses mestres citados no texto e agarrar como uma forma de humildade e melhoria na educação caboverdiana que ocorre um certo risco. como Paulo Freire ja tinaha dito precisamos sair dessa Educação Bancaria no sentido de o outro construir o seu próprio conhecimento. um grande abraço professor
Reply Khacka
08:50 AM on March 12, 2009 
Esta e uma chamada de atencao importante para os que, parecendo como modelos sociais, tem responsabilidades acrescidas na formacao da moralidade social. O Alberto, ao reagir, da tambem uma licao de como nos todos devemos posicionarmos perante as questoes do tipo.
Reply Khacka
08:50 AM on March 12, 2009 
Esta e uma chamada de atencao importante para os que, parecendo como modelos sociais, tem responsabilidades acrescidas na formacao da moralidade social. O Alberto, ao reagir, da tambem uma licao de como nos todos devemos posicionarmos perante as questoes do tipo.
Reply Tinteira
05:07 AM on March 10, 2009 
Quero deixar aqui o meu registo dizer que este artigo tem razao de ser e espero que apareca outro do tipo escrito por este articulista ou por outro. Sucsso ao autor e que os Caboverdianos saibam aproveitar esses ensinamentos. Boa Noite. Tinteira
Reply Djon
08:27 AM on March 09, 2009 
Uma boa reflexao. Es um cidadao de bom senso e como uma capacidade extraordinara de reflexao. Consegues fazer produzir o saber a partir da vivencia do dia a dia. Admiro te muito por esta capacidade de produzir. Assim deve ser um professor. Que bom temos na ilha do Fogo pessoas com tu e Francisco Mendes. Pessoas que emanam de familias pobres e que lutaram com dignidade para ser o que sao hoje e com ideais brilhantes estao a dar o contributo a sociedade. Li de Merca um filho do Fogo. Djon
Reply Cova Figueira
07:29 AM on March 09, 2009 
Exceletnte artigo como de sempre. Abordas questoes interessantes, infelizmente muitos nao querem dar atencao as coisas importantes dessa nossa sociedade. Devo-lhe dizer que deves coninuar a fazer o seu papel como cidadao. Cova Figueirva
Reply Francisco Mendes
07:03 AM on March 09, 2009 
Força - um excelente artigo - naquilo que Manduco não pode Djarfogo agradece.
Abraço
Reply Joao Gomes
05:02 AM on March 09, 2009 
Nai sei se e intensional ou desatencao que sr. Napoleao retringe este belo artigo aos responsaveis do Fogo porque tendo em conta que o artigo fala de Cabo Verde Nao vejo razao para tal restrincao. Aos que mentem na televisao, penso que se trata de um exemplo do autor, mas no entanto so o autor estarara em melhores condicoes para o dizer. Mas em termos de Mentira na televisao e Nao so convido Napoleao a reler o artigo do Deputado Jorge Nogueira neste site que fala de adiamento do desenvolvimento e dos projectos do Fogo muito bem fundamentado e com fontes muito bem identificadas para ver que o articulista Alberto tem razao. Penso que e um artigo interessante e que nao deve ser desvirtuado para que cada um tire as suas conclusoes e ve se colabore para uma sociedade desejada por muitos. Pessoalmente gosto muito de ler os artigos de Alberto porque e um cidadao claro, corajoso despretencioso. A ele peco a Deus que lhe acompanhe e que nao se deixe ser comrropido pelos homens do poder nem do PAICV e nem do MPD. Forca Alberto que tens futuro. Pessoa como tu esta a desaparecer. Seu adimirador Joao Gomes
Reply NAPOLEAO
07:58 PM on March 07, 2009 
Um artigo interessante, pedagógico e com algumas chamadas de atenção para responsáveis que mentem na televisão. Esta parte que chama de mentirosos aos responsáveis de Fogo que mentem na televisão merece maior realce político para nós, porque é uma vergonha tratar gente de Djarfogo como estúpido, caso seja verdade. Mentira é crime e, sendo assim, precisa de denúncias mais eficazes.
Gostei.
Napoleão Andrade.
Reply Carlos Fogo
06:22 PM on March 07, 2009 
Este artigo é uma lufada de ar fresco. Há muito que precisavamos, neste site, de uma narração, assim, lacónica e simples sem pretensões gulosas e inatingíveis. Devo dizer-lhe que o tema aqui exposto, arrasta consigo assuntos pertinentes a aprendizagem das coisas da vida. O mundo, assim como dizes, é uma escola a onde o nível de conhecimento, tanto académico, cívico, e espíritual é muito variável. Os mestres, que referistes no teu artigo, sabiam da tal discrepância da evolução cognitiva. Não foi por mero acaso que,, Jesus o Cristo, quando preguava sempre rematava, ? ...para aqueles que tem ouvidos, ouçam..?, isto é, para aqueles que tinham a capacidade de compreender os seus ensinamentos. Facilmente entenderás, se eu te disser que, às vezes, as profundas verdades (ensinamentos) acabam, sempre, por se perde devido a falta da receptividade por parte dos distinatários da mensagem. Um bom professor é aquele que conhece as potencialidades dos seus discípulos, e ajusta, apropriadamente, as mensagens de acordo com o grau de encaixe dos alunos.
A evolução cognitiva e espiritual são dependents, não só das experiências acumuladas durante anos da vivência, mas, eles são também dependentes do ambiente em que se vive. A aprendizagem só é conseguida quando o predicado, agente da experiência, escolhe, conscientemente o caminho, corrigi os erros e tira a lição. Às vezes a obsessão, quer seja ela mundana ou causada pelas actividades sociais(politicas, financeiras, amorosas etc...) estorva e torna túrvida as verdades que tem as potencialidades de libertarem os seres humanas das vituperáveis crenças e dogmas espalhadas pelo mundo.