|
|
Li, algures num dos períodicos online que a ONG Italiana – Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Emergentes (COSPE) – promoveu, recentemente em São Filipe, um encontro relativo ao turismo e a valorização dos produtos e serviços locais. Considerando que a diversificação dos produtos turísticos é factor essencial para se erguer um destino competitivo, o desenvolvimento do (eco)turismo na ilha do Fogo é sem dúvida um activo importante para Cabo Verde. Sem conhecer o programa do evento e muito menos o discurso que cada orador proferiu durante o mesmo, ocorreram me á mente essas ideias que, aqui, compartilho convosco.
Chama-se turismo – ao rol de actividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos dos que vivem, por um período de tempo inferior a um ano consecutivo, com fins de lazer, negócios e outros. É algo do nosso dia-a-dia, pois somos ilhas de vocação essencialmente turísticas –– Cabo Verde!
1. O turismo : em 2009, a nível global, houve uma acentuada queda na procura turística durante o primeiro semestre e pequenos ganhos no segundo. Cabo Verde enquanto pequeno País insular, importador de quase tudo (a venda dos serviços turísticos é uma excepção) seguiu a mesma tendência, sendo que, até o final de 2009 [conforme os dados do INE] as dormidas nos estabelecimentos hoteleiros cresceram 10,6 % (cerca de 2,2 milhões), tendo sido registados cerca de 330.319 hóspedes (em 2008 recemos mais de 385.000 turístas, pelo que houve queda). Quanto à origem dos turistas, o Reino Unido tornou-se no principal mercado emissor com 25,6%, seguido da Alemanha com 15,2%, da Itália com 14,4% e de Portugal com 12,0%. Os visitantes provenientes do Reino Unido foram também os que tiveram maior permanência (média de 8,9 noites) em Cabo Verde, seguidos pelos da Alemanha (7,5 noites) e da Holanda (7,2). Quanto à taxa média de ocupação, foi de 45% –– a ilha da Boavista passou a ser a mais procurada (69%), à frente do Sal (47%), Santiago (26%) e Santo Antão (21%).
2. A oferta turística – refere-se ao conjunto dos recursos naturais e culturais [oferta diferencial (original) ou seja: os atractivos turísticos] que, em sua essência, constituem a matéria prima da actividade turística porque, na realidade, são eles que provocam a afluência de turistas. A esse conjunto agregam-se os serviços produzidos para dar consistência ao seu consumo, os quais compõem os elementos que integram a oferta no seu sentido lato –– numa estrutura de mercado –– [oferta técnica (agregada) ou seja: os equipamentos e serviços turísticos + infra-estrutura de apoio].
Atendendo ao enunciado acima e apesar dos sucessivos governos terem assumido o turismo como motor da economia e o País apresentar potencialidades para o desenvolvimento desse sector, continuamos a não saber valorizar os nossos activos e, temos ainda uma oferta turística (relativamente) pobre, essencialmente balnear – sol e praia – vejamos a ocupação das unidades hoteleiras nas ilhas de Boa Vista e Sal em 2009!
Somos 10 ilhas e vários ilhêus, das quais 3 planas e as demais montanhosas (umas mais, outras menos) demonstrando que, temos ainda um vasto potencial por explorar (ainda bem) nomeadamente: nas ilha do Sal, Boa Vista e Maio [Turismo Balnear]; nas ilhas de São Nicolau, Boavista e Santiago acrescido às primeiras [Turismo Náutico];no Fogo e Santo Antão acrescido às do segundo grupo [Turismo Ecológico]; em agrupamento de municípios de cada ilha/região [Turismo de Circuitos ]; e em cada um dos 22 municípios [Turismo Cultural]. Mas para se ter turismo é preciso ter não só atracções turísticas, embora representam a principal motivação para a visita (sejam elas naturais, históricos e monumentais, culturais, folclóricos) mas também fornecedores de serviços turísticos (alojamento, transporte, restauração, bares, teatros, instalações desportivas, etc.), bem como infra-estruturas (as componentes físicas necessárias –– pública ou privada –– para o desenvolvimento da actividade turística –– por exemplo, rede de estradas, portos, aeroportos, etc, criando assim um ambiente propício à chegada daqueles que desejam nos visitar.
Não obstante sabermos que, o turismo possui algumas características especiais: sendo um produto de consumo local, estimula o desenvolvimento de outras actividades económicas (entretenimento, comércio, transportes, meios de hospedagem, agências de viagens, artesanato, serviços de apoio); potencializa o desenvolvimento de infra-estruturas (estradas, aeroportos, saneamento, energia etc.); depende da sustentabilidade cultural e ambiental e, tem forte efeito indutor na geração de renda e emprego, o turismo cabo-verdiano, permanece longe de propiciar essas conquistas, pois, nos faltam infraestruturas e a capacidade de valorização da nossa oferta. Estamos ainda numa fase embrionária e – à excepção de alguns atractivos naturais em cada ilha, pouco conseguimos agregar ao que a natureza nos deu, para oferecer aos turistas um produto de qualidade e, talvez seja por isso que, as receitas do turismo revertem na sua maioria a favor de operadores turisticos estrangeiros (diga-se, portugueses, espanhóis, italianos, ingleses) baseado num conceito ‘all inclusive’ onde as despesas com a habitação, alimentação, transporte, recreação, cultura, desportos, etc, são geralmente pagas na europa.
3. Fogo : Apesar de ser a quarta ilha do arquipélago e de ser detentora de um vasto potencial em termos turísticos – uma cultura única – uma natureza espectacular, entre a cratera do vulcão e o pico lunar e as paisagens verdes das plantações de fruteiras – uma simpática gastronomia – um leque variado de edifícios históricos e manifestações folclóricas – continua a não ocupar o lugar que merece (por razões várias) no contexto nacional, recebendo em périplos de ocasião um olhar enviesado de quem de direito. Neste sentido, a dinâmica da COSPE é reconhecida pelos foguenses como posítiva, pois, contrariamente à actuação ineficiente dos dirigentes [local e nacional], tem tido ideias e vai dando passos seguros para a afirmação da ilha, em especial de Chã das Caldeiras – uma aldeia erguida no sopé de um vulcão (ainda) activo – no melhor atractivo turístico nacional, permitindo valorizar produtos local como: vinho; queijo; café, entre outros, e, bem assim o Parque Natural, onde existem espécies várias que, embelezam a paisagem, permitindo o surgimento de um produto turístico por excelência.
Djarfogo lá do alto do seu Vulcão agradece, pois, afinal – “uma longa caminhada começa por um passo”!
Categories: Francisco Mendes, Artigos
The words you entered did not match the given text. Please try again.
Oops!
Oops, you forgot something.