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Crioulo: l?ngua ou dialeto?

Posted by Eunice on October 26, 2010 at 1:48 PM

 

Aluna do Ibilce estuda o crioulo e defende sua oficialização.

O crioulo cabo-verdiano surgiu de uma das maiores necessidades do homem: a de se comunicar. Trata-se de uma mistura do português de Portugal com línguas de diferentes etnias africanas, pois os escravos eram separados para evitar a comunicação entre eles. Contudo, ao dialeto não foi concedido ainda o status de língua oficial, uma vez que é o português que se ensina na escola.

 

Pensando no uso do crioulo como língua, Eunice Pires Monteiro, do terceiro ano do curso de Letras com Habilitação em Tradutor, realizou um estudo, em 2009, orientada pela professora Cristina Carneiro Rodrigues, do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários. Eunice é cabo-verdiana e falante nativa de crioulo. “Numa aula de sociolinguística, questionei a professora Cristina sobre os dialetos que não são considerados língua, mas que funcionam como tal, tornando-se identidade de um povo”, disse Eunice, justificando o início da investigação.

 

A pesquisa de Eunice consistiu em buscar informações sobre seu surgimento, sua formação, suas transformações e as situações em que é usado. Durante o trabalho, identificou características como apócope (queda ou supressão de fonemas), palatização (mudanças de uso de consoantes e vogais), metátese (transposição de fonemas dentro de um mesmo vocábulo), entre outras. Como, naquele ano, Eunice passou as férias em Cabo Verde, buscou registros na Ilha do Fogo, uma das dez ilhas de Cabo Verde, e na Casa da Memória, exposição permanente sobre o país insular, de onde trouxe livros e artigos em crioulo, além de jornais e poemas.

 

Embora defenda a oficialização, Eunice entende que existem questões políticas interferindo nesse processo. “Há a variante de Barlavento e a de Sotavento. Cada um quer que a sua seja oficializada”, explicou. Ainda assim, acredita que as diferenças entre as variantes não podem ser vistas como um entrave. “Conheço oito das dez ilhas de Cabo Verde. Com exceção da ilha de Santo Antão, onde o sotaque é mais ‘pesado’, em todas as outras a comunicação foi bastante fácil”, explicou. “Acredito que, com a oficialização, existirá uma situação de bilingüismo, e não de morte de uma das variantes do crioulo”, concluiu.

 

 

Bruna Venâncio

 

Segue link: http://www.ibilce.unesp.br/

http://www.ibilce.unesp.br/destaques/2010/251010.php

 

 

Categories: Noticias, Manduco

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8 Comments

Reply tamirys
06:44 AM on February 23, 2011 
ótima sua defesa na oficialização das variantesdos crioulos.
Reply danielle
01:47 PM on February 17, 2011 
Li no livro de Calvet - sociolinguistica, uma introdução critica - que o crioulo em Cabo Verde já adquiriu status de língua oficial. Este livro é de 2002, agora sinceramente depois do que li no seu artigo não sei mais o que pensar... me tira essa duvida é: o crioulo de Cabo Verde já oficializou ou não.
Reply Eunice
02:02 PM on October 31, 2010 
I nha posisao tb parsem ma eh ka diferente, oh no??
Si portugues morre fran undé k du ta ba?? Nha ponto de vista eh valoriza td dos axo k sta bem kalruh kusa k nfra:

?Acredito que, com a oficialização, existirá uma situação de bilingüismo, e não de morte de uma das línguas e variantes do crioulo?, concluiu.
Reply Zelito
12:46 PM on October 31, 2010 
SE CUMENTARIO E NHA CUMENTARIO.
"A língua portuguesa é também património
30 Outubro 2010
Nos últimos tempos, devido ao abandono e destruição de vários monumentos históricos do país, tem-se falado muito da preservação do património cultural - e é bom que continuemos a debater cada vez mais o assunto. Aliás, neste mundo moderno, onde a maior parte do "desenvolvimento" não é sustentado, há ainda muito que debater e, sobretudo, fazer, no que se refere à preservação. Milhares de espécies animais e vegetais estão em vias de extinção, e, com o fenómeno da globalização, muitas culturas estão igualmente em perigo, a ponto de se falar de ?arrefecimento cultural?. Se os monumentos históricos têm sido alvo da preocupação de muitos cabo-verdianos, tanto nas ilhas como na diáspora, já o património imaterial tem suscitado, pelo menos nos últimos tempos, menos atenção. A língua é uma das maiores expressões de diversidade, existindo mais de 6500 línguas vivas no mundo, embora se estime que, até ao fim do século, 90% irão desaparecer. O crioulo, que outrora foi inferiorizado e reprimido pelos colonos portugueses, representa a nossa história, a nossa identidade, sintetiza as nossas experiências únicas e insubstituíveis, merecendo, portanto, ser elevado a língua oficial. Contudo, reconhecer o crioulo como língua oficial não significa renegar o português, que é também nosso património cultural e património comum a mais de 240 milhões de falantes, tendo, há muito, deixado de ser uma língua rival do crioulo, imposta com o intuito de ameaçar, de dissolver a nossa identidade.

