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Fico surpreso quando estudantes, lideres, professores, funcionários comentam em meus textos falo dos jovens como arrogantes e mal educados, é uma pena, sinto muito: essa, mais uma vez, não sou eu. Lido com palavras o dia todo, foram umas das minhas paixões e ainda me seduzem pela mistura da comunicação e confusão que causam, como nessse caso, por sua beleza, riqueza e ambiguidade.
Escrevo sempre e refiro muito de uma forma repetidamente sobre Juventude, Infância Família e Educação, cuidado e negligência. Sobre falhas quanto a autoridade amorosa, interesse e atenção., tenho pensado e vivido, o quanto é difícel para juventude esssa época do sec.XXI em que adultos e idosos, em certo momento de qualquer forma dão aos jovens adolescentes e crianças tantos maus exemplos, correndo desvairadamente atrás de mitos bobos,, desperdiçando assim o tempo com coisas desimportantes, negligenciando a família, exagerando nos compromissos, sempre caindo de cansados e sem vontade e paciência de escutar ou de falar.
Penso sobreudo no desastre da educação, nem mesmo uma avaliação das escolas, um concurso de bolsa, ou outro tipo de avaliação nacional ligado a jovens, conseguem oferecer. A maciça ausencia de jovens inscritos, quase a metade do que tem no nosso país, não se deve ao atraso ou outras dificuldades, mas ao desânimo e á descrença.
De modo que, tratado dos jovens e de suas frustrações, falo sobre Adultos, Pais, Professores, Autoridades, Lideres Políticos o quanto são devedores. O que fazem os que de maneira geral deveriam ser lideres e modelos? Os escandalos públicos que nos ultimos anos se repetem e se acumulam são para deixar qualquer jovem desencantado: estudar para qué? Trabalhar para qué? pior que isso ser onesto para quê, se nossos pretensos líderes se portam de maneira tão vergonhosa e, ano após ano, a impunidade continua reinando no nosso país.
Tenho muita empatia com a juventude, exposta a tanto descalabro, cuidada muitas vezes por pais sem informação, sem força nem vontade de exercer a mais básica autoridade, sem a qual a família se desintrega e os jovens são abandonados a própria sorte num mundo nem sempre bondoso e acolhedor. Quem são, quem podem ser, os idolos desses jovens, e que possibilidades são oferecidas? então refugiam-se em grupos sociais, como se fosse seus tribos, com atitudes bem tribais, o pircing, o brinco a tatuagem, a dança ao som da musica tribal, conforme o som assim a dança. Negativas? Censurável? Necessária para muitos, a tribo é onde se sentem acolhidos, abrigados, aceitos.
Escola e família ou se declaram incapazes, ou estão assustados, ou não se interessam mais como deveriam. Autoridades, Homens Públicos, supostos líderes, muitos deles a gente nem receberia em nossas casas. O que resta? A solidão a coragem, a audácia, o fervor tirados do próprio desejo de sobrevivência e do próprio otimismo que sobrar.
Quero deixar claro que nem todos estão parlisados, pois muitas famílias saudáveis criam em casa um ambiente de confiança e afeto, de alegria. Muitas escolas conseguem impor a disciplina essencial para que qualquer organização ou procedimento funcione, e nem todos os Políticos, Governates, Minístros ou Presidentes são corruptos. Mas quero afirmar que aqueles que o são ja bastam para tirar o fervor e matar o otimismo de qualquer um. assim, não acho que os jovens sejam arrogantes, todas as crianças mal-educadas, todas as famílias disfuncionais.
Um pouco da onipotência da juventude faz parte, pois os jovens precisam romper laços, transformar vínculos ( não cuspir em cima deles) para se tornar adultos lançados a uma vida muito difícel, na qual reinam a competitividade, os modelos negativos, os problemas do mercado de trabalho, as universidades decadentes e uma sensação de bandalheira geral. Qual o futuro do jovem caboverdiano no Século da globalização?
Lucílio Alves
Monte Vermelho – Fogo
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