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TACV Cabo Verde Airlines, companhia de bandeira, criada em 1958 e detida a 100% pelo Estado caboverdeano, possuidora de uma pequena frota internacional, constituida por apenas 2 Boeings 757-200 de 210 lugares (de nome B. Leza e Emigranti).
É, desde há muito, possível viajar de e para Cabo Verde, em voos internacionais regulares, com diversos destinos na Europa (Lisboa, Las Palmas, Paris, Londres, Amsterdão, Munique, Varsóvia e Roma), África (directamente para Dakar, Banjul e Bissau e por ligações a Conakry, Freetown e Abidjan), Estados Unidos (Boston) e Brasil (Fortaleza), através da companhia aérea nacional. A TAP Portugal, aliada de sempre da TACV complementa o rol de voos diários que liga Cabo Verde a Lisboa, principalmente.
Há muitos anos que se fala na recuperação de uma derrapagem estrutural e financeira, que trouxe consigo deequilíbrios, particularmente ao nível dos efectivos e da relação dos TACV com o número de passageiros transportados. Diz-se que as suas operações internacionais são rentáveis, as linhas inter-ilhas são maioritariamente deficitárias, com excepção à que liga a ilha do Fogo, que, diga-se de passagem, é das ilhas piores servidas a nível dos transportes, tanto a nível aéreo (aeródromo de má qualidade), marítima (inexistência de embarcações e portos que dê resposta às necessidade da ilha) e terrestre (rede viária, em calçadas esburacadas que não garantem nem conforto nem seguridade).
Do número de vôos que tiveram lugar aquando da última festas de São Filipe, pode-se concluir quão mal servido está a ilha do Fogo ao nível dos transportes! Que o digam os nossos emigrantes em férias, vindos dos EUA.
Aliás, os transportes aéreos domésticos, embora se diga regulares e abrangindo todo o arquipélago (com excepção da Brava e de Santo Antão – que também já deviam dispôr dos respectivos aeródromos/aeroportos, pois os discursos furados dos nossos governantes de que não existem condições em termos de terrenos para a construção de aeroportos nas duas ilhas é uma falsidade – quem não estiver de acordo que vá dar uma vista d’olhos ao Gibraltar http://en.wikipedia.org/wiki/Gibraltar_Airport ou Hong Kong http://en.wikipedia.org/wiki/Hong_Kong_International_Airport, para observer como foram construidos os respectivos aeroportos), em que as companhias em funcionamento são os TACV-Cabo Verde Airlines, utilizando 2 aeronaves ATR-72/500 de 68 lugares e 1 ATR-42/500 de 42 lugares, e a Cabo Verde Express, empresa privada adquirida em 2007 pela portuguesa Omni (BPN). Desde Julho de 2008, que uma nova companha aérea, a Halcyon Air, tendo como accionistas privados, portugueses e caboverdeanos, iniciou actividade.
A chegada da Halcyon Air, trouxe algumas esperanças, mas com um único aparelho, ela muito dificilmente conseguirá dar respostas à procura doméstica e regional (presume-se que seja este o seu objectivo de médio prazo), mas ainda assim, parece que associada à SATA, já oferece bilhetes Lisboa/Sal/Praia/Sal/Lisboa, por volta de CVE50.000 (50 contos na língua de terra) enquanto que os líderes do mercado, TACV/TAP, praticam preços que ultrapassam os CVE90.000 (>=90 contos), preço esse que é na maioria das vezes superior ao que praticam as companhias aéreas europeias para um percurso de Hong Kong a Lisboa, em vôos que dura cerca de 15 horas, devido á distância geográfica.
Pelo que, aproveitamos através deste desabafo, para perguntar :
Até quando o pobre emigrante/estudante caboverdeano terá que carregar às costas a má gestão, os esbanjamentos da companhia nacional ?
Como é possível ter um turismo de qualidade e em fase de expansão com os preços que praticam a dupla TACV/TAP ?
Porque será que o préco de um bilhete de viagem aérea para um percurso Lisboa/Praia, que é de cerca de 3,5 horas, situa-se muito acima da média internacional para destinos a distâncias semelhantes que estão entre os 30 a 50 contos (a SATA ao voar por este preço a Cabo Verde, o faz porque é lucrativo, certamente)?
Será que a estratégia de extorsão adoptada pelo conjunto TACV/TAP, não merece supervisão/prounciamento das autoridades, particularmente as caboverdeanas ? Lembremos que os nossos emigrantes totalizam quase que o dobro da população nas ilhas, e que, a sua grande maioria, não visita Cabo Verde durante as férias, pois um bilhte na TAP/TACV é o equivalente a 2 meses de salários em Lisboa, para muitos, infelizmente!
Em economia de mercado, as empresas não podem viver de subsídios eternamente, pois esses, além de contribuir para a ineficiência, representa um encargo fiscal, retira os recursos dos sectores que podiam contribuir para o crescimento da economia, e afecta a competitividade do país, num processo irresponsável, em que os nacionais pagam os impostos – o grande bolo — de onde saem os subsídios do governo, para, logo depois serem novamente sugados com a venda dos tickets, enquanto passageiros.
Chegou a hora de quem de direito começar a pensar os TACV (lembremos quantos anos já se passaram desde a prometida privatização), a abertura dos céus (open sky) de Cabo Verde às companhias de baixo custos (low costs), na esperança de que poderá ser essa a solução, para a diminuição dos preços dos bilhetes, pois, nas situações actuais, não é prazer nenhum viajar com aquele que se autodenomina/clama a si – o Prazer de Viajar Bem - nem na qualidade de patriota e muito menos na de turista.
O governo deve criar condições para que as caboverdeanas e os caboverdeanos, possam viajar noutras frotas – (T)ake (A)nother (P)lane, que não (exclusivamente) os da dupla TAP/TACV – a bem dos 4 aeroportos internacionais, a bem do nosso turismo e acima de tudo a bem de Cabo Verde.
Julho de 2010
Categories: Artigos, Francisco Mendes
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