O crioulo é uma das marcas mais importantes da nossa identidade. Mas identidade não é apenas aquilo que se tem de único, ela engloba também aquilo que se tem de semelhante aos outros. É, pois, importante que o português não seja secundarizado, mesmo que o crioulo venha a ser língua oficial. Como afirma Lévi-Strauss, a diversidade, longe de provocar o isolamento entre os homens, encoraja antes as relações que os mantêm unidos. Se permitirmos que, entre nós, inclusive entre os nossos estudantes universitários, o português se deteriore, ao mesmo tempo que o crioulo escrito não reúne consensos nem ganha bases sólidas, corremos o risco de ficar numa situação de semilinguismo - palavra usada para significar a insuficiência de competências em duas ou várias línguas.

Assim, deve-se reforçar o ensino da língua portuguesa nas nossas escolas e universidades (o que já acontece na Uni-CV), não só porque tal seria benéfico para o aprofundamento do estudo do crioulo (convém lembrar que mais de 90% dos vocábulos crioulos são portugueses), mas, sobretudo, porque é através da língua que o ser humano produz a maior parte do conhecimento, aprende a interpretar os dados, a estruturar o pensamento, e, no nosso caso, esse conhecimento tem (e durante um período que poderá ser longo, terá) por fonte principal o português. E se é verdade que, como muitos estudos demonstram, o bilinguismo, além de favorecer as capacidades linguísticas dos indivíduos, estimula o seu desenvolvimento cognitivo e social, uma forte aposta no crioulo e no português só nos trará vantagens!

Cláudia Cristiana da Cruz Gonçalves

Docente na Universidade Lusófona de Cabo Verde Mestre em Psicologia intercultural pela Universidade de Moncton (Canada)".
Reply Eunice
08:45 AM on October 27, 2010 
Putz, espero k este post vai agora...rs

Pelo k vc tinha escrito entendi desse jeito, menos mal...
Pois ai eh k tah, não é de dia para noite que se consegue isso mas tbm nao é de braços cruzados k se resolverá...eh só uma questão de acordar o povo e faze-los valorizar o k eh nosso!!!

PS: Eu tbm amo a minha terra e a minha gente, tanto eh k dedico maior parte do meu tempo pesquisando para o enriquecimento do meu país e fazer chegar isso pra mtos ;)
Reply Djinguilane
08:07 AM on October 27, 2010 
Olá Eunice fico contente em saber que mais uma cabo-verdiana interessa pela oficialização da nossa língua eu não sou contra que Eunice, Maria, Joana, Paulo, Pedro, Mané Djôsé estudem o crioulo e queiram a sua oficialização, mas o meu ponto de vista tem a ver com a sustentação da sua oficialização, senão vejamos segundos dados do Ministérioda Educação e do Governo em termos orçamentais a oficialização do crioulo ultrapassaria os 50milhões de dólares, daí o país não tem esse dinheiro tem de ir buscar lá fora, teria até de construir universidades em quase todas as ilhas para a investigação de cada variante, como sabes, não é de dia para noite que se consegue isto. TODOS NÓS AMAMOS ESSES DEZ GRÃONZINHOS DE TERRA.
Reply Eunice
06:57 AM on October 27, 2010 
Respeito a tua opinião, no entanto não concordo com ela. Pode até não existir interesse de alguns cabo-verdianos inclusive vc, mas eu me interesso e muito pelo assunto, acho que tah bem claro neh??
A minha pesquisa é sobre a língua crioula e não sobre os problemas que afligem o nosso país e que precisam ser resolvidos com certa urgência! Eu defendo a sua oficilização mas não para ontem, tenho consciencia do que é oficializar a língua e mais do que ninguém sei a situação em que ela se encontra.Se vc não acredita que poderá ser oficializada ou não e que nem mesmo outras gerações poderão aprender e valorizar o que é realmente nosso, é triste. É lamentável saber que tem pessoas que pensam assim...
Reply Djinguilane
06:40 AM on October 27, 2010 
Criolo jamais será lingua oficial, não existe interesse por parte dos cabo-verdianos a essa matéria, se fôr para um referendum também não passa, é um grupinho muito restrito de defensores na Praia e América que, teimosamente anda a bater nesta tecla, existem outras prioridades em Cabo Verde que afligem o país como: a falta de água, energia e segurança na capital do país(Praia) que precisa de uma solução urgente agora avançar com a oficialização nem o meu bisneto irá vê-la. Bons estudos.