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A PROPOSITO DO PLANO ESTRATEGIO PARA SANTA CATARINA DO FOGO : ALGUMAS IDEIAS

Posted by Francisco Mendes on April 12, 2010 at 8:15 AM

 

Recentemente foi notícia que, a Câmara Municipal de Santa Catarina do Fogo, juntou numa reunião, “os principais actores sociais – como presidentes das associações comunitárias, professores, chefes das instituições públicas e privadas – para, nas palavras do edíl camarário — definirem estratégias de marketing para o desenvolvimento do concelho”.


Sinceramente, passei algumas horas reflectindo sobre a questão – não sobre a ideia em si, que acho óptima, aliás, se a memória não me falha, já tinha falado da necessidade [de um plano estratégico para a ilha do Fogo] num dos meus escritos, aqui no Manduco, mas sim sobre o conteúdo da notícia – felizmente, com a ajuda de alguns que presenciaram o encontro, acabei por entender que, o que realmente se pretendia era – recolher subsídios para a concepção de um Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Concelho de Santa Catarina do Fogo. Plano esse que, deverá ter como uma das linhas mestras – estratégias de marketing para o desenvolvimento do território – infelizmente o mais pobre de Cabo Verde.


Enquanto filho de Santa Catarina do Fogo – preocupado com o seu desenvolvimento, sou obrigado a reconhecer que, para se atingir esse desiderato, os responsáveis autárquicos precisam arregaçar as mangas — organizar a câmara, por forma a poder implementar uma séria de ideias, sem as quais muito dificilmente ter-se-á — progresso harmonioso do concelho. Aqui, ouso propôr 4 vertentes em que os utentes camarários, devem ter em conta durante a sua actuação presente e futura:

 

1. REFORÇAR A CAPACIDADE INSTITUCIONAL E ALARGAR A COOPERAÇÃO DESCENTRALIZADA


a) Modernizar a administratção local ao nível do planeamento, capacitação técnica, com particular destaque para os processos relacionados com o PDM e a elaboração dos Planos Urbanísticos.


b) Construção urgente dos edifícios da autarquia onde se incluem os serviços de atendimento ao público, criação de uma página na internet com as informações relevantes sobre o concelho, bem como a abertura de concursos para a concepção dos símbolos (bandeira, brasão e hino) da autarquia.


c) Melhorar a actuação autárquica, alargando as iniciativas de cooperação descentralizada, promovendo uma melhor articulação entre os poderes central e local, a bem assim com as associações comunitárias e as instituições religiosas.


d) Promover a parceria público-privada para a implementação de projectos estruturantes no concelho.

 

2. DIVERSIFICAR E DINAMIZAR SANTA CATARINA DO FOGO


a) Pensar em estratégias de marketing, mas antes identificar e qualificar os produtos que se pensa serem competitivos.


b) Promover o surgimento de pequenas unidades agro-industriais que permitem valorizar os produtos típicos e um conjunto de outros recursos endógenos de elevado potencial turístico, como a biodiversidade do Parque Natural de Chã das Caldeiras e do vulcão do Fogo, para se promover um turismo de elevado valor acrescentado e de qualidade diferenciado com procura tanto a nível nacional e internacional.


c) Captar investimentos, promover o empreendedorismo, desenvolver novos serviços e apostar na inovação.


d) Melhorar a rede dos transportes públicos e de distribuição, permitindo o escoamento/circulação facilitado de bens e pessoas intra e inter-concelho.

 

3. CONSOLIDAR E AFIRMAR A ATRACTIVIDADE DE SANTA CATARINA DO FOGO


a) Criar uma rede de equipamentos para coesão social e atractividade, com particular destaque no apoio aos mais carenciados (idosos, crianças e famílias desfavorecidas); da promoção de actividades ocupacionais; e da melhoria dos equipamentos e serviços de saúde.


b) Incentivar os munícipes a apostar fortemente na agricultura, pecuária, pesca, turismo e pequenas indústrias enquanto pilares de desenvolvimento do concelho.


c) Promover a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, apoiando na reabilitação de habitações, renovando os recintos escolares, criando programas de animação cultural, promovendo uma vivência saudável.


d) Criar um núcleo municipal de prevenção e protecção civil que a curto prazo deverá converter-se em parte integrante de um sistema de protecção [maior] cívil a nível da ilha do vulcão.

 

4. INSERIR SANTA CATARINA DO FOGO NO MODELO DE MUNICÍPIOS SUSTENTÁVEIS


a) Investir mais na educação e na formação profissional, fazendo desaparecer o analfabetismo do concelho.


b) Promover uma vida activa associada ao desporto, exercício físico, entre outras actividades saudáveis, requalificando o parque desportivo municipal e as ciclovias, circuitos pedestres, etc.


c) Optimizar a gestão do sistema de abastecimento de água, de recolha e tratamento de resíduos sólidos, bem como da rede eléctrica e promoção de uma educação ambiental vocacionada parao uso de energias renováveis.


d) Traçar directrizes a médio-longo prazo para a expansão da Vila de Cova Figueira, bem como buscar parcerias para desenvolver a orla marítima que vai desde Alcatraz até Bombardeiro.

 

Enfim, essas são algumas ideias que aqui queria adiantar, estando empenhado em aprofundá-las, pois Santa Catarina e suas gentes– de Alcatraz a Chã das Caldeiras, bem merecem!

