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No dia 2 de Abril de 2011, assinalou-se o 16º aniversário da última erupção vulcânica no pico do Fogo. Os anos passam e as pessoas esquecem de quão atribulada foi aquela madrugada. Os responsáveis políiticos gastam rios de dinheiro em festas e festivais, mas pouco ou nada em campanha de prevenção. No ano passado já haviamos aqui dito que a data, a nosso ver, merece ser recordada anualmente com pompas e circunstâncias, no sentido de dar graças a Deus, por ter permitido a toda a população sair ilesa do infortúnio, por um lado, mas também com o objectivo (fundamental) de reflectir sobre a questão da segurança e protecção civil em caso de catástrofes naturais na ilha do vulcão.
É do conhecimento geral que, a última erupção representou um enorme prejuízo para os proprietários, em especial os que tem na agricultura o seu ganha-pão que, viram larga maioria dos seus terrenos, cobertos por lavas e, durante vários dias, as suas famílias espalhadas pelas várias localidades, voltando a se reencontrar nas tendas montadas no aeródromo de São Filipe. Entretanto, ela não foi a pior erupção que a ilha do Fogo já conheceu. Contam os mais idosos que, a catástrofe de 1951, devorou as localidades de Tinteira e Cova Matinho e, parte de Estância Roque, tendo as lavas desembocadas no mar, depois de ceifar algumas vidas. Na altura, ainda sob a administração colonial,viu-se surgir a Aldeia Roçadas, uma referência para o Conselho de Santa Catarina do Fogo, por vários motivos. Todavia, também sabemos que, se à data a mudança das populações afectadas para a nova aldeia – erguida numa zona que oferece garantías em termos de segurança foi um um (relativo) sucesso – contrariamente ao que aconteceu aquando da última erupção – em que, foram construídas algumas dezenas de moradias em Achada Furna e Monte Grande, entretanto nunca ocupadas, pois os contemplados voltaram às suas antigas residências, no sopé do vulcão, pois, diz-se, só ali consguem com suor próprio obter o seu ganha-pão.
Porém, se há 16 anos, as autoridades se interrogavam até que ponto a erupção irá ter influência na vida das populações (?) o que será de Chã das Caldeiras enquanto ponto turístico de referência (?) quais serão as consequências da erupção no povoamento e na fauna agrícola da ilha (?), entre outras questões, passado 16 anos e cerca de 13 meses depois de um grande incêndio ter devorado uma larga área dos terrenos em Cova Matinho/Espigão, nota-se que as autoridades ainda não reconheceram que a questão de segurança/protecção cívil na ilha do Fogo, deve ser prioridade das prioridades, pelo que, a título preventivo, devem promover acções de reflexão/captação..., mas não só..., continuamos aguardando que o mal nos bate à porta para dar início ao ciclo de lamentar...lamentar...lamentar!
Categories: Artigos, Francisco Mendes
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