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Ilha do Fogo: Cultura, Gentes e Vivencias

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O TURISMO, A FRACA CAPACIDADE DE OFERTA E O OLHAR ENVIEZADO A ILHA DO FOGO

Posted by Francisco Mendes on March 27, 2010 at 8:17 AM

 

Li, algures num dos períodicos online que a ONG Italiana – Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Emergentes (COSPE) – promoveu, recentemente em São Filipe, um encontro relativo ao turismo e a valorização dos produtos e serviços locais. Considerando que a diversificação dos produtos turísticos é factor essencial para se erguer um destino competitivo, o desenvolvimento do (eco)turismo na ilha do Fogo é sem dúvida um activo importante para Cabo Verde. Sem conhecer o programa do evento e muito menos o discurso que cada orador proferiu durante o mesmo, ocorreram me á mente essas ideias que, aqui, compartilho convosco.

 

Chama-se turismo – ao rol de actividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos dos que vivem, por um período de tempo inferior a um ano consecutivo, com fins de lazer, negócios e outros. É algo do nosso dia-a-dia, pois somos ilhas de vocação essencialmente turísticas –– Cabo Verde!

 

1. O turismo : em 2009, a nível global, houve uma acentuada queda na procura turística durante o primeiro semestre e pequenos ganhos no segundo. Cabo Verde enquanto pequeno País insular, importador de quase tudo (a venda dos serviços turísticos é uma excepção) seguiu a mesma tendência, sendo que, até o final de 2009 [conforme os dados do INE] as dormidas nos estabelecimentos hoteleiros cresceram 10,6 % (cerca de 2,2 milhões), tendo sido registados cerca de 330.319 hóspedes (em 2008 recemos mais de 385.000 turístas, pelo que houve queda). Quanto à origem dos turistas, o Reino Unido tornou-se no principal mercado emissor com 25,6%, seguido da Alemanha com 15,2%, da Itália com 14,4% e de Portugal com 12,0%. Os visitantes provenientes do Reino Unido foram também os que tiveram maior permanência (média de 8,9 noites) em Cabo Verde, seguidos pelos da Alemanha (7,5 noites) e da Holanda (7,2). Quanto à taxa média de ocupação, foi de 45% –– a ilha da Boavista passou a ser a mais procurada (69%), à frente do Sal (47%), Santiago (26%) e Santo Antão (21%).

 

2. A oferta turística – refere-se ao conjunto dos recursos naturais e culturais [oferta diferencial (original) ou seja: os atractivos turísticos] que, em sua essência, constituem a matéria prima da actividade turística porque, na realidade, são eles que provocam a afluência de turistas. A esse conjunto agregam-se os serviços produzidos para dar consistência ao seu consumo, os quais compõem os elementos que integram a oferta no seu sentido lato –– numa estrutura de mercado –– [oferta técnica (agregada) ou seja: os equipamentos e serviços turísticos + infra-estrutura de apoio].

 

Atendendo ao enunciado acima e apesar dos sucessivos governos terem assumido o turismo como motor da economia e o País apresentar potencialidades para o desenvolvimento desse sector, continuamos a não saber valorizar os nossos activos e, temos ainda uma oferta turística (relativamente) pobre, essencialmente balnear – sol e praia – vejamos a ocupação das unidades hoteleiras nas ilhas de Boa Vista e Sal em 2009!

 

Somos 10 ilhas e vários ilhêus, das quais 3 planas e as demais montanhosas (umas mais, outras menos) demonstrando que, temos ainda um vasto potencial por explorar (ainda bem) nomeadamente: nas ilha do Sal, Boa Vista e Maio [Turismo Balnear]; nas ilhas de São Nicolau, Boavista e Santiago acrescido às primeiras [Turismo Náutico];no Fogo e Santo Antão acrescido às do segundo grupo [Turismo Ecológico]; em agrupamento de municípios de cada ilha/região [Turismo de Circuitos ]; e em cada um dos 22 municípios [Turismo Cultural]. Mas para se ter turismo é preciso ter não só atracções turísticas, embora representam a principal motivação para a visita (sejam elas naturais, históricos e monumentais, culturais, folclóricos) mas também fornecedores de serviços turísticos (alojamento, transporte, restauração, bares, teatros, instalações desportivas, etc.), bem como infra-estruturas (as componentes físicas necessárias –– pública ou privada –– para o desenvolvimento da actividade turística –– por exemplo, rede de estradas, portos, aeroportos, etc, criando assim um ambiente propício à chegada daqueles que desejam nos visitar.

 

Não obstante sabermos que, o turismo possui algumas características especiais: sendo um produto de consumo local, estimula o desenvolvimento de outras actividades económicas (entretenimento, comércio, transportes, meios de hospedagem, agências de viagens, artesanato, serviços de apoio); potencializa o desenvolvimento de infra-estruturas (estradas, aeroportos, saneamento, energia etc.); depende da sustentabilidade cultural e ambiental e, tem forte efeito indutor na geração de renda e emprego, o turismo cabo-verdiano, permanece longe de propiciar essas conquistas, pois, nos faltam infraestruturas e a capacidade de valorização da nossa oferta. Estamos ainda numa fase embrionária e – à excepção de alguns atractivos naturais em cada ilha, pouco conseguimos agregar ao que a natureza nos deu, para oferecer aos turistas um produto de qualidade e, talvez seja por isso que, as receitas do turismo revertem na sua maioria a favor de operadores turisticos estrangeiros (diga-se, portugueses, espanhóis, italianos, ingleses) baseado num conceito ‘all inclusive’ onde as despesas com a habitação, alimentação, transporte, recreação, cultura, desportos, etc, são geralmente pagas na europa.

