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Ilha do Fogo: Cultura, Gentes e Vivencias

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Posted by Francisco Mendes on April 2, 2010 at 10:37 AM

No dia 2 de Abril de 2011, assinalou-se o 16º aniversário da última erupção vulcânica no pico do Fogo. Os anos passam e as pessoas esquecem de quão atribulada foi aquela madrugada. Os responsáveis políiticos gastam rios de dinheiro em festas e festivais, mas pouco ou nada em campanha de prevenção. No ano passado já haviamos aqui dito que a data, a nosso ver, merece ser recordada anualmente com pompas e circunstâncias, no sentido de dar graças a Deus, por ter permitido a toda a população sair ilesa do infortúnio, por um lado, mas também com o objectivo (fundamental) de reflectir sobre a questão da segurança e protecção civil em caso de catástrofes naturais na ilha do vulcão.

É do conhecimento geral que, a última erupção representou um enorme prejuízo para os proprietários, em especial os que tem na agricultura o seu ganha-pão que, viram larga maioria dos seus terrenos, cobertos por lavas e, durante vários dias, as suas famílias espalhadas pelas várias localidades, voltando a se reencontrar nas tendas montadas no aeródromo de São Filipe. Entretanto, ela não foi a pior erupção que a ilha do Fogo já conheceu. Contam os mais idosos que, a catástrofe de 1951, devorou as localidades de Tinteira e Cova Matinho e, parte de Estância Roque, tendo as lavas desembocadas no mar, depois de ceifar algumas vidas. Na altura, ainda sob a administração colonial,viu-se surgir a Aldeia Roçadas, uma referência para o Conselho de Santa Catarina do Fogo, por vários motivos. Todavia, também sabemos que, se à data a mudança das populações afectadas para a nova aldeia – erguida numa zona que oferece garantías em termos de segurança foi um um (relativo) sucesso – contrariamente ao que aconteceu aquando da última erupção – em que, foram construídas algumas dezenas de moradias em Achada Furna e Monte Grande, entretanto nunca ocupadas, pois os contemplados voltaram às suas antigas residências, no sopé do vulcão, pois, diz-se, só ali consguem com suor próprio obter o seu ganha-pão.

Porém, se há 16 anos, as autoridades se interrogavam até que ponto a erupção irá ter influência na vida das populações (?) o que será de Chã das Caldeiras enquanto ponto turístico de referência (?) quais serão as consequências da erupção no povoamento e na fauna agrícola da ilha (?), entre outras questões, passado 16 anos e cerca de 13 meses depois de um grande incêndio ter devorado uma larga área dos terrenos em Cova Matinho/Espigão, nota-se que as autoridades ainda não reconheceram que a questão de segurança/protecção cívil na ilha do Fogo, deve ser prioridade das prioridades, pelo que, a título preventivo, devem promover acções de reflexão/captação..., mas não só..., continuamos aguardando que o mal nos bate à porta para dar início ao ciclo de lamentar...lamentar...lamentar!

Categories: Artigos, Francisco Mendes

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9 Comments

Reply Francisco Mendes
12:07 AM on April 04, 2010 
Meus caros, agradecido a todos. Quanto as infos complementares do Dr. Azagua, presumo já ter ouvido isso algures, da boca de um tio entendido na matéria, entretanto fica o acréscimo. Sima ta fradu más bedju más bedjaku. O Manduco afinal também serve para compartilhamos informações e conhecimentos como o disse R.Cardoso. ABC
Reply Remoaldo Cardoso
08:27 PM on April 03, 2010 
DjarFogu existe mais na historia de que nos agora entendemos. Se esse Dajrfouense nao consiguisse nos informar disso, morreria na minha ignorancia. E se quer saber mais sobre o Fogo, a Camara tem tudo e esta escrito. Da-nos mais informacoes e conhecimentos daquilo que somos e nao sabemmos. Uma informacao a mais e sempre melhor. Parabens.
Reply Dr. Azágua
04:53 PM on April 03, 2010 
Sr. Francisco Mendes, parabéns não só, e, queria deixar-lhe mais informação....

O terreno de ?Roçadas? em Daca-Balaio pertencia ao meu avô Pedro José Miranda (Tchitchi de Djédje D?Ábe) que o tinha doado ao Governador Roçadas para erguer esta comunidade aos afactados da erupção vulcânica de 1951 (com a placa afixada na primeira casa erguida na nova localidade), sem, no entanto, ter reconhecido o meu avô que, nessa altura, vivia nos Estados Unidos. O resto do terreno em volta de Roçadas ainda nos pertence (eu e mais irmãos) e está sob controle de familiares. É pena como alguns autarcas fazem coisas por estas bandas... mas é bom saber as coisas e dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus....
Reply IMACULADA DE JESUS
10:44 AM on April 03, 2010 
Entrego meu peito de bonze e alma de citim juntamente com este desabafo.
Valeu!
jinhos a vc
Reply Kaka
02:51 AM on April 03, 2010 
Muito oportuno e sugestivo. O autor levanta questoes que devem ser consideradas quando se procura solucoes. Quando nos entendemos, seremos capazes de propor, sugerir e apresentar solucoes para nossos proprios problemas.
Reply Djuze D'erriba
11:52 PM on April 02, 2010 
Ao texto do Francisco,o articulista, e ao homem do parque natural,o nosso grande Danilao.

versos para se adormecer.....

Todo o misterio reside nos vales da nossa Terra...
Toda a poesia oculta nasce das ribeiras da nossa Terra...
Terra negra, de magma esperanca,
De gente altiva,sofrendo e lutando nas margens do pao e da fome....

Terra de cultura e tradicao,
Que engendra no seu dorido chao
Astros do Ceu, povos da Terra, ondas do Mar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
De um vasto emporio, contemplando os horizontes........Ah Djarfogo... Ah Fonti Bila Ah Vulcao ....Que Saudades!!!!!!!..................................................
Reply NAPOLEAO
10:06 PM on April 02, 2010 
Um olhar critico e com recomendações indiretcas bem formuladas.
O tempo exige Novos Tempos e Novas Respostas e estas preocupações estão nas mãos dos jovens de Santa Catarina e/ou do Fogo.
Avante, Jovem!
Reply CRISTAL
09:38 PM on April 02, 2010 
Politicamente rico e socialmentecritico. Avanca amigo
Reply Danillon
08:48 PM on April 02, 2010 
As minhas preocupações ficaram em cinzas espero que ao menos as tuas se solidificam como "bancus" numa certeza de segurança e qualdade de vida. É difícil entender o Homem se não conhecer a si próprio. Abraçus eruptivus.