Manduco

Ilha do Fogo: Cultura, Gentes e Vivencias

ULTIMAS Post New Entry

PROMOCAO DO EMPREENDEDORISMO- A GRANDE CONTRIBUICAO DAS AUTARQUIAS- PARA QUANDO?

Posted by Francisco Mendes on February 24, 2010 at 9:11 AM

"O negócio é uma das formas mais poderosas de criação de riqueza e oportunidade para ajudar a tirar as pessoas da pobreza", diz Peter Blair Henry – o jovem emigrante Jamaicano que ascendeu recentemente ao cargo de Reitor da Stern School of Business (New York University).

 

Empreendedor é o termo utilizado para qualificar, ou especificar aquele indivíduo que possui uma forma especial, inovadora, de se dedicar às actividades de organização, administração e execução; principalmente na transformação de conhecimentos e bens em novos produtos (mercadorias ou serviços) geradores de riqueza. No cenário económico cabo-verdiano é geralmente conhecido por - empreendedor – kel ki ta investi e fazê progredir sê negócio ku suor de sê testa!

 

Se uma pessoa tiver capacidade empreendedora, tem também probabilidade de suceder no mundo dos negócios, particularmente, nos pequenos negócios — um dos garantes de sobrevivência em muitas sociedades. Mas, a verdade é que, os negócios exigem um pouco mais do que simples talento empreendedor. Por exemplo, precisamos de conhecimentos específicos que o talento empreendedor não possui por si só. Para se ser empreendedor, é preciso balancear três aspectos importantes: mental, profissional e económico. O primeiro, autoconfiança e a adopção de atitudes e valores culturais favoráveis à iniciativa de empreender (sentido de responsabilidade, de risco, de iniciativa). O segundo, a capacidade de identificar oportunidades, de realizar cálculos estratégicos e de planificar intervenções tendo em conta os riscos e as vantagens, acrescido da capacidade de liderança e de mobilização de equipas. E o terceiro, o ambiente macroeconómico que facilita o acesso aos recursos para a realização do acto de empreender, em complementaridade ao rol dos factores básicos necessários para se levar avante a propensão de empreender.

 

É certo que a vontade para ultrapassar os obstáculos da vida tem levado os cabo-verdianos, em especial os foguenses, na ilha e não só, a enveredar pela prática do empreendedorismo, por via de actividades e projectos práticos – esses têm sido, as formas de promover o espírito empreendedor e as competências ligadas ao empreendedorismo, por um lado, e tem contribuido de forma directa ou indirecta para a sobrevivência de uma boa faixa da população da ilha, por outro.

Para promover o crescimento económico e o desenvolvimento social, as nossas autarquias devem ter a capacidade de orientar a população, particularmente aqueles com a sensibilidade pelo mundo dos negócios – promovendo o empreendedorismo – abrindo janelas para o escoamento dos produtos da ilha. Se ao agricultor/pastor exigimos o eficiente cultivo da terra/criação do gado, produzindo "abóbora grande" e "bodéco gordo", às autarquias solicitamos a criação de condições que permitam a instalação e desenvolvimento de actividades económicas nos municípios, passando desde logo, pelo apoio às iniciativas de criação de pequenos negócios. Neste sentido, devem as autarquias em parceria com as agências/associações nacionais (mas não só;) vocacionadas por essa matéria, urgir com a criação de Gabinetes de Apoio ao Empresariado na ilha, pois será certamente um sinal positivo para aqueles que pensam enveredar pelo empreendedorismo, olhando para os municípios como local atractivo para transacionar os produtos - gerando riqueza e contribuindo para o combate à pobreza.

 

Em específico, pretende-se que as autarquias incluam nos respectivos planos de desenvolvimento (programas de actividades) a promoção de uma cultura empreendedora, traduzida pelo desenvolvimento de projectos de iniciativa privada, devidamente enquadrados no contexto de desenvolvimento local e com potencialidades de se traduzirem em resultados tangíveis em favor da sociedade.

 

Empreendedorismo nos municípios pressupõe uma acção coordenada e incentivadora, devendo ter como objectivo o contínuo desenvolvimento de competências-chave e do espírito empreendedor junto das comunidades residentes, baseado nas acções seguintes:

 

1. Disponibilização de apoio, formação, sensibilização e acompanhamento às comunidades para o desenvolvimento de projectos que tem como meta a melhoria das suas condições de vida;

 

2. Utilização de metodologias e estratégias de desenvolvimento de competências do empreendedorismo e de promoção de uma cultura empreendedora ao nível local;

 

3. Estabelecimento de parcerias entre os sectores público e privado, potenciadores do crescimento económico e subsequente desenvolvimento social, bem como para o fortalecimento dos laços que unem as famílias, o empresariado e toda a comunidade;

 

4. No final de cada mandato, deve a autarquia provar ao eleitorado, ter capacitado os cidadãos com competências-chave para empreender ao longo da vida, tornando-os em dinamizadores de acção empresarial benéfica para o meio em que vivem, libertando assim o poder local do fardo assistencialista – paternalista vigente na ilha do Fogo.

 

O desenvolvimento local, hoje mais do que nunca, exige de todos nós maior dinamismo, inovação e criatividade – na descoberta do melhor caminho para avançar!

 

*Dedicadu pa tudo agricultor. pastor e comerciante de Djarfogo.