 

3. Fogo : Apesar de ser a quarta ilha do arquipélago e de ser detentora de um vasto potencial em termos turísticos – uma cultura única – uma natureza espectacular, entre a cratera do vulcão e o pico lunar e as paisagens verdes das plantações de fruteiras – uma simpática gastronomia – um leque variado de edifícios históricos e manifestações folclóricas – continua a não ocupar o lugar que merece (por razões várias) no contexto nacional, recebendo em périplos de ocasião um olhar enviesado de quem de direito. Neste sentido, a dinâmica da COSPE é reconhecida pelos foguenses como posítiva, pois, contrariamente à actuação ineficiente dos dirigentes [local e nacional], tem tido ideias e vai dando passos seguros para a afirmação da ilha, em especial de Chã das Caldeiras – uma aldeia erguida no sopé de um vulcão (ainda) activo – no melhor atractivo turístico nacional, permitindo valorizar produtos local como: vinho; queijo; café, entre outros, e, bem assim o Parque Natural, onde existem espécies várias que, embelezam a paisagem, permitindo o surgimento de um produto turístico por excelência.

 

Djarfogo lá do alto do seu Vulcão agradece, pois, afinal – “uma longa caminhada começa por um passo”!

Categories: Francisco Mendes, Artigos

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4 Comments

Reply Barroso de Monte Burro
04:09 PM on March 28, 2010 
Este eh um minino que fala bom porque fala com cuidado e porque nao ofende
e este e um menino educado que fala como gente grande
mesmo entretanto sabe as coisas que vai falar para nos darmos atencao naquilo que ele esta a falar.
Agora muitas pessoas estao a vir do mar para dar conselho no Monte Burro porque eles pensam que no Monte Burro a gente nao sabe nenhuma coisa bom.

Muitas pessoas politicas estao a ficar desiludidas com a politica la no Monte Burro e isto e bom porque quando politicos ficam desiludidos isto e bom porque e melhor as pessoas da politica ficar desiludidas com a politica que o povo ficar desiludido com os politicos.

As pessoas da politica estao a ficar desiludidas com a politica porque querem que o povo que nao sabe politica vai votar sem tomar nada, para o povo ficar sinsim e so com dignidade.

As pessoas da politica pensam que so eles e que podem ficar sem dignidade para poderem trabalhar na sombra com ar condicionado, com carro e muitas riquezas

As pessoas de Monte Burro quer que as pessoas da politica podem ficar com dignidade e as pesoas do Monte Burro ficar com outras coisas como muito cimento, sanitas, casas mais bom, dinhero tambem, purfumo e sapato.

Se alguem no Monte Burro quer ajudar pobre porque pensam que pobre e burro e nao tem dignidade isto e bom! principalmente quanto estas pessoas da politica pensam que o pobre nao pode votar na pessoa que deu ajuda. isto e bom. as pessoas de Monte Burro antam devem tomar ajuda nas pessoas que pensam assim e votar nas outras pessoas da politica que pensam contrario. isto e bom.

e depois as pessoas de Monte Burro que tomam alguma coisa antes de votar vai deixar os politicos a carcutir companhero e nos sentados a divirtir e arrir da carcutisaun por em quanto nao arranjamos outra coisa de divirtir anossa cabeca porque nos nao pensamos muito e nao temos televisao.
Reply NAPOLEAO
07:00 PM on March 27, 2010 
100 palavras, cem comentarios e sem tirar uma virgula, estou 100% de acordo. Valeu, jovem pensante de Djarfogo.
Reply TAMBARINADURO
05:28 PM on March 27, 2010 
Boa canetada Sr. Francisco Mendes. Continue!!!!!!!!!!
Reply Kaka
03:59 PM on March 27, 2010 
Mais uma contribuicao enriquecedora do nosso Francisco Mendes, um jovem capaz, dedicado e disponivel aos debates que objectivam para o desenvolvimento da nossa terra.
Francisco, acho que o esquecimento das potencialidade do Fogo nao e prepositada por parte dos que decidem. Ela e sim, resultado da incapacidade que alguns responsaveis tem de perceber o pais como um todo, e dos imensos proveitos que se pode ter quando o Fogo passa a estar habilitado a contribuir sem limitacoes para o desenvolvimento do pais. Os responsaveis nacionais ainda nao sao capazes de se livrar daquela tentacao bairrista que os apoquentam, por isso, muitas vezez, algumas potencialidades que existem no pais sao castradas por uma visao tribalista que impera na mente de alguns. Responsabilizo muito os dirigentes nacionais, pois, acredito que os dirigentes locais, tanto da situacao como da oposicao, tem feito grandes esforcos por se identificarem com a ilha como nos tambem nos identificamos, pena e que nao sao imbuidos daquele poder decisorio e definitivo.