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Ilha do Fogo: Cultura, Gentes e Vivencias

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A NECESSIDADE DE SE PRESERVAR A NOSSA LINGUA

Posted by Kaka on February 22, 2010 at 4:22 PM

A variante foguense da língua cabo-verdiana, como muitas outras variantes e línguas à volta do mundo, está sujeita a influencias que direccionam para o seu enriquecimento e modernização, mas, que também, fazem perigar a sua existência futura. Perante esta ameaça e considerando a sua riqueza histórico- cultural e o seu valor documental, ainda por explorar, torna-se imperativo preservar o crioulo foguense como um legado necessário para o futuro.

 

 

A ilha do Fogo é das do povoamento mais antigo e, consequentemente, com as maiores riquezas históricas e culturais. É, pelas mesmas razoes que Santiago, o berço da cabo-verdianidade, e constitui por séculos, com a ilha irmã, os dois focos da difusão da nossa identidade nacional. Entretanto, muito trabalho precisa ser feito para o entendimento e esclarecimento do nosso passado, porque, ainda hoje, a historia de Cabo Verde é feita essencialmente com base em documentos escritos. Embora tenha havido importantes trabalhos da arqueologia, especialmente a marítima, o recurso a outros tipos de testemunhos permanece incipiente.

 

 

Mas, se a historia de Cabo Verde tem-se padecido por causa desta limitação, pior torna-se a historia particular do Fogo que se esbarra na escassez desta forma de documentação. Como os documentos escritos em ralação à ilha são exíguos, deve-se preservar e dar atenção a toda e qualquer forma de testemunhos que se encontre às nossas mãos. Por esta razão, há de se destacar o papel documental que se edifica no crioulo foguense e a sua importancia na construçao da nossa historia. Pois, sendo o crioulo foguense contemporâneo do de Santiago, e como este, o primeiro que se formou, a sua riqueza histórico-cultural encerra elementos importantes que são capazes de aclarar a origem de aspectos distintos da nossa identidade. Nota-se que a linguística, como ciência auxiliar, ajuda a detectar o sentido dos movimentos populacionais no passado- suas origens, seu percursos e seus destinos. Assim, ela pode elucidar os movimentos internos e também os que tiveram o nosso pais e/ou ilha como destino.

 

 

Consideramos aqui algumas das nossas particularidades que o estudo da nossa língua poderá ajudar a aclarar:

 

 

Ainda que não hajam duvidas quanto aos contingentes que participaram no povoamento de Cabo Verde e o reflexo que tiveram na formação na nossa língua, é possível conseguir pistas importante sobre pormenores que ditaram a formação de particularidades regionais.

 

O Contingente Africano permanece uma amálgama de confusões e, ainda, não se pode determinar claramente o contributo de cada etnia no nosso povoamento. É necessário melhorar esse conhecimento, concentrando-se nos conteúdos que a grande diversidade cultural proveniente da Costa Ocidental Africana, numa interacção secular, deixou na nossa cultura e nos seus detalhes evidenciados na nossa língua.

 

 

Do contingente europeu, embora o entendimento seja bem melhor, existem detalhes que devem ser elucidados. Por exemplo, durante séculos, a Élite foguense ( os brancos) gabava-se de ser a classe mais distinta e nobre de todo o arquipélago. Essa assunção influenciou grandemente a formação da identidade colectiva foguense. Pois, as crenças que os indivíduos e grupos têm acerca de si mesmos são armas poderosas na determinação da sua forma de ser, agir, sentir e pensar. Embora, ainda, não se tenha dado atenção a isso, um exame futuro afigura-se indispensável, pois, nada é mais importante ao indivíduo ou a um povo do que conhecer a si mesmo. Aqui, um estudo interdisciplinar da nossa língua com outras ciências ajuda a identificar a origem de certos grupos que se destinaram ao Fogo, esclarecendo, assim, algumas razoes da nossa identidade.

