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Antero Teixeira
Cabo Verde tem feito um percurso que a todos orgulha, pois neste ainda curto tempo de vida enquanto estado soberano vem registando vitórias a todos os níveis resultantes de intenso labor dos seus filhos, sejam os residentes no País, sejam aqueles que labutam nas malhas da emigração.
Este nosso percurso enquanto estado independente e soberano encoraja-nos e alegra-nos pois, apesar de um forte cepticismo inicial que punha em causa a nossa sobrevivência enquanto estado, hoje somos um país de rendimento médio admirado por várias personalidades que se interessam pelo nosso país.
Naturalmente que, para lá dos protagonistas cujo papel neste percurso é seguramente inquestionável, nós reconhecemos sem qualquer esforço que o principal vencedor e o patrono de todas as nossas conquistas é o povo de Cabo Verde.
Neste rol de incontáveis vitórias do povo das ilhas, há um elemento que ocupa a centralidade e que tem a ver com o empenho de todos na qualificação permanente da nossa democracia. E uma das grandes vertentes do desenvolvimento desta nossa democracia tem sido o reforço da cidadania local.
A emergência de um poder local forte e o exercício da cidadania local e uma forte determinação em aproximar as políticas públicas dos cidadãos tem sido o apanágio desta maioria que governa o país desde 2001.
Quero, neste particular, manifestar o quanto nós foguenses nos sentimos incomodados aquando da apresentação da declaração política feita pelo MPD. Incomodados por palavras que aqui foram produzidas e que não apenas tentaram denegrir a sociedade foguense como constituíram um vil ataque aos cidadãos isoladamente considerados.
Não existe, para lá da estafada falácia do MPD, nenhum foguense que vive fora da lei e à margem desta democracia que todos vimos construindo. Não há e nem pode existir no Fogo autoridades locais empenhadas em montar uma estratégia anti democrática para perseguir outros cidadãos foguenses, como não há e nem pode haver autoridades públicas independentes e á mercê da vontade politica dos líderes locais.
Tais afirmações são obviamente graves e irresponsáveis. São graves porque ofendem o sentimento do povo Foguense. Estamos a falar de um povo habituado às lutas, que presa a seriedade, que não se verga, que não se resigna. O Foguense não aceita o rótulo de covarde e a sua história é disso prova mais do que evidente.
Mas tais palavras aqui proferidas foram também irresponsáveis. Desde logo porque ao invés de questionamentos salutares em democracia ,elas foram de suspeição e de acusação, estratégias que seguramente ultrapassam o âmbito de um debate político sadio que qualquer parlamento reclama.
Os deputados não foram eleitos para julgar ou para estarem permanentemente a lançar suspeições contra as pessoas ou instituições da república. Aquilo que neste plenário assistimos durante a declaração politica foram tiradas insidiosas e avulsas suspeições contra instituições da república sedeadas na ilha do Fogo. Estou certo que as instituições atingidas não deixarão de exigir responsabilidades em sede própria porque, com efeito, uma das exigências do estado democrático é sermos capazes de provar as suspeições que atentam ao bom-nome e à dignidade das pessoas ou instituições.
A anti-democracia no Fogo relatada pelo MPD tem uma causa profunda e vem de há muito. A verdade é que a ilha nunca leu pela estafada, divisionista e revanchista cartilha do MPD e é sabido que lá onde o MPD não ganha eleições a democracia falha.
A verdade porém é que no Fogo se respira liberdade. Não aquela liberdade que o MPD quer doar ou instalar na ilha apenas para utilizar expressões aqui pronunciadas, mas aquela liberdade que rejeitou “ os filhos de dentro e enteados”, aquela que combateu o “fecho dastorneiras” e aquela ainda que não faz guerras entre “pedras e garrafas” cuja lógica é a de afrontamento dos que na perspectiva do MPD, eram os mais fracos.
Esta intervenção visa essencialmente deixar expressa a rejeição categórica de um discurso, que partindo de pressupostos enganosos, quis dar a imagem de uma Ilha vivendo fora dos cânones da democracia, e à margem da lei. Esta ilha existe apenas na imaginação daquelas que esperando colher mais uns votos deitam mãos a todos os expedientes inclusive os de aviltamento da dignidade de povo.
Tenho dito.
Praia, 25 de Março de 2010 /**/
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