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MOVIMENTO PARA A DEMOCRACIA
CONFERENCIA DE IMPRENSA
Ao iniciar esta Conferencia de Imprensa quero denunciar a forma vergonhosa e despudorada como a RTC, através da pessoa do seu Delegado nesta Região, tem procurado fugir à cobertura desta CIonferencia de Imprensa que é a reacção do MpD à visita/campanha do Primeiro Ministro à Ilha do Fogo.
Desde segunda-feira até hoje o Delegado da RTC ainda não encontrou cinco minutos para que a RCV e a TCV possam cobrir uma Conferencia de Imprensa a ser dada pelo MpD, alegando que estaao num trabalho muito solicitado pela Praia e que não poderá ser adiado.
O Primeiro Ministro José Maria Neves e o seu Governo têm, seguramente, razões de sobra em querer evitar qualquer pronunciamento e divulgação sobre a visita e, sobretudo, sobre o gozo e a “tchacota” que foram os discursos de campanha em que a abertura do ano escolar foi transformada.
Inaceitável e triste é ver-se que ainda há profissionais que, esquecendo-se do dever e da deontologia profissional, se prestam a serviços do tipo.
É a liberdade de imprensa na democracia da governação do Primeiro Ministro José Maria Neves.
ABERTURA DO ANO LECTIVO NO FOGO
O Primeiro Ministro José Maria Neves veio ao Fogo para, supostamente, presidir a abertura do ano lectivo mas o que se viu foi o Presidente do Paicv a fazer um comício digno duma campanha eleitoral. Viu-se um Primeiro Ministro que deixou cair a máscara: assustado, que só pensa e vê a sombra da oposição, desorientado e sem argumentos para articular o discurso.
Começou a intervenção com um cerrado ataque a toda a oposição e a todos os “contras”. Todos aqueles que têm questionado a situação da educação, nomeadamente os investimentos, a qualidade, as reivindicações da classe docente, as bolsas de estudo, etc, todos estão equivocados ou não querem ver o José no seu país das maravilhas. Pior do que isso, são contra os ganhos de Cabo Verde e contra os professores. É preciso muita lata. O Paicv não pode ter já esquecido que até 1990 pagava um mísero salário aos professores e que estes iam para as férias sem direito a um tostão de vencimento sequer.
Mostrando o quanto o seu governo gasta com a educação, apontou 23% do orçamento do corrente ano, mas o Primeiro Ministro José Maria Neves pareceu ainda não perceber que o que está em causa não é o “quanto se gasta” mas sim o “como se gasta”. Todos sabemos que o governo de JMN gasta milhões e mais milhões tomados por empréstimo mas também sabemos que esses milhões não têm servido para criar emprego, nem para fazer crescer o país e nem para melhorar a vida dos caboverdianos. Repetimos: a questão não é quantos milhões o 1ºM gasta mas sim como (e para quem) os gasta.
Conhecedor da enorme insatisfação na classe docente, o Primeiro Ministro foi obrigado a se desdizer, afirmando que não pôde ainda responder aos grandes desafios da educação e às grandes reivindicações da classe porque os recursos não permitem mas que assumia a promessa de resolver todos os problemas até ao fim do mandato, promessa que originou risos na plateia. Dizem que um professor comentou: o homem se tornou mágico. Não resolveu os problemas em nove anos e oito meses mas vai resolvê-los nos quatro meses que lhe falta governar.
Desorientado, tal era o burburinho que se instalou na plateia, o Primeiro Ministro tropeçou nas palavras e lançou mais outra piada ao afirmar: “ainda neste mês de Setembro, vamos assinar um contrato”, não tendo podido continuar porque alguém perguntou: mas não estamos em Outubro?
A solução encontrada foi prometer o 13º salário aos professores. Estes acham que, antes de avançar com novas promessas, o Primeiro Ministro deve pagar o calote com as promoções, reclassificações e progressões e os subsídios de isolamento e da carga horária.