 

 

Se o estudo da língua ajuda a detectar os movimentos que tiveram a nossa ilha como destino, ela ajuda também a decifrar os movimentos que partiram do Fogo. Por exemplo, é corrente falar-se, hoje, de duas grandes variantes culturais em Cabo Verde - A de Sotavento e a de Barlavento. Advem disso, ainda, a tentação de se posicionar as ilhas de Santiago e de SãoVicente como as suas leais representantes. É com esse conceito que se quer apadrinhar e padronizar as variantes do crioulo falado em Cabo Verde. Mas será esse conceito correcto? Serão estas as nossas verdadeiras grandes distinções culturais? Esse conceito contradiz os factos que testemunha(ra)m a existência secular dos dois focos que moldaram e difundiram os conceitos da nossa cultura nacional- Fogo e Santiago. Embora se reconheça o peso conjuntural que as ilhas de Santiago e São Vicente vêm tendo há algumas décadas, essas contradições com a realidade podem ser superadas através do tal estudo interdisciplinar que tem como objectos a língua e outras particularidades, sobretudo as musicas, as danças, as festas tradicionais. Será um estudo enriquecedor quando aliado com o conhecimento, que se tem, do papel que a ilha do Fogo desempenhou no povoamento de algumas ilhas e na edificação de outras.

 

 

Esta atenção merecida à nossa lingua não se resume ao debravar das relacções que o Fogo teve com outros espaços exteriores. Podemos, tambem considerar as diversas variantes regionais que temos dentro da própria ilha. Não sei se nalguma outra ilha do arquipélago existe particularidades tão distintas no crioulo de umas regiões para outras como existe no Fogo. Na nossa ilha, pode-se identificar a origem de algumas pessoas pelas variantes locais do crioulo que falam. Pelo falar, facilmente se diferencia os natuirais dos três concelhos existentes e, dentro dos concelhos, ainda se pode detectar diferenças de algumas localidades para outras. Essas diferenças nunca devem ser desvalorizadas porque denunciam influências e razões que terão de ser levadas em conta, na tentativa de uma explicação global de quem nós somos.

 

 

A nossa reflexão não nos deixa ver a variante que falamos como uma variante qualquer. Por isso, não podemos aceitar de ânimo leve que algumas formas de movimentações/manifestações, partindo elas de estranhos ou de alguns patrícios, ameaçam reduzir a expressão da nossa língua e, com ela, eliminar e desperdiçar todas as riquezas nela contidas. Sabemos que não se pode desviar as línguas das dinâmicas que lhes são inerentes, mas porém, não podemos, conscientemente, posicionar-nos na fileira dos que lhe preparam o retiro para os túmulos memoriais, quais espectadores que se deleitam ou se emudecem quando importantes monumentos dão lugar as ”modernidades”. A nossa lingua é uma fiel depositaria da nossa historia e, como tal, deve ser valorizada, se tivermos o sábio intuido de revalar ao mundo e a nós mesmos quem nós somos. O trabalho deve ser feito em casa.

Categories: Artigos, Claudio Fonseca (Khacka)

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15 Comments

Reply TAMBARINADURO
09:35 AM on March 06, 2010
Jinguilane, ainda bem que dissestes que Pedor Pires e o maior inimigo do Fogo, porque voces do MPD sao piores inimigos do Fogo...

Infelizmente nao vou poder comparar os mandatos do MPD com os do PAICV no Fogo, porque para fazer uma comparacao rigorosa so poderia ser possivel atraves de uma ``contrastive analysis`` , situacao impossivel, porque dados referentes ao vosso mandato no Fogo nao esta nem no porvir. Fogo rastejante....De pernas pro ar...

O Fogo esta nas condiccoes que esta, porque ja nao tem homens capazes de precipitar desenvolvimento. Os homens dos sobrados conseguiriam....Eles seriam capazes de igualar Praia e Sao Vicente com ou sem suporte do governo...O Fogo de hoje esta de luto....Estou triste e de luto....Fogo rastejante...
Reply ARBA
01:34 PM on March 03, 2010
Praia, 03 Março - O Primeiro Ministro, José Maria Neves, inaugura, este domingo, as obras reabilitadas e asfaltadas do troço de estrada Cruz Grande/Calhetona, que liga os municípios de Santa Catarina e São Miguel, interior da Ilha de Santiago.

A reabilitação desta infra-estrutura rodoviária está orçada em cerca de 387 mil contos, financiados pelo primeiro pacote do Millennium Challenge Account para Cabo Verde, revelou a Inforpress.