Categories: Francisco Mendes, Artigos

Post a Comment

Oops

  • Oops, you forgot something.
Already a member? Sign In

8 Comments

Reply Francisco Mendes
10:43 PM on March 10, 2010
CÂMARA MUNICIPAL E AJEC ASSINAM PROTOCOLO PARA INSTALAR CENTRO DE DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL
http://liberal.sapo.cv/noticia.asp?idEdicao=64&id=27645&idSeccao
=517&Action=noticia


S. Domingos, 10 Março - Sob iniciativa do Pelouro da Juventude e Formação Profissional e no âmbito das comemorações do Dia do Município, a Câmara Municipal de São Domingos e a Associação dos Jovens Empresários de Cabo Verde (AJEC) assinaram esta tarde um ambicioso Protocolo de Cooperação para o desenvolvimento da autarquia e melhorar a qualidade de vida dos jovens deste concelho.


Para o Vereador da Juventude, promotor da parceria, ?esta é uma oportunidade real de viragem para o município na medida em que São Domingos não tem sido uma região empresarial por excelência. Precisamos explorar de melhor forma os negócios da região, atrair outros e capacitar os nossos pequenos empreendedores, principalmente, os jovens?, disse Milton Paiva, esperançado que o futuro Centro Empresarial a instalar com a AJEC, a curto prazo, venha a ser um verdadeiro parceiro em formação, assessoria e gestão das potencialidades empresariais de São Domingos.


O Protocolo visa Desenvolver no Concelho o projecto de um Centro de Desenvolvimento Empresarial (CDE) destinado a Empreendedores que pretendam iniciar e desenvolver uma actividade empresarial, através da apresentação de projectos em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento da região; garantir um melhor acesso dos jovens particularmente dos jovens empresários e quadros de empresas à formação profissional, através da articulação com a AJEC, nas áreas consideradas mais carenciadas, com o objectivo de promover cursos de curta, média e longa duração no Concelho.


O acordo firmado hoje visa igualmente garantir uma melhor divulgação e implementação no Concelho dos Sistemas de Apoio a Jovens Empresários através da prestação de esclarecimentos necessários e organizar colóquios, conferências, seminários e outras iniciativas de matriz social ou económica, consideradas de interesse para a região.


Rubricaram o Protocolo, Fernando Jorge Borges, pela Câmara Municipal e Rui Alexandre Levy, pela AJEC.
Reply Francisco Mendes
11:55 PM on March 05, 2010
Many thanks a todos os que comentaram o artigo. Aproveito ainda para deixar o link http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/detail/id/15652 contendo uma entrevista recente com o presidente da direcção da Associação de Jovens Empresários de Cabo Verde (AJEC), que julgo conter algumas infos pertinentes. Bom FDS!
Reply ARBA
01:32 PM on March 03, 2010
Praia, 03 Março - O Primeiro Ministro, José Maria Neves, inaugura, este domingo, as obras reabilitadas e asfaltadas do troço de estrada Cruz Grande/Calhetona, que liga os municípios de Santa Catarina e São Miguel, interior da Ilha de Santiago.

A reabilitação desta infra-estrutura rodoviária está orçada em cerca de 387 mil contos, financiados pelo primeiro pacote do Millennium Challenge Account para Cabo Verde, revelou a Inforpress.

Os trabalhos de asfaltagem, drenagem e sinalização da referida estrada, com uma extensão de 14 quilómetros, estiveram a cargo da empresa Monte Adriano
Reply Remoaldo Cardoso
12:45 PM on March 03, 2010
E bom trazer ao lume e sempre que possivel, sem medo o que os cristaos escondem debaixo da batina. Continue, meu caro, no Fogo somos carneiros e para coisas que nos convier, damos ate o nosso pescoco. Gostaria sempre ler um artigo como esse, pois continue a escrever. E a unica forma de deixar os que nao estao presentes saber, o que esta passando no Pais e no coracao daquele que quer ver o seu Pais... melhor, a comecar agora... Estou contigo.
Reply JULGAMENTO FINAL
02:30 PM on February 25, 2010
Menos jeeps, menos vaidade, menos arrogancia seriam remedios para salvacao nestes ultimos dias, amem!
Reply Betinho
05:58 AM on February 25, 2010
Um texto, deveras, sensato e muito contribuitivo como sempre nos brinda Francisco Mendes. Sublinho, com apreco, esta maxima »deve a autarquia provar ao eleitorado, ter capacitado os cidadãos com competências-chave para empreender ao longo da vida, tornando-os em dinamizadores de acção empresarial benéfica para o meio em que vivem, libertando assim o poder local do fardo assistencialista ? paternalista vigente na ilha do Fogo». Parabens e muita forca! Alberto Nunes
Reply Kaka
04:18 AM on February 25, 2010
Esse belo e enriquecedor artigo evidencia o conhecido proverbio chines que exalta a necessidade de ensinar alguem a pescar antes de se lhe dar um peixe. Por outro lado, vem reforcar a razao de algumas medidas que estao a ser tomadas, tanto pelas camaras municipais, pelo governo e algumas ONGs, com o objectivo de assegurar pequenos creditos e, ainda, qualificar alguns produtores nas areas da agricultura, criacao, pequenas industrias e no artesanato, com a finalidade de os tornarem "pescadores" menos dependentes.
Reply NAPOLEAO
07:28 PM on February 24, 2010
Umas das grandes liçoes para quem acompanhou os últimos acontecimentos nas Camaras Municipais de Djarfogo, precisamente, aquela que constitui o berço do Francisco Mendes (Toym).
Vamos lá jovens, amigos de Djarfogo! Vamos colocar a nossa visão científica e, porque não(?), lutar para estar nos lugares chaves, onde podemos dar melhores contribuições para o desenvolvimento do Município.
Desafio e esclarecimento são os que Municipios de Djarfogo precisam. Não temos nada a perder ao pormos os dedos nas feridas e mostrar com capacidade técnica e científica os melhores caminhos.
Força amigos de Djarfogo.
A ti, caro primo, os meus melhores agredecimentos pelo brilhante artigo.