|
|
Bastam os poemas de amor, os namoros de São Valentim, o Carnaval e a Lua-de-Mel. Certo que esta útima vai continuar, mas para outro dia. Como dizem os Italianos, “É Tutto Finito!” Quase…
Vamos ao assunto que, sinceramente mais me preocupa como cidadão cabo-verdiano: A problemática da ilha do Fogo. Não vou comentar os meus artigos anteriores sobre esta minha querida ilha, nem dos interessantes artigos de outros conterráneos meus. Contudo, quero deixar aqui bem claro que estou certo de que os Foguenses - quer em Cabo Verde quer na diáspora - não irão, de forma alguma, ficar de braços cruzados, vítimas de pizadelo, discriminação e de quase-total “abandono” pelos vários governos sucessivos deste país. Senão vejamos:
Segundo a INE (Instituto Nacional de Estatísticas), o analfabetismo é ainda um fenómeno preocupante na ilha do Fogo. Nesta ilha, cerca de 30% (quase 1/3) da população de idade igual ou superior a 15 anos não sabe ler nem escrever, o que representa cerca de 9,6% da população analfabeta do país. Fogo tem assim uma taxa de analfabetismo superior à média nacional que é de 25% e é a segunda ilha com mais elevada taxa de analfabetismo em Cabo Verde.
No concelho de São Filipe cerca de 29% da população de idade igual ou superior a quinze anos não sabe ler nem escrever, proporção essa que atinge 31% no concelho dos Mosteiros.
Também na ilha do Fogo o analfabetismo afecta mais as mulheres do que os homens. Assim de cada 100 analfabetos dessa ilha 71 são mulheres e 29 são homens. A nível nacional 69,5% dos analfabetos são mulheres e 30,5% são homens. Não contrariando a tendência a nível nacional, o analfabetismo tem maior incidência no meio rural nos Mosteiros como em São Filipe.
Enquanto que a nível nacional 40,7% dos analfabetos vive no meio urbano e 59,3% no meio rural, em São Filipe apenas 21,4% dos analfabetos vive no meio urbano e cerca de 78,6% vive no meio rural. Nos Mosteiros há ainda uma muito maior disparidade, pois de cada 100 analfabetos, apenas 2 vivem no meio urbano e os restantes 98 vivem no meio rural.
Também segundo o Censo 2000, na ilha do Fogo 9,1% da população de idade superior ou igual a 4 anos não tem qualquer nível de instrução ou seja nunca frequentou qualquer estabelecimento de ensino.
No que diz respeito à população com frequência escolar, também no Fogo é ainda pouco expressivo o impacto da expansão do ensino secundário. No concelho de São Filipe, cerca de metade (50%) da população de idade igual ou superior a 4 anos tem como nível de instrução o Ensino Básico Integrado (EBI), ou seja frequentou e permaneceu ou anda a frequentar o EBI, cerca de 13,6% tem nível equivalente ao Secundário, 4,1% dessa população tem a Pré-escolar, 3,3% tem a Alfabetização e apenas 0,6% tem nível Médio ou Superior.
Nos Mosteiros apenas 0,3% da população de idade igual ou superior a 4 anos tem o nível de instrução Médio ou Superior, cerca de 10,7% dessa população tem o nível Secundário, pouco mais de metade (52,3%) tem o EBI, 3,4% tem a Alfabetização e 4,4% tem o nível Pre-Escolar.
Barreira
Um grande número de jovens Foguenses que emigram para os Estados Unidos, de idade compreendida entre 14 a 18 anos, não sabem ler nem escrever e são técnicamente obrigados a continuarem os seus estudos no país acolhedor. Muitos desses jovens – segundo seus próprios depoimentos – abandonam os estudos académicos 3 ou 5 anos antes de tomarem o Visto para os Estados Unidos. Ora, com uma simples subtracção básica podemos concluir que o pobre jóvem deverá ter abandonado a escola aos 11-12 anos!
Agora pergunto: Como é possível hoje, uma criança de 11-12 anos de idade em Cabo Verde abandonar seus estudos sem que o pai/mãe, encarregado de educação, aldeia/comunidade, dirigentes locais, profesores e directores escolares tenham conhecimento? Como é possível deixar passar tudo despercebido? O que faz a criança durante o dia? Trabalho infantil? Quem são os responsáveis? Onde estão os pais/encarregados de educação, dirigentes locais e directores escolares? Que medidas deverão ser tomadas para corrigir esses erros? Apontar o dedo e exigir demissão do Director Escolar ou da Ministra da Educação?
Na senda da modernização, as mudanças deverão conferir qualidade ao Sistema Educativo – Básico, Secundário e Superior. Neste contexto, é imperativo o Governo desenvolver programas de melhoria da qualidade e da equidade na educação, adoptando a eficácia e eficência, adoptando os seguintes princípios orientadores verificados nos programas do Governo 2006-2011:
1. Da qualidade, deslocando-se o foco para o processo e resultados da aprendizagem;
(ii) Da equidade, implicando uma grande sensibilidade institucional para as diferenças locais e sociais no acesso à educação, dando uma atenção especial às regiões e grupos sociais menos favorecidos;
(iii) Da pertinência social e económica traduzindo-se numa procura constante de ganhos sociais e económicos para Cabo Verde e para os cabo-verdianos;
(iv) Da comparticipação das famílias nos custos e na gestão e tomada de decisões;
(v) Da descentralização responsável e progressiva da gestão do sistema educativo de acordo com as potencialidades e capacidades das autarquias locais;
(vi) Da parceria social, através do apoio às iniciativas privadas a todos os níveis do ensino, incluindo o superior.
Estamos perante uma aula de Doutrinas Sociais, digo eu. Estamos fartos de teoría, meus irmãos na fé... e, decerto que se Cabral estivesse vivo, nada ficaria satisfeito com os dados negativos acolhidos pela INE ! Na realidade, estamos fartos, fartíssimos, das promessas feitas e não cumpridas. Ponhem-nas em prática! Só assim terão um bom queijo, vinho e café do Fogo! Dizemos nós!
by: Dr. Azagua
Fonte: FORCV.COM
Categories: Artigos

Djuze D'erriba says...
Oh Dr. Azagua, permita-me, com aquele devido e cordial respeito de sempre, dizer-lhe que não sou AL. Binda coisíssima nenhuma. O meu orgulho de homem de campo, de lá das Erribas, lá do lado das serras castanhas do Djarfogo, ( vá lá ver e matar saudades dos gumes altivos dessas serras castanhas no Google earth) bem cedo na vida, me ensinou que não se deve roubar protagonismos aos outros. Portanto não sou Al. Binda como pretendes pensar. Aliás todo o mundo sabe qual e a posição politica do Al. Binda. Vá lê-Lo no ASEMANA.
Com relação ao Napoleão. Sim estou de acordo que se devem apresentar as fontes donde foram recolhidos esses famigerados dados. Mas primeiro, Que Napoleao, enquanto medeador do site, exija que o Azagua as apresente já que foi o primeiro a avançar com os dados. Até porque faz mesmo sentido uma vez que ele afirma que esses dados são apenas a ponta do ?Iceberg?.Queremos ver então o verdadeiro iceberg. Onde está o Iceberg?