Como era comício de campanha, o Primeiro Ministro e o Ministro da Educação continuaram com as desgastadas promessas que fazem há 9 anos e 8 meses: os liceus de Ponta Verde, Cova Figueira e Mosteiros, as bolsas de estudo, o cais, o aeroporto internacional do Fogo “para o seu devido tempo”, o Anel Rodoviário (o 1ºM foi obrigado a reconhecer, pela primeira vez, que não será anel), o Centro de Certificação de Produtos, a agua mais barata para rega, mais emprego, etc.
O 1ºM sempre se esqueceu de um pequeno pormenor: Tem só mais quatro meses de mandato e precisaria explicar como irá fazer, em quatro meses, o que não fez em nove anos e oito meses.
A verdade é que o Fogo foi prioridade para o Paicv só para votos. Os projectos do Fogo estiveram, com os governos do Paicv, sempre em planos secundários e quando foi necessário cortar, por insuficiência de verbas, os cortes incidiram sempre sobre eles. Foi assim com os liceus de Ponta Verde, Cova Figueira e Mosteiros que constavam dum pacote financiado pela OPEP. A verba mostrou-se insuficiente e era necessário cortes. E do Fogo saíram logo todos os três liceus. O mesmo aconteceu com o Centro de Certificação e Embalagem de Produtos, que constava do pacote do MCA. A verba foi insuficiente e da lista saiu o Centro do Fogo, como sempre acontece com os projectos do Fogo, apesar de ser de capital importância para os produtores Foguenses.
O Governo de JMN precisa entender que a sua publicidade enganosa expirou o prazo e já não engana a ninguém. Os Membros do Governo quando falam, devem fazê-lo com responsabilidade e evitar serem motivos de gozo. Um Ministro não pode estar a garantir, num acto público, que o ensino já não tem salas com mais de 30 até 35 alunos e ouvir-se professores na porta a dizer:”es ê mentira que Ministro sta conta. Nos nu tem sala que tem 50 e até 53 alunos”. Um Ministro não pode estar a garantir que todas as crianças mais pobres de Cabo Verde têm kits distribuídos e vai-se a Estancia Roque, a localidade mais pobre do Concelho mais pobre de Cabo Verde, e os professores e os pais confirmam que os alunos não receberam sequer um kit na zona. O Ministro não pode estar a garantir que todas as crianças estudam nas próprias localidades mas encontramos cerca de 70 crianças de Estancia Roque, outras com 7 anos de idade, a se deslocarem à localidade de Mãe Joana para assistir as aulas, porque, das duas salas existentes, uma está danificada há dois anos e o Governo, marimbando, não se preocupa em repará-la.
O Governo fala tanto da massificaçao das novas tecnologias de informação e comunicação mas vai-se aos liceus e só têm acesso aos computadores os alunos do 3º ciclo. Faz tanto discurso da educação física obrigatória para todos os níveis mas não cria os espaços adequados, o que faz com que o 12º não tenha aulas dessa disciplina. Pior é ver os alunos a irem para outras aulas encharcados de suor e sujos, porque não há sequer um balneário. O Governo viu as condições dos Pólos de Ponta Verde e de Curral Grande?
São com essas condições que o Governo quer melhorar a qualidade do ensino? Ou será com a colocação de 3 ou 4 manuais colocados numa biblioteca para servir mais de 2.000 alunos?
Habituado a discriminar todos aqueles que não lêem pela cartilha do seu partido, o 1ºM JMN, num acto que deveria ser nobre, entendeu mostrar, uma vez mais, que não sabe viver na democracia. Na condecoração a destacados professores dos vários níveis do ensino deixou de fora o Professor Fausto Amarilio do Rosário, o professor dos professores, a figura principal pela instalação do ensino secundário na Ilha do Fogo. Essa vergonhosa discriminação, por razões políticas, caiu muito mal no seio da classe e foi veemente condenada por toda a sociedade Foguense.
Com um Governo deste, a Ilha do Fogo conseguirá algum dia atingir o estádio de desenvolvimento que, pelas suas grandes potencialidades, está ao seu alcance?
S.Filipe, 11 de Outubro de 2010
Jorge Nogueira
Coordenador da CPR do Fogo
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