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A ARTE DE TUTELAR O VOTO

Posted by ZHBARBOSA on December 26, 2010 at 9:04 AM

      Eu vou logo avisando, que isso não tem a ver com partidarismo, para que não seja reiterada a minha condição de “protótipo de irracionalidade política”, declarada e ordenada, a ser registrado nas páginas do semanário Já pela senhora Ondina Ferreira. A minha intenção, não ser o defensor, da dignidade e da moral da gente de Fogo, que já estão acostumados a se protegerem, e muito bem, por sinal. A intenção, sim, é para refutar o tamanho absurdo proferido e mandado a ser registrado.


      A (im) preciosidade reducionista “Fogo é o protótipo de irracionalidade política” presume o seguinte: o eleitorado da ilha do Fogo é estúpido no momento das suas escolhas e não sabe nada da convivência política, contrariando assim toda a lógica da vivência democrática, supostamente assentada no eleitor racional.   Agarrando-se, sempre, em sentimentos desprezíveis e baixos, tais como ódio, raiva e medo para estabelecer as relações com os seus semelhantes. E, vai além, praticando e perpetuando sentimentos em atos rancorosos para com os seus pares.


      Essa afirmação imputada ao eleitorado do Fogo, não faz o mínimo de sentido, por basear-se em observações infundadas, surgidas de uma propagandeada idéia de certas facções políticas de que os eleitores de Cabo Verde devem ter, em conta, sempre, a racionalidade, na hora da escolha, dos seus representantes. Esta racionalidade tão desejada configura-se como: contraditória, relativa e que contradiz o seu verdadeiro sentido filosófico.

      Igualmente é sabido, que vários estudos, em áreas como psicologia e ciências políticas problematizam se é o racional ou emocional que move os eleitores num processo eleitoral. Estudos recentes nos EUA, feitos pelo psicólogo Drew Westen, dão conta que os eleitores, até os mais analíticos, pensam a política com as regiões do cérebro sensíveis às emoções, em lugar do raciocínio, puramente, lógico.


      Detenho no nosso contexto e em algumas premissas que acredito. Vejamos o porquê disso. Os políticos de Cabo Verde, com o aproximar das eleições, recomendam: é a hora do uso do lado racional; o eleitorado deve evitar a emoção na hora de decidir os candidatos que devem representá-lo. É normal, pois, aparentemente fortalece os ideais do sistema democrático. O problema disso tudo esta nas características dessa racionalidade exigida e os rótulos que vem com ele.


      Voltamos ao episódio do baixo QI político do eleitorado do Fogo, na hora da escolha dos seus representantes. Para a antiga governante, os eleitores do Fogo não usam a razão, na hora do voto, isso porque, sempre preferem o grupo político X, contrário ao dela, em vez da facção política Y. Subentende-se que a preferência por X é emocional, e a preferência por Y é racional. Ela quer votos racionais.


      Repare-se que ela, Ondina Ferreira apresenta como portadora e dono da verdade política. Ou melhor, a representação, por excelência, da racionalidade política. Será que ela não anda a demonstrar certo elitismo político (eu como letrada doutora etc) do voto racional? Ainda, é visível que a ex-governante defende as suas preferências ou convicções políticas, que são diferentes da maioria do eleitorado do Fogo. Isso transparece quando escolhe precisamente o Fogo para rotular, ignorando outras regiões do país, que desde 1990 (ano das primeiras eleições livres e democráticas), sempre, votaram a favor, do mesmo grupo político. Será que isso, também não é ser protótipo de irracionalidade política? Ou as coisas adquirem outros nomes só quando nos é cômodo?


      Caberia perguntar o que seria agir racionalmente em uma sociedade onde tanto a razão como a emoção são questionadas quanto as suas conceituações. Exigir o caráter estritamente racional para o ato de votação pode parecer ignorante e hipócrita, pois o real caráter da política é ambíguo. Sabemos que na política, tal como em muitas outras ações humanas, o pragmatismo mistura-se e confunde-se muitas vezes com paixões, facções e interesses.


      Culturalmente há uma predileção pela racionalidade sobre a emoção, que parte da concepção iluminista do homem, como ser racional, apenas. Num desejo de dizer que nós, os humanos, distinguimos dos demais animais. Todavia, sabemos que isso é um mito. A verdade é que, em nós, também existe o fundamento emocional. O que seria das nossas ações racionais sem este fundamento? Seríamos meros robôs! Portanto, as emoções não são restrições da razão, conforme Humberto Maturana, renomado biólogo chileno diz “o humano se constitui no entrelaçamento do emocional com o racional”.


