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O epilogo de um episodio aparece, geralmente, como a sua introducao. Apesar disso, e ridigido quando quem escreve, esteja a altura de fazer o balanco geral, do que ele narrou, na totalidade. Esta justifica e complimenta a inversao que tive em deixar para o fim a redaccao da sua geografia, porquanto, a da sua tradicao cultural e historica, foram cuidadosamente, complimentadas nas publicacoes das "Carredinha, a minha aldeia", que a esta anticideram, cuja historia, por cumulo, chegou ao fim! Nao e que eu tenha lembrado e dito tudo. Nao! Me resta um pouco que nao da para uma historia completa e interessante mas que por sorte, esta em fragmentos nos quatro anticidentes artigos. Alias, esta foi a primeira Carredinha!
(A Carredinha, a minha aldeia - onde eu nasci e no qual, ha mais de meio seculo, foi sepultado o meu umbigo!?)
O fim da historia. Deixem-me repetir! Isto e, nao falta nada e ninguem, que por alguma razao mereceu e cuja historia, por lapso, deixei de trazer a luz. A nao ser a minha pessoa, ou de, entao, a pessoa mais remota que ali viveu e que por alguma razao, penso que viu e contribuiu desde a primeira pedra, edificar, com o seu esforco e familia, a aldeia de Carredinha, de cujo o nome e do meu avo "Prentxentxe", orgulhosa e amorozamente, dedico esta pagina introdutoria. De mim...esquecem por agora! Ela e o meu avo (cuja vida e nome estaos escritos com letra de ouro na historia dessa aldeia), ha muitos anos deixaram de existir.
Literalmente, diria! Sem contar, no fundo remoto da minha alma, ao patamar do meu coracao e incontestavelmente, no auge das minhas recordacoes! E ai, a introducao! Se lha dediquei a minha estimada aldeia e ao meu querido avo, nao queria deixar de faze-la, tambem, a mininada que ainda me condescipla na (boa e disciplinada) direccao que ele (meu avo) me legou, na sua despedida para iternidade, que nesta pagina e vida, estou sendo o principal transmissor. Basta conhecer-me de perto e tentar saber como manejo as circunstancias que a vida, me poem em jogo: me vejo e me sinto rico, amoroso, amistoso, cuidadoso... (in)condicional, porque de outro lado e do resto, ele me ensinou a contradizer, negar e ou me independer!
A introducao!
Carreirinha e um minusculo sitio na zona de Amada, Ilha do Fogo, Cabo verde. Sitio esse em tempo de "Cabo Verde" (ainda hoje recordo com clarividencia), verdejante, encoberto de arvores e arbustos, nomeadamente, pulgueiras, tamarindeiras, figueiras, freiras, espinhos preto, branco e de "kaxupa", chalutereiro, zimbraozeiro, barnedeira, bombardeiro, lantisqueiro, panasqueiro, mamoneiro?sem incluir (quase) todas as plantas endemicas e indigenas, aludindo a (re)gestiba que cobria todas as concovas e convexos das rochas, ribeiras e regatos e que serviam para rervar e esconder o ninho e os ovos da galinha da "Guine", cuja zona possuia em dimazia, que todos os residentes locais rastejavam interessados em conseguir... A verdura era constante e permanente. No tempo de "as-aguas" que era (e continua) uma vez por ano, desde o Milheiral, cordeiras de feijao, de fava e de "bonjin",- o ultimo - que os meus amigos e eu quando seco e roxo chamavamos de "zunzun", ao munduro, seta, nhara, pega-saia, lolo (a vassoura de entao), ate ao mola-finca (que atrapalhavam os pes descalsos), a palha branca, com que cobriam as casas, o "djedje", o "djinguilanu", a "djunsa", como plantas nocivas a simenteira, que teriam que ser "mondados" para nao prejudicarem a "as-aguas", as que serviam para cha e lenha, nunca deixaram de esverdear durante esse periodo, a nao ser em escasses da chuva. Carredinha era um pomar, um jardim... no tempo de "as-aguas", onde muitas outras plantas desmeressem a nossa alusao e inumeracao.
Criavam-se ali, vacas, cobras, galinhas, porcos, numa fartura imaculada. Falo de 5 a 15 anos depois da fome de 47. No terral se ouvia o cantar de galos, de cardonizes e dos "matxaron", de galinhas de mato e de outros demais passaros, como pardais, "Pasadinha", "txintxiroti"... que chilreavam, ate ao nascer do sol na Cova da Tina. E o que lembro dos meus 4 a 8 anos de idade. Sonho? Ou e somente lembranca?!