Os trabalhos de asfaltagem, drenagem e sinalização da referida estrada, com uma extensão de 14 quilómetros, estiveram a cargo da empresa Monte Adriano
Reply Djinguilane
05:50 AM on February 27, 2010
Sr Tambarinaduro voces do Paicv tem medo de verdade, Pedro Pires e maior inimigo do Fogo, Viva Sal, Praia, S.Vicente, S.Antao.
Reply TAMBARINADURO
11:24 AM on February 26, 2010
Francamente Djinguilane....Por um lado nao sabes qual foi a intencao do artistica na concepcao da obra e por outro mandas retirar da pintura pessoas que estao historicamente ligadas a ilha..Que barbaridade...Alguem ja dissera....sapateiro nao va alem das sandalias
Reply Djinguilane
06:02 AM on February 26, 2010
Excelente, Káká pá és reflexon, agora crioulo panhá um grande susto cú saída de Ministro Manuel Veiga que, teimosamente, cría crioulo como lingua oficial, agora nhôes que defensor de oficializaçon nhôs dá cú remo na mar, meu amigo KáKá não compreendi a pintura que está na tela do manduco do senhor Paulo Pina sobre cultura de Fogo, francamente ter nessa foto Eugénio Veiga um grande inimigo de cultura de Fogo o homem que todos os santos anos briga com comissão de corrida de cavalo é afronta sr Paulo Pina, vejam só os artistas que mais uma vez irão abrilhantar as festas de Nhô Sanfilipe, não há ninguem de Fogo, onde está o nosso grande Ramiro Mendes, Talúlú, Putchota, Jorge senna, Félix Lopes, Rome, Isidora, Vargas, Juceila, Sandro, Kim Palito, Breca, Corda Campanas, essa gentinha da Câmara são grndes comlexados, nessa pintura no lugar de Pedro Pires devia estar o irmão Jorge Pires que tem feito grande trabalho para a preservação da corrida de cavalo, Nhô Anibal merece estar em qualquer coisa realacionada com Fogo, paciência Sr Paulo Pina ou o senhor quer tirar algo da Câmara de Eugénio Veiga, Manduco deve retirar esta pintura a bem do Fogo e das gentes, obrigado.
Reply TAMBARINADURO
11:00 PM on February 25, 2010
Grande artigo: Com fluencia e substancia. Eu gostaria de discordar com certos comentarios, mas nao posso porque embora fizeram comentarios que a priori pareciam estar desenquadrados do tema, na essencia estao bem ligados. O governo que nao cria condicoes de desenvolvimento economico a uma ilha tambem nao vai valorizar a lingua dessa ilha. O prestigio da lingua depende dos valores socio-economicos dos falantes. Neste capitulo estamos a perder....Cartaum marelo pa ZMN...
Reply Francisco Mendes
07:54 AM on February 24, 2010
Kaká dja da ramóki, agó pa du continua kuel.
Relativamente a línguas, segundo a UNESCO, há 500 anos havia cerca de 1250 e, em média desaparecem 20 a cada ano. O desaparecimento da língua, taz consigo o consequente desaparecimento da cultura/conhecimento. Tendo em conta que, cada língua corresponde a um povo, preservar a língua, é preservar o povo, é preservar o conhecimento.
Entretanto, não vou alongar, queria apenas dizer que, este grito do Kaká, deve ser também de todos os filhos de Djarfogo, servindo de apelo à preservação de todas as manifestações culturais da ilha. Alguém já dissera que "por meio de estudos antropológicos é possível conhecer e valorizar a cultura local criando uma identidade colectiva entre os vários grupos, para que se afirmem na sociedade, enquanto sujeitos utéis e autónomos". A valorização das manifestações linguísticas, folclóricas, artesanais, arquitectónicas, da ilha do Fogo pode contribuir para o crescimento económico e para reforçar a auto-estima dos foguenses - mas deve também servir [como bem disse o articulista] para não "aceitar de ânimo leve algumas formas de movimentações externas que, ameaçam reduzir a expressão da nossa língua [cultura] e, com ela, eliminar as riquezas nela contidas".
Reply Djuze D'erriba
07:34 AM on February 24, 2010
Ja dei um olhar transversal ao artigo e o mesmo esta me parecendo interessante.Depois volto para reler e reflectir melhor sobre os aspectos pertinentes do artigo.Uniformizar a forma como nos expressamos atravez do ALUPEC ate que faz sentido, mas sofocar as outras riquezas dialectais do Pais por meros caprichos e conviniencias Tribais de um pequeno grupo....!!!!!

