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Por: Julio Correia
Nos últimos dias, contrariamente a aprovação dos Cabo-verdianos pressentida nas sondagens e os elogios dos parceiros internacionais, o MPD tem vindo a endurecer o seu discurso sobre a governação e a radicalizar as suas acções para forçar o inicio da pré campanha eleitoral, antes do tempo marcado pela comissão nacional de eleições e do “tempo constitucional” balizado pelo presidente da republica.
Contrariamente, dizíamos, à visão que se tem de Cabo Verde como país estável, em franco desenvolvimento e em clara consolidação do seu processo democrático, o MPD, ao invés de formular uma acção alternativa aos rumos dado ao país, vem investindo numa campanha de terra-queimada, baseada no “despintar” o colorido ganho pela boa governação e do “destoar” do entusiasmo colectivo que hoje mobiliza todos os cabo-verdianos tanto nas ilhas como na emigração.
De repente, a oposição cria uma nova forma de estar na política, pela via de notícias clonadas e fabricadas pelo marketing eleitoral grosseiro (como o são os cartazes gigantes desinformando sobre os dados da economia e do desenvolvimento) e por festivais que fazem a propaganda enganosa da música e por apelos de comícios eleitoralistas de última hora.
Toda esta nova forma de estar na política, uma verdadeira ante-pedagogia que a nova liderança do MPD instaura, vem confirmar a ideia de que esse partido pretende ser alternante sem ser alternativa, ser ante – governante sem formular propostas de governo e ter uma visão de um Cabo Verde saudosista do passado, quando a única saudade que desperta o povo de Cabo Verde é “a saudade do futuro”.
Não tendo a dimensão filosófica do que significaria a ”saudade do futuro”, esse partido político não consegue plasmar o seu ideário com as reais vontades pressentidas pela sociedade cabo-verdiana que se perfilam pelo posicionamento da política em prol das grandes causas nacionais nomeadamente, a afirmação da soberania, a consolidação da democracia e a busca do desenvolvimento sustentado.
Diante deste insólito da ante-pedagogia política, sublinha-se para o gáudio dos cabo-verdianos, a serenidade com que o PAICV, estando no governo ou nao posição, encara a coisa pública e as causas nacionais, reflecte em toda a linha a expressão do desejo dos cabo-verdianos.
As referentes políticas do PAICV baseiam-se na ética de actos e de discursos e na lógica das relações afectivas que permeiam a relação entre os cabo-verdianos, tais como ”o amor à terra”, ”Cabo Verde no coração”, ”construir o futuro” e ”novos tempos, novas respostas”, slogans que definem não só o corpo político do PAICV mas também a sua alma elevada no lidar com as coisas e as causas de Cabo Verde.
Finalmente, o MPD ao trazer em contexto de verbalismo perverso e atitudes sórdidas o slogan ”mesti muda”, bom seria que fosse uma mudança no sentido da pedagogia ao invés da ante – pedagogia, do consenso ao invés da desavença e do amor ao invés do ”rabentolismo”.
O MPD ”mesti muda” para se tornar realmente numa grande oposição que o país merece o que muito ajudaria Cabo Verde nesta segunda metade do século XXI, em que temos sobre a mesa as metas do milénio e os objectivos do desenvolvimento.
Assim como o PAICV já afirmou no seu último congresso que doravante precisa formular novas respostas para estes novas tempos, o MPD «mesti muda» – de atitudes, de métodos e quiçá de lideres – para o grande diálogo político que a democracia abre para todos os Cabo-verdianos. A Oposição de facto, ”mesti muda”, para osnovos tempos que reclamam novas respostas.
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