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Aluna do Ibilce estuda o crioulo e defende sua oficialização.
O crioulo cabo-verdiano surgiu de uma das maiores necessidades do homem: a de se comunicar. Trata-se de uma mistura do português de Portugal com línguas de diferentes etnias africanas, pois os escravos eram separados para evitar a comunicação entre eles. Contudo, ao dialeto não foi concedido ainda o status de língua oficial, uma vez que é o português que se ensina na escola.
Pensando no uso do crioulo como língua, Eunice Pires Monteiro, do terceiro ano do curso de Letras com Habilitação em Tradutor, realizou um estudo, em 2009, orientada pela professora Cristina Carneiro Rodrigues, do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários. Eunice é cabo-verdiana e falante nativa de crioulo. “Numa aula de sociolinguística, questionei a professora Cristina sobre os dialetos que não são considerados língua, mas que funcionam como tal, tornando-se identidade de um povo”, disse Eunice, justificando o início da investigação.
A pesquisa de Eunice consistiu em buscar informações sobre seu surgimento, sua formação, suas transformações e as situações em que é usado. Durante o trabalho, identificou características como apócope (queda ou supressão de fonemas), palatização (mudanças de uso de consoantes e vogais), metátese (transposição de fonemas dentro de um mesmo vocábulo), entre outras. Como, naquele ano, Eunice passou as férias em Cabo Verde, buscou registros na Ilha do Fogo, uma das dez ilhas de Cabo Verde, e na Casa da Memória, exposição permanente sobre o país insular, de onde trouxe livros e artigos em crioulo, além de jornais e poemas.
Embora defenda a oficialização, Eunice entende que existem questões políticas interferindo nesse processo. “Há a variante de Barlavento e a de Sotavento. Cada um quer que a sua seja oficializada”, explicou. Ainda assim, acredita que as diferenças entre as variantes não podem ser vistas como um entrave. “Conheço oito das dez ilhas de Cabo Verde. Com exceção da ilha de Santo Antão, onde o sotaque é mais ‘pesado’, em todas as outras a comunicação foi bastante fácil”, explicou. “Acredito que, com a oficialização, existirá uma situação de bilingüismo, e não de morte de uma das variantes do crioulo”, concluiu.
Bruna Venâncio
Segue link: http://www.ibilce.unesp.br/
http://www.ibilce.unesp.br/destaques/2010/251010.php
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