A Carredinha tinha mais ou menos 5 casas. Digamos habitadas! E alguns pardueiros, retangulares e redondos, meios desfeitos pelo desenrolar do tempo. Abona-me de facto, uma certa nostalgia e sonhos que so eu posso (?) e intereço-me contar. Hoje, ela esta um cemeterio! Tao desfeita, sem cruz, tampouco mauzoleu e sem qualquer sinal da sua existencia como aldeia (dos meus ente-passados ), porque se derrubaram as moradias e fizeram com que as pedras que as construiam, fossem utilizadas em (tarimba) diques, barrancos e sucalcos, para o atalho do solo, para combater a desertificacao. Ha (ainda) ali somente o vestigio de um predio grande, em pardueiro, cujo o cal que pega uma pedra a outra, fora o impedimento que o permitisse a nao se disaparecer completamente.
As familias e as pessoas idosas que la viviam, com excepcao da Dona, minha mae, que hoje goza os seus 92 aniversario e da Pequena, minha madrinha, defrutando os seus 88 anos de idade, deixaram-se todas de existir. Morreram! O resto, que a ventureiramente, nasceram ali, sao gentes mais novas, como a "Dodja", minha Irma, os meus irmaos, Augusto e Tony e uns dos meus primos Nene - filho unico da Pequena - a Quinha e a Fatinha da defunta tia Norata - gemea do meu Pai. Nessa aldeia, que ainda recordo nostalgicamente, onde nasceram e viveram todos os elementos da minha familia, vai haver, virtualmente, um lugar onde me vou enterrar! E o meu "derradeiro"... cemeterio.
As casas da Carredinha eram uns 50 a 200 metros da distancia. Perto da casa da Norata vivia o meu dono "Prentxentxi", que nasceu no seculo XIX (1886), altura em que D.Luiz I reinava Portugal e Ulysses S. Grant, era Presidente dos Estados Unidos da America. Veio a luz, depois de 16 anos da invencao do primeiro telephone e a um ano do primeiro carro do mundo, sendo este pelo Alemao Kar Benz, em 1885. Na sua juventude teve para alem de um sem numero de namoradas, a Miquilina da Silva como mulher Candida e "Tchubinha", como rapariga, a ultima com a qual, teve "Nhonho" e Maninha e criava "Mane Katxo", como "fidjastro". Nhonho e Maninha morreram em Angola, para onde foram como colonos. Apareceram depois da morte da sua mulher, Miquilina, que nessa epoca tinha-se entregue a sua alma a Deus. Ela era filha de um tal Portugues oriundo do Minho ou quica, de Tras-dos-Montes. Era major e chamavam-lhe entao, major da Silva.
"Kandia" e seu filho "Mane Katxo" tambem "Nene" e "Totoni" seu marido, Augusta com as suas filhas Maria, Luta, Titi e Ilse viviam perto. Nene era amigo da familia e Augusta prima do meu pai, que se tratavam como irmaos.
O meu avo tinha outros filhos, que todavia, sao meus tios, ao qual desconheco os seus nomes. Morreram antes de eu nascer e nao me correu a gana de saber de gente morta, pois ninguem quer saber de coisas que por esse motivo ja nao lhe faz falta.
Brincavam a festa de "Nho Sandjom", desde o "kanizadi" ao grande almoco de "xerem" com carne de "bode" e mandioca, para o dia da celebracao.Tambem, passavam ali o reinado, por a minha familia ter acreditado serem catolicos. Contudo, nunca frequentaram uma missa sequer e foram a Igreja, somente, quando levavam os meninos para serem baptizados. Mas falou-me do aparecimento de Nossa Senhora de Fatima em Portugal, no ano de 1917, dos tres pastores e dos tres segredos, na carta da Lucia, enviado ao Papa. Falou-me tambem da Biblia e do seu ultimo livro, o apocalipse e do fim do mundo, que nao passaria o ano 2000. Sem esquecer de mencionar-me os Papas Bento XVI e Pio II. Da I e II Guerra mundial, do Hitler e do comunismo, como a praga da humanidade, sem esquecer a ida a lua falado pelo Portugues Julio Verne... Contudo e com muita pena, nunca tive a ousadia de lhe perguntar onde viu e apreendeu tudo isso.
Todo esse mundo, com a excepcao da minha mae, da minha madrinha e da minha prima Augusta - que por sua idade chamo tia - e filhas, deixou somente a sua (para mim - a maravilhosa) recordação e saudades.
Migrando de Ponta Verde para Almada, "Prentxêntxi", o meu "gigante" avô e o meu único antipassado directo e conhecido, morreu no ano de 1972, apos ter cumprido gloriosamente, 86 anos natalicio. Chamavam-lhe "Prentxentxi", enquanto o seu nome proprio era Fabião Mendes Cardoso. As crianças, da area e/ou seja, os seus filhos e netos, pela sua dedicacao familiar e apegada amizade filial, lhe chamavam Papa "Prentxentxi".
Filosofo natural, trabalhador fora de série, serio, partioso, justo e finominalmente, sabio, vivendo a orla do que os seus condisciplos achavam sagrados, foi sobretudo um conquistador e um ditentor de um sem numero de mulheres. Viveu sem deixar-me saber, o seu estado civil com a Miquilina da Silva, minha avo, que por ter falecida, nao a conheço. O pai dela, o avo do meu pai, duvido se ele teve a honra de conhecer. Ao lado dela tinha como rapariga a minha madrinha de "acarregar" a difunta Candida e ao mesmo tempo, a "Txubinha" - que vi uma vez, a somar na orela da ribeira que da ao cutelo da nossa casa, com a sua feixe de lenha de flera sobre a cabeca, pouco tempo depois da sua repentina morte. Para além destas, falavam dele com muitas outras damas, que por razoes de tempo, de varias, nao me lembro de nomes e tampouco vale a pena relata-las aqui. So deixo-me recordar, o que importa, "a sua fama".
Praticavam a agricultura e criavam animais, como meio de sobrevivencia. Semiavam o Cerco de Baixo, onde moravamos, de Meio e de Cima.Com o habito de "djunta mon", todo o mundo familiar se juntava para trabalhar a "as-aguas".
No tempo dito seco, uriunda da estiagem que veio aos poucos assolar Cabo Verde, trabalhava na Estrada, pois com a morte de uma sobrinha e seu marido nos Estados Unidos, deixou de receber a quantia que pontualmente lhe mandavam. Conheci ha bem pouco tempo a filha deles, que hoje vive os seus 99 anos de idade e tambem, os seus netos e bisnetos. Por esse e outros motivos a direccao da sua vida e dos demais da Carredinha, mudou completamente.
O meu avo, sei la, se sabia ler e escrever. So sei, que as suas filhas, nenhuma fora para escola, que nesse tempo, era so descartilhar e sobretudo, para nao escreverem namorados.
Trabalhou em Salto, monte Vermelho, viajando em camiao do Estado que o apanhava em Brandao. Ainda me recordo duma queba que ele apanhou perto do Tanque de Cutelo, pois nessa altura a Estrada nao tinha paradeiro e com a sua idade ja nao podia ver o caminho com a pefeita precisao, no arriscar do terral.
Desde a sua vinda do Norte viveu em dois lugares diferentes: Almada e Tongom.
E, no dia em que ele ia morrer, assentou-se na cama e pediu-me que assentasse no seu regaco. Fiz o que me pediu e disse-me quase que em segredo:"Vive a tua vida, meu neto"... "Procura vive-la sem a ajuda dos outros"... Sem tomar o folego: - "So assim seras um Homem, defacto, verdadeiro"... Tomou o folego ao fundo e acrescentou: "Se o meu pe esquerdo funcionasse como o meu pe direito, eu ia agora mesmo para a "casa de agua"... Disse-me mais coisas que ja nao recordo, pois fiquei sem saber o que ele me queria dizer com tudo isso. Especialmente, ir para a "casa de agua"! Morreu nesse dia! Deixou-me essa "casa de agua", no meu pensamento que so ha pouco tempo, tive a oportunidade de concluir e interpretar o significado da sua conversa. Queria dizer-me que posso fazer tudo, sem me deixar envelhecer, porque ele nessa data da sua morte tinha no seu juizo o meio das pernas das pequenas de "casa de agua" e queria gastar uns centavos que apesar da crise, vem aos poucos amealhando.
Descansa em paz Papa "Prentxentxi", na compahia do meu pai e de todos os filhos, Nhonho,Maninha, Norata, Mamazinha e outros que pessoalmente nao conheco e que ainda tem ao lado a companhia das suas mulheres, que ate o seu ultimo suspiro teve a chance de querer usufruir e a elas somar mais uma, para findar a quota.
Coisa ate foram ditas a mais e em repeticao. E como sei dizer as coisas, no portugues-crioulo, Caboverdiano! E foi tudo, pela Carredinha e pelo meu grande avo, que adorei e dava tudo para que estejam hoje presidentes.
Que Deus (a todos) lhes "augem"!
Categories: Artigos, Remoaldo Cardoso
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