Continue meu grande amigo.Estas no caminho certo.Djarfogo pa ribal tudo.
Reply RODJO
04:54 PM on February 23, 2010
Ja eu dizer e tornar repitir. Fogo nao ter deputado cumpitento. Ilha que tener deputado es S. Antao. Viva Jorge Santos e Armindo Mauricio que tudos lutar pra tener Santonensos pariba de tudus e de todos. Tus ficar com medos de Inocencio que taponiar tus e mangar de tus.
Tus ficou com rabos metedos nos caderas com medos de Zemas dar mais otrus xutos nos caderas.
Trumodis es simen. " Nhos sta dixa Djarfogu xeiu di briginha. Manba nhos perdi koraji y orgudju di nos Fogu!?
Reply NAPOLEAO
02:33 PM on February 23, 2010
Interessante, embora existe muita coisa por fazer a esse respeito. Obrigado Caca
Reply Zelito
08:36 AM on February 23, 2010
Viva deputado Jorge Santos que cria respeito e presa no Paicv para ilha de S. Antao.
Reply Zelito
08:25 AM on February 23, 2010
Ola fogueros!
Nhos odja na undi promesa ta cumprido.....
Porto Novo, 23 Fevereiro ? O Governo já assinou com um consórcio luso-cabo-verdiano, liderado pela DRTH e Empreitel Figueiredo, o contrato de adjudicação das obras da modernização e expansão do porto de Porto Novo, na ilha de Santo Antão.

A 1ª fase das obras de expansão e modernização do porto terá início a partir de 1 de Março próximo, com a montagem do estaleiro, e ficarão concluídas dentro de 20 meses, conforme as indicações e previsões do Ministro de Estado das Infra-estruturas Transportes e Telecomunicações, Manuel Inocêncio Sousa.

Depois de remodelado, o Cais do Porto Novo passa a contar com mais 50 metros de comprimento, passando a ter capacidade para receber ao mesmo tempo dois navios (roll-on, roll-off), e ainda dois outros de mercadorias.


As obras estão estimadas em 2,5 milhões de contos cabo-verdianos, financiados pelo governo Português através de uma linha de crédito.

A remodelação do Porto de Porto Novo enquadra-se no programa do governo que visa dotar o país de infra-estruturas portuárias modernas e capazes de responderem os desafios do desenvolvimento.


P. Neves
Reply Manuel
08:30 PM on February 22, 2010
Pois é, bem escrito e dito, Sr. Kahká, devemos sim preservar o crioulo foguense. Mas antes de pedir isso ao governo, vamos lá pedir-lhe que implemente todos os projectos infraestruturais que vem adiando desde de 2001. Depois da estradazinha no aeroporto de São Filipe, agora vai o governo construir novo aeroporto em Santo Antão http://noticias.sapo.cv/inforpress/artigo/4400.html, logo depois de ter assinado acordo para expansão do Porto Novo, enquanto isso o Vale dos Cavaleiros, é cada dia mais espelunca. É por essas as razões que o foguense emigrou para SV dando lugar ao seu povoamento, pois neste país, a sul existe uma única ilha, Santiago, enquanto que as ilhas do norte vão se afirmando. Observem que duas importantes figuras dos maiores partidos de CV, PAICV (SG. Armindo Maurício) e MPD (VP. Jorge Santos), por ironia, são irmãos e ambos de Santo Antão. Não dão tréguas aos respectivos partidos enquando for governo para materializar os interesses do norte. Desde quando ouviu-se alguém do Fogo a fazer exigências ao seu partido, em favor da ilha do Fogo ? Nem em termos de criação de emprego, quanto mais para a defesa da questão cultural e linguística da ilha. O Kahká por acaso já imaginou ter no governo do PAI um Ministro da Cultura do Fogo ? Um Ministro de Estado, das Infraestruturas e dos Transportes do Fogo ? Um Ministro das Finanças do Fogo ? Essas sim são pastas que fazem diferença, as demais são bagatelas! Nem mesmo para nos libertar do Eugénio Veiga, o célebre ditador foguense, JMN pensaria nisso.
Reply Remoaldo Cardoso
06:39 PM on February 22, 2010
Sem preconceitos politicos, eu desejaria que virassemos manduco uma pagina de ouvir... digo ouvir. E se alguem tem coisa que nao acredite que diz... Sem dizer mal. Porque pouca gente da minha vida ve a Ilha Brava, a nao ser que aponte o dedo na mesma dirteccao cardial que eu vejo. Experiencia: Se esta em qqr parte do mundo. Desenha o campo de futebol 5 de julho no fogo, pergunta onde esta Santa filomena e pelo menos 10 pessoas. Diz-me se estou ou nao certo. So que estou na Brava!
Reply Remoaldo Cardoso
05:44 PM on February 22, 2010
Tu tens muito para dar.Quem nao der, mesmo que tem, fica na mesma.Dar, nao e sacraificar, pelo menos falando.Pq se fala ate a tomar um grogo. Destes muito nisso, e se calares direi que ninguem tem ouvido, nem para ouvir o que nao existe. Porque de nao existencia eu vivo e estou... todos os dias. Continue...