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Após um período de euforia e de muita expectativa geradas com a elevação de Santa Catarina do Fogo a Concelho, o desânimo e a frustração apoderaram-se dos Santa-Catarinenses. As grandes potencialidades existentes, que não têm sido aproveitadas nem pelo Governo e nem pela Câmara Municipal, e o Programa de Instalação do Município, que foi apenas um bluff para enganar as populações e obter votos, tiveram como consequência o aparecimento do concelho mais pobre de Cabo Verde.
E não tem havido nem estratégia e nem medidas para inverter a situação.
O desemprego continua elevadíssimo. Há localidades onde, durante o corrente ano, apenas um número insignificante de chefes de famílias conseguiram trabalhar e somente durante 45 dias. Como resultado, há casas onde durante o dia inteiro nem uma só vez a panela vai ao lume.
A educação está abandonada. Tínhamos denunciado a situação das escolas em Cova Figueira. Hoje mostramos as fotografias da escola de Estancia Roque. Tem apenas duas salas e uma não funciona desde o ano lectivo passado, estando sem portas e sem janelas. Mais de 60 alunos de 2ª, 3ª, 4ª e 6ª classes têm de se deslocar, a pés, para frequentar as aulas na localidade de Mãe Joana. O pré-escolar está nas mesmas condições. O Primeiro Ministro deu o titulo de “cidade” a Cova Figueira mas ali não construiu sequer um jardim infantil, razão porque as crianças, de 3, 4 e 5 anos, da cidade de Cova Figueira se deslocam, a pés, para frequentar o jardim na localidade de Maria da Cruz. O curioso é que a Câmara tem viaturas para vigiar as actividades politicas de outros partidos, para transportar vereadores e Secretário para outros concelhos, duas vezes ao dia, e para várias outras futilidades mas não tem sequer um transporte para essas criancinhas.
Os subsídios para as propinas e as bolsas para a formação profissional e ensino superior são concedidos aos amigos e aos rostos mais bonitos. Não há um regulamento, não há um júri e nem existem critérios predefinidos para a sua atribuição. Para o presente ano lectivo, alguns estudantes mal-amados já foram avisados de que qualquer apoio, a existir, só será possível a partir de Janeiro porque não há verba disponível. Paradoxo: a Câmara gastou algumas centenas de contos para mandar pintar de amarelo o Centro de Saúde que estava pintado, todo de novo, de verde mas não tem uma centena de contos para apoiar os estudantes mais pobres para fazerem a matricula.
A habitação é outro sinal da evidente pobreza duma grande parte dos Santa-Catarinenses. Uma visita pelas várias localidades do Concelho mostra o estado do parque habitacional. Não havendo uma política habitacional, as poucas medidas se resumem à distribuição de cimento, vergas e areia para os períodos eleitorais. E a regra não é ajudar a quem mais precisa mas sim a quem dá votos. Aqueles que teimam em votar MpD, por mais carentes que sejam, não têm direito a apoios. O e xemplo mais elucidativo é da Sra Morgadinha. Com seis filhos e sem possibilidade de arrendar uma casa, construiu uma barraca onde moram desde Maio. Conforme diz, já correu a pedir apoio na Câmara até estar envergonhada de lá ir. Passou todas as chuvas na barraca e ali perdeu o pouco que tinha. Não teve direito a qualquer apoio porque ainda não se vergou ao Paicv. (V.fotos). No Concelho mais pobre de Cabo Verde o Paicv vai deixar mais uma marca: o nascimento de barracas.
As casas de banho construídas e que tanto têm servido de publicidade, são outra vergonha. Uma grande parte não tem sequer uma porta. A Câmara tem um bom número de portas construídas durante um curso de carpintaria mas essas portas estão guardadas para serem distribuídas por altura das campanhas.
Conhecedores das dificuldades das famílias, um tal Marcelino, esse mesmo que foi julgado e condenado em primeira instancia por fraude nas eleições presidenciais e que aguarda uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que nunca sai, tem andado pelas localidades, diz ele que a mando da Câmara Municipal de Santa Catarina, tomando o nome, uma certa quantia em dinheiro e os BI das pessoas mais necessitadas, afirmando que serão beneficiadas no programa Casa para Todos.
O Paicv quer fazer do Programa Casa para Todos uma vaca leiteira neste período pré-eleitoral. Exige-se que se clarifique o que o tal Marcelino, um alfabetizador envolvido em muitos projectos ligados à Câmara, tem a ver com esse milagroso Programa que, através de publicidade enganosa, vai dar uma casa para todos os pobres de Cabo Verde.
Passados cinco anos sobre a criação do Município de Santa Catarina, a população está à espera dos principais projectos que deveriam ser implementados em três anos. Enquanto isso, não existe um Paços do Concelho e o município tem de pagar uma renda camarada de 200.000$00, os jovens não têm um campo de futebol ou um polidesportivo, os funcionários têm dificuldades em arranjar uma residência, as crianças não têm um jardim infantil, não existem USB, as zonas foram electrificadas mas as famílias não podem fazer a ligação domiciliária, o mercado municipal não existe, etc.
O Governo de José Maria Neves não se lembrou da implementação de nenhum desses projectos que constavam do Programa de Instalação. Mas, demagogicamente, o Primeiro Ministro lembrou-se de dar o titulo de cidade a Cova Figueira, julgando que com isso poderá enganar a toda a gente.
Cova Figueira, 19 de Outubro de 2010.
Jorge Nogueira
Coordenador da CPR do Fogo
PS - Vejam fotos no álbum de fotos “Casas e escolas de Estancia Roque
Categories: Artigos, Jorge Nogueira
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