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Recentemente foi notícia que, a Câmara Municipal de Santa Catarina do Fogo, juntou numa reunião, “os principais actores sociais – como presidentes das associações comunitárias, professores, chefes das instituições públicas e privadas – para, nas palavras do edíl camarário — definirem estratégias de marketing para o desenvolvimento do concelho”.
Sinceramente, passei algumas horas reflectindo sobre a questão – não sobre a ideia em si, que acho óptima, aliás, se a memória não me falha, já tinha falado da necessidade [de um plano estratégico para a ilha do Fogo] num dos meus escritos, aqui no Manduco, mas sim sobre o conteúdo da notícia – felizmente, com a ajuda de alguns que presenciaram o encontro, acabei por entender que, o que realmente se pretendia era – recolher subsídios para a concepção de um Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Concelho de Santa Catarina do Fogo. Plano esse que, deverá ter como uma das linhas mestras – estratégias de marketing para o desenvolvimento do território – infelizmente o mais pobre de Cabo Verde.
Enquanto filho de Santa Catarina do Fogo – preocupado com o seu desenvolvimento, sou obrigado a reconhecer que, para se atingir esse desiderato, os responsáveis autárquicos precisam arregaçar as mangas — organizar a câmara, por forma a poder implementar uma séria de ideias, sem as quais muito dificilmente ter-se-á — progresso harmonioso do concelho. Aqui, ouso propôr 4 vertentes em que os utentes camarários, devem ter em conta durante a sua actuação presente e futura:
1. REFORÇAR A CAPACIDADE INSTITUCIONAL E ALARGAR A COOPERAÇÃO DESCENTRALIZADA
a) Modernizar a administratção local ao nível do planeamento, capacitação técnica, com particular destaque para os processos relacionados com o PDM e a elaboração dos Planos Urbanísticos.
b) Construção urgente dos edifícios da autarquia onde se incluem os serviços de atendimento ao público, criação de uma página na internet com as informações relevantes sobre o concelho, bem como a abertura de concursos para a concepção dos símbolos (bandeira, brasão e hino) da autarquia.
c) Melhorar a actuação autárquica, alargando as iniciativas de cooperação descentralizada, promovendo uma melhor articulação entre os poderes central e local, a bem assim com as associações comunitárias e as instituições religiosas.
d) Promover a parceria público-privada para a implementação de projectos estruturantes no concelho.
2. DIVERSIFICAR E DINAMIZAR SANTA CATARINA DO FOGO
a) Pensar em estratégias de marketing, mas antes identificar e qualificar os produtos que se pensa serem competitivos.
b) Promover o surgimento de pequenas unidades agro-industriais que permitem valorizar os produtos típicos e um conjunto de outros recursos endógenos de elevado potencial turístico, como a biodiversidade do Parque Natural de Chã das Caldeiras e do vulcão do Fogo, para se promover um turismo de elevado valor acrescentado e de qualidade diferenciado com procura tanto a nível nacional e internacional.
c) Captar investimentos, promover o empreendedorismo, desenvolver novos serviços e apostar na inovação.
d) Melhorar a rede dos transportes públicos e de distribuição, permitindo o escoamento/circulação facilitado de bens e pessoas intra e inter-concelho.
3. CONSOLIDAR E AFIRMAR A ATRACTIVIDADE DE SANTA CATARINA DO FOGO
a) Criar uma rede de equipamentos para coesão social e atractividade, com particular destaque no apoio aos mais carenciados (idosos, crianças e famílias desfavorecidas); da promoção de actividades ocupacionais; e da melhoria dos equipamentos e serviços de saúde.
b) Incentivar os munícipes a apostar fortemente na agricultura, pecuária, pesca, turismo e pequenas indústrias enquanto pilares de desenvolvimento do concelho.
c) Promover a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, apoiando na reabilitação de habitações, renovando os recintos escolares, criando programas de animação cultural, promovendo uma vivência saudável.
d) Criar um núcleo municipal de prevenção e protecção civil que a curto prazo deverá converter-se em parte integrante de um sistema de protecção [maior] cívil a nível da ilha do vulcão.
4. INSERIR SANTA CATARINA DO FOGO NO MODELO DE MUNICÍPIOS SUSTENTÁVEIS
a) Investir mais na educação e na formação profissional, fazendo desaparecer o analfabetismo do concelho.
b) Promover uma vida activa associada ao desporto, exercício físico, entre outras actividades saudáveis, requalificando o parque desportivo municipal e as ciclovias, circuitos pedestres, etc.
c) Optimizar a gestão do sistema de abastecimento de água, de recolha e tratamento de resíduos sólidos, bem como da rede eléctrica e promoção de uma educação ambiental vocacionada parao uso de energias renováveis.
d) Traçar directrizes a médio-longo prazo para a expansão da Vila de Cova Figueira, bem como buscar parcerias para desenvolver a orla marítima que vai desde Alcatraz até Bombardeiro.
Enfim, essas são algumas ideias que aqui queria adiantar, estando empenhado em aprofundá-las, pois Santa Catarina e suas gentes– de Alcatraz a Chã das Caldeiras, bem merecem!
Categories: Artigos, Francisco Mendes
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