      De tal modo, os eleitores do Fogo, como seres humanos que são não diferem dos demais. O eleitorado do Fogo esta no direito de usar este “entrelaçamento ”, tal como qualquer outro.

      A meu ver, antes de rotular qualquer eleitorado, a nossa elite política e (in) pensante devia contribuir mais na criação de um projeto social comum, baseado na aceitação e no respeito e, preocupar-se menos com: a aquisição do poder e com a hegemonia ideológica.


Por conseguinte, deixem os cabos verdianos decidirem as suas escolhas na hora do voto! E, por favor, parem com a mania obsessiva de querer tutelar o voto, em nome de preferências e conveniências pessoais.

     

      BY: JOHEALBA

Categories: Artigos, Manduco

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4 Comments

Reply Tutu
02:33 PM on December 28, 2010 
-----Mensagem original-----
De: MPD / Presidente - Carlos Veiga
Enviada: terça-feira, 21 de Dezembro de 2010 18:56
Para: daniellobo@hotmail.com; José Tomaz
Assunto: CC: Distribuição de material.


Caro Maica,
urge terminar a operação de entrega do material de campanha, antes do dia 10 de Janeiro, que será distribuido oportunamente às câmaras municipais amigas. A prioridade será para o Fogo e Santiago Sul, onde os fanfarrões Júlio Correia e Felisberto Vieira terão de ser humilhados.
Mande-me, através do Zé Tomaz, o quadro de financiamento da Itália. O nosso amigo tem garantias de investimento depois de fomarmos governo. O PAICV continua forte, mas tem dado sinais de fraqueza. O nosso adversário tenta ludibriar a opinião pública com campanhas cívicas que não galvanizm o badio do interior que prefere o "dam, dau".JMN não vai aguentar a pressão. Conto com o Maica para termos controlo sobre Eurico Monteiro, que fica entre o Zona e o Jacinto, e estes não são da minha confiança. As transferências deve ser via Ana Barber ou Teresa Aamado.
Cumprimentos fraternais.
Veiga
Wikileaks
Reply Kaka
12:28 PM on December 28, 2010 
Djinguilane, a afirmacao da Ondina nao tem suporte. Quando voce pretende justificar, tem de sair do tema para falar de outro assunto. Repara que apontas defeitos ao poder local, que se menospreza o foguense, entretanto nao interpretas a oposicao. Aqui e que esta a falha. A relaccao eh a tres: Poder, oposicao e eleitores. Falta o outro terco (1/3) da analise. Seria bom que explicasses como eh que num ambiente deste tipo, com o poder carregado de defeito, com eleitores estupidos, a oposicao nao consegue mostrar as suas virtudes e convencer os estupidos.
Reply Djinguilane
07:25 AM on December 28, 2010 
Aquilo que a Dra Ondina disse tem muito valor para as gerações vindouras, como é possivel numa ilha como o Fogo ter um Presidente de Câmara como o Eugénio não dialoga, gosta de estar entre os analfabetos não gosta de oposição interna e governa já lá vão 20 anos de poder só na Venezuela, Coreia do Norte ou Cuba e angola poderá acontecer esse fenómeno, me recordo quando um Jornalista perguntou ao Dr Júlio Correia o que achava de poder respondeu e disse que 1 mandato é pouco 2 basta agora 3 e 4 é contas do outro rosado, esse Júlio Correia dos Mosteiros que por sinal tem excelentes relações com homens de cultura e intelectuais do Fogo salva sempre o PAICV no Fogo, bem haja esse mosteirense para pôr os foguenses na linha.
Reply Kaka
03:12 PM on December 26, 2010 
Uau Henrique, sim senho! Pena e ki bu sta passa bu tenpu ibernado, y des modu bu ten limitadu bu konpartisipasaun ku nos.

Es artigu e xsilenti. Embora el ta asenta sobri un tema pulitiku y un momentu sensivel, bu konsigi libra di pezsu pulitiku/partidariu na produsaun di es nutritivu alimentu.

Bu konsigi traze un bon dozi di kunhesimentu ki, nos tudu, di serteza, du ta apresia bastanti. N-ta atxa ma na es mumentu, sertu afirmasaun ki ta fazedu sta ta ten efeitu negativu mas na imajen di se autor du ki na imajen di povu. Un monti di afirmasaun ki ta fazedu sinplismenti ta mostra ma ses autor e ka nada mas di ki un prototipo de irracionalidade politica, afinal, ses karrera e prova inekivuka di ses kapasidai pulitika. Purtantu, txeu afirmasaun debe ser konsideradu apartir di ken ki faze-l.

Obrigadu pa es artigu.