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Não é preciso estar doido, para escrever coisas doidas. Mas, quiça, é necessário ser do Fogo.
Sonhei hoje, que eu estava a sonhar. Era no ânus da madrugada do dia 31 de Janeiro de 2010. Sonhei ao pesadelo! Tratava-se de uma vil prática de ajuste-de-contas, virtualmente, com uma sujeita, de que nem por pensar conheci, e da qual, por sinal, tornei-me uma vítima. Nessa ordem de ideia, podia-se afirmar, com honra, de que nunca houve qualquer “crêncrêm” sexual com ela. Quicá, nem me lembrei de que sexo fora, a não ser de que lhe chamaram por um nome feminino...pelo que, num ápice, respondeu. Credo - em cruz - se fora do sexo oposto, coisa para se dizer aburnuncio