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AFIRMACOES VENTOINHAS SAO GRAVES E IRRESPONSAVEIS

Posted by Manduco on March 26, 2010 at 12:21 PM

                                                                                Antero Teixeira


Cabo Verde tem feito um percurso que a todos orgulha, pois neste ainda curto tempo de vida enquanto estado soberano vem registando vitórias a todos os níveis resultantes de intenso labor dos seus filhos, sejam os residentes no País, sejam aqueles que labutam nas malhas da emigração.

 

Este nosso percurso enquanto estado independente e soberano encoraja-nos e alegra-nos pois, apesar de um forte cepticismo inicial que punha em causa a nossa sobrevivência enquanto estado, hoje somos um país de rendimento médio admirado por várias personalidades que se interessam pelo nosso país. 


 

Naturalmente que, para lá dos protagonistas cujo papel neste percurso é seguramente inquestionável, nós reconhecemos sem qualquer esforço que o principal vencedor e o patrono de todas as nossas conquistas é o povo de Cabo Verde. 

 

Neste rol de incontáveis vitórias do povo das ilhas, há um elemento que ocupa a centralidade e que tem a ver com o empenho de todos na qualificação permanente da nossa democracia. E uma das grandes vertentes do desenvolvimento desta nossa democracia tem sido o reforço da cidadania local.  


 

A emergência de um poder local forte e o exercício da cidadania local e uma forte determinação em aproximar as políticas públicas dos cidadãos tem sido o apanágio desta maioria que governa o país desde 2001. 

 

Quero, neste particular, manifestar o quanto nós foguenses nos sentimos incomodados aquando da apresentação da declaração política feita pelo MPD. Incomodados por palavras que aqui foram produzidas e que não apenas tentaram denegrir a sociedade foguense como constituíram um vil ataque aos cidadãos isoladamente considerados. 


 

Não existe, para lá da estafada falácia do MPD, nenhum foguense que vive fora da lei e à margem desta democracia que todos vimos construindo. Não há e nem pode existir no Fogo autoridades locais empenhadas em montar uma estratégia anti democrática para perseguir outros cidadãos foguenses, como não há e nem pode haver autoridades públicas independentes e á mercê da vontade politica dos líderes locais. 

 

Tais afirmações são obviamente graves e irresponsáveis. São graves porque ofendem o sentimento do povo Foguense. Estamos a falar de um povo habituado às lutas, que presa a seriedade, que não se verga, que não se resigna. O Foguense não aceita o rótulo de covarde e a sua história é disso prova mais do que evidente. 


 

Mas tais palavras aqui proferidas foram também irresponsáveis. Desde logo porque ao invés de questionamentos salutares em democracia ,elas foram de suspeição e de acusação, estratégias que seguramente ultrapassam o âmbito de um debate político sadio que qualquer parlamento reclama.  


 

Os deputados não foram eleitos para julgar ou para estarem permanentemente a lançar suspeições contra as pessoas ou instituições da república. Aquilo que neste plenário assistimos durante a declaração politica foram tiradas insidiosas e avulsas suspeições contra instituições da república sedeadas na ilha do Fogo. Estou certo que as instituições atingidas não deixarão de exigir responsabilidades em sede própria porque, com efeito, uma das exigências do estado democrático é sermos capazes de provar as suspeições que atentam ao bom-nome e à dignidade das pessoas ou instituições. 


 

A anti-democracia no Fogo relatada pelo MPD tem uma causa profunda e vem de há muito. A verdade é que a ilha nunca leu pela estafada, divisionista e revanchista cartilha do MPD e é sabido que lá onde o MPD não ganha eleições a democracia falha.  


 

A verdade porém é que no Fogo se respira liberdade. Não aquela liberdade que o MPD quer doar ou instalar na ilha apenas para utilizar expressões aqui pronunciadas, mas aquela liberdade que rejeitou “ os filhos de dentro e enteados”, aquela que combateu o “fecho dastorneiras” e aquela ainda que não faz guerras entre “pedras e garrafas” cuja lógica é a de afrontamento dos que na perspectiva do MPD, eram os mais fracos. 


 

Esta intervenção visa essencialmente deixar expressa a rejeição categórica de um discurso, que partindo de pressupostos enganosos, quis dar a imagem de uma Ilha vivendo fora dos cânones da democracia, e à margem da lei. Esta ilha existe apenas na imaginação daquelas que esperando colher mais uns votos deitam mãos a todos os expedientes inclusive os de aviltamento da dignidade de povo. 


 

Tenho dito. 

 

Praia, 25 de Março de 2010 /**/


Categories: Artigos

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4 Comments

Reply TAMBARINADURO
01:27 PM on March 27, 2010 
Obrigado pelo artigo e pelo repudio
Reply CRISTAL
02:11 PM on March 26, 2010 
Du sta na Praia ta sigui tranquilu andancas di rapazis y raparigas di Fogu qui sta na pulitica. Camara men sta nhos tras, gravacao celular, fotus y otus branbran.
N ben di Fogu onti y n ba faze un trabadju di recolha di dadus djuntu cu pulicia, populasan y homis influentis. N ta ba Merca ja. Fogu sta pega lumi ja y mudanca e pa ja. Mudanca e un cuza visivel y sinal dja sta. Quenha qui ca cre odja, ta obi. N sabi ma quel omi sta pensa ma mi e quel arguen qui sta dentu se pensamentu. Ma mi e ca quel arguen qui bu sta pensa pamodi n sta djuntu cu bo senpri na fin di simana.
Nhos juiz nhos oredja!
Reply GALO
08:01 AM on March 26, 2010 
Fogu meste odja balenteza des diputadus na ora ki ta papiadu di prujetu pa Fogu. Onra du sabe ma du ten y sta farta-nu luta pa nos direitus. N ta tra txapeu a Julio Correia, ma kes otus stan lonji di objetivu di Fogu.
Nhos mostra nhos balenteza pa faze aeroportu, portu, skola, liseu, institutu di formasan, barragens pa Fogu. Pamodi ora ki txiga nes pontus li nhos ta mete rabu dentu kadera, nhos ta fika ta treme moda gatu ora ki odja katxo?
Na ba! Kakule, kakule keeee!
Reply NAPOLEAO
07:33 AM on March 26, 2010 
Excelente! O Elísio Freire foi infeliz sobre as questões fundamentais do Fogo. Como disse e bem Júlio Correia queremos ouvir ruídos das máquinas a transformar a ilha. Mais do que isso, queremos que o aeroporto, porto, estradas, formação superior, barragens e/ou cisternas sejam projectos de agenda politica para o Fogo.
Aquele abraço, esperando sempre mais e melhor para a ilha do Fogo. Defendemos honra que é importante, associado também com direitos de investimento infra-estrutural.