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“Os homens precisam se unir para fazer renascer o gosto pelo questionamento, mesmo sabendo que é uma tarefa difícil e pouco valorizada actualmente. Pois, vivemos numa sociedade satisfeita consigo mesma. Uma sociedade que já se convenceu que o material é superior ao espiritual…” José João N. B. Vicente
Na aprendizagem, a sociedade é um livro aberto, ou se calhar, escola para os habitantes. Estes são leitores, estudantes e professores permanentes. A sociedade é heterogénea. Nela encontramos crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos; Indivíduos, uns irresponsáveis, outros responsáveis e com responsabilidades elevadas. Todavia, tomando a sociedade como livro ou escola, os sujeitos que nela vivem, aprendem e ensinam muitas vezes, sem querer, como também, aprendem ou ensinam sem escolher o que aprender ou ensinar. Há, como é lógico, nestas circunstâncias, perigos diversos. Pois, trata-se de uma aprendizagem diversificada a partir da realidade e da experiência quotidiana, onde os indivíduos convivem com todas as castas de pessoas. Deste livro ou escola ninguém escapa. Portanto, refletindo assim, podemos concluir que somos professores e alunos permanentes. Assim, o cidadão, por mais comum que seja acaba por ter responsabilidade na sociedade. Os sucessos ou insucessos são consequências das nossas atitudes como cidadãos. Nesta lógica, os professores não são apenas os que passaram pela escola de formação ou que estão em sala de aula, mas sim, todos os cidadãos conscientes ou inconscientes. Os alunos não são, apenas, os que frequentam uma instituição escolar. Assim sendo, podemos dizer que há dois tipos de professores e alunos: os professores que abraçam o professorado como profissão e os que no quotidiano directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente ensinam; os alunos que frequentam as aulas e aprendem nas escolas e os que aprendam com atitudes dos outros na sociedade. Assim sendo, todos os cidadãos são professores/alunos e responsáveis pela e na sociedade.
Longe de igualarmos essas figuras, podemos tomar como exemplos paradigmáticos Jesus Cristo e Sócrates: Jesus era grande professor, sobretudo um educador. Não preparava as aulas como também não tinha sala de aula específica. Ensinava em todos os lugares: praias de mar, foz dos rios, desertos, praças públicas etc. Seus alunos eram indivíduos simples, humildes, honestos …. Escolheu indivíduos que a priori Lhe exigiam enorme tarefa. Todavia, soube em pouco tempo transformá-los em grandes pescadores de homens e condutores da humanidade. Seu ensino é, na verdade, transformador, significativo e, sobretudo útil no passado, presente e futuro. Para materializar seus ensinamentos usou como material didáctico exemplos da sua própria vida.
Sócrates era, também, à semelhança de Jesus um excelente professor/educador. Não tinha sala de aula e tão pouco turmas específicas. Direccionava seus ensinamentos para esclarecer a juventude grega. Trata-se de ensinamento útil à sociedade. Jesus e Sócrates foram figuras pragmáticas, úteis, com ensinamentos significativos e que ajudam muito na construção de uma sociedade sadia, harmoniosa e igualitária. Todavia, ambos foram julgados e condenados à morte por causa da verdade. Entre enganar, mentir e defender a verdade, ambos preferiram a verdade e por ela morreram. É diveras uma convicção árdua! As sociedades modernas precisam, urgentemente recuperar e produzir homens desse calibre. As escolas precisam ter professores reflexivos, brilhantes e, sobretudo fascinantes (Augusto Cury, 2003) responsáveis e comprometidos com a profissão. As outras instituições devem instruir os funcionários a prestarem serviços, sobretudo serviços de excelência como acto de dever. Afinal ensinamos às crianças a serem amanhã maus cidadãos, maus profissionais e maus professores com o comportamento que temos hoje na sociedade, nas escolas e noutras instituições.
Devemos ter sempre em mente que quando vemos ou ouvimos indivíduos assumidamente responsáveis a mentir na televisão, na rádio ou a desvirtuar a verdade em função dos seus interesses ou interesses confusos, nada mais estarão a fazer do que ensinar uma criança a mentir ou a desvirtuar uma verdade amanhã, em função dos seus interesses; sempre que vemos/ouvimos indivíduos com responsabilidades acrescidas a fazerem promessas falsas estarão a ensinar as crianças a não cumprirem com as suas tarefas/ obrigações no futuro. Tomemos a consciência, sejamos responsáveis, freemos os nossos interesses a favor de uma sociedade justa, fraterna, harmoniosa e equilibrada para que amanhã não venhamos a criticar e condenar a sociedade que hoje construímos! Jesus e Sócrates são figuras importantes a seguir, mas para tal é preciso conhecê-Los através da Bíblia (Jesus) e livros de filosofia (Sócrates), pois, o mundo precisa cada vez mais de cidadãos desse calibre; precisa de cidadãos com visão clara e objectiva; precisa de homens reflexivos, transformadores, altruístas e práticos; precisa de ensino prático e fundamentado na vivência quotidiana… Como esperar uma sociedade sadia, justa, harmoniosa, equilibrada… se hodiernamente o homem vive em função do presente, do imediato e dos seus próprios interesses abdicando dos aspectos colectivos/comuns que constituem Pedras Basilares na construção da sociedade ideal almejada pelos homens que ainda defendem valores!?
É o que pensamos de momento como simples e humilde cidadão.
Cidade São Filipe, Fevereiro de 2009
Alberto Nunes
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