Categories: Artigos, Francisco Mendes

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7 Comments

Reply Danillon
06:26 PM on April 13, 2010 
Eu poderia ser invisível, mas aglomerado com a população de Santa Catarina, sentimos gratos por esta grande intervenção de um filho de Santa Catarina, demonstrando que existem capacidades para contornar os nossos desafios. Se os responsáveis não menosprezarem estas capacidades e deixassem de lado interesses menos claros, tenho quase certeza que este calvário não nos afligirá. A Democracia não extingue com o acto eleitoral. A participação popular não pode só existir no dia das eleições, por isso considero uma atitude que deve continuar e sobretudo que produza os seus efeitos, senão não tem sentido e deve ser entendido como estratégia demagogica para apaziguar os ânimos. Abraços a todos os democratas do Fogo e parabéns a Francisco Mendes.
Reply Júlio Correia
09:12 AM on April 13, 2010 
Caro Francisco!
Quero, em primeiro lugar, saudar a qualidade desta tua contribuição e espero, tão somente, que os responsáveis do Município de Santa Catarina - nomeadamente o presidente da Edilidade - estejam atentos e disponíveis para acolher estas contribuições.
Dizer-te também que foi gratificante falar contigo há dias através da net, esta maravilha que encurta as distâncias e permite estas interfaces em tempo real.
Sem prejuizo para um comentário que pretendo mais aprofundado sobre o teu texto, digo-te, por ora, o seguinte:
De facto, Santa Catarina tem de aproveitar das suas potencialidades e dos seus activos, nomeadamente o seu enquadramento natural, maximé Pico do Fogo/Chã das Caldeiras. Deve optimizar a sua cultura (festas, folclore, culinária, vinho) e a sua diáspora enquanto potencial parceira no desenvolvimento, para inserir-se na dinámica nacional.
De resto julgo que devemos procurar responder a algumas questões como estas, por exemplo:
Quais são os factores agregados e diferenciais que permitirão Santa Catarina uma participação dinámica na economia nacional? Por outro lado julgo que tem interesse abordar-se a problemática da convergência social, em termos da média nacional, para o combate à pobreza e ao desemprego. Como gerar empregos sustentáveis?Como promover o empreendedorismo ou se quizeres e numa palavra, como fazer fluir essa região adentro das suas condicionantes e fortalezas?
Voltarei a conversar contigo sobre este assunto.
Aquele abraço sempre renovado,
Júlio Correia
Reply Zelito
01:33 PM on April 12, 2010 
Aquileu nao tera coragem de tornar a se candidatar. A condicao que foi apoiado na ultima candidatura era outra e com empenho de varias figuras de Santa Catarina.
Com passeio e desprezo constante contra academicos de Santa Catarina ele nao vai tentar isso nem com milhoes de euros.
Gente de Santa Catarina precisa vigiar o gajo para nao trafulhar os projectos e desviar muitas das outras coisas. De politico e administrador Santa Catarina nao recebeu de nada.
Desilusao completa.
Vai beber o resto de grogo em Terra Branca e deixa descansado os pobres de SC.
Que me dera ter tempo para p[assar fins de semana na Praia e com ajuda de custo da Camara Municipal. So em Santa Catarina mesmo.
Reply NAPOLEAO
08:39 AM on April 12, 2010 
Continue batendo na porta. Talves acordes alguns destes dirigentes.
Vou arquivar este belissimo artigo
Nhamonzada
Reply IMACULADA DE JESUS
04:15 PM on April 11, 2010 
Estive ontem no Hotel Mariotti com o Nape a falar de Cabo-verde a partir de 2050.
Napoleão, mais conhecido entre nos como Nape, disse-me que Cabo-verde a partir de 30 a 40 anos vai perder sua identidade, devido a grande aceleração de emigrantes da Costa Ocidental da África e saída desenfreada dos nativos cabo-verdianos para o estrangeiro, sobretudo EUA e Portugal.
Falou-me disso, apontando exemplos.
Com fixação de ? Manjacos? em Cabo-verde e devido a pequinês do pais e da nossa população, vamos ter daqui 50 anos um Cabo-verde não católico, sem raiz lusófona e com alta identidade africana e muçulmana.
Queria chorar, mas enchuguei-o as primeiras lágrimas que saiam dos olhos.
A ti caro Francisco Mendes continue, embora ser chata bater na porta de um surdo.
Abraços.
Reply Remoaldo Cardoso
11:23 AM on April 11, 2010 
Assim é que é meu caro. Veja la se não somos parestesco, porque Mendes e meu primeiro apelido. Não é porque escreves e cuida da Ilha do Fogo como foguense que és, como eu também faço... Risos.
Reply Kaka
10:27 AM on April 11, 2010 
Isso mesmo jovem! Creio que e desses tipos de contribuicoes que os nossos municipios precisam. Embora o encontro seja feito com os residentes, voce, vivendo noutro "sol", nao se coibe de contribuir com as tuas competencias em prol do teu municipio. As tecnologias tem permitido isso, esse nosso espaco vai fazendo o que pode e, de certeza, que os responsavies municipais, mostrando-se abertos ao dialogo, serao capazes de aceitar e analisar esta tua valiosa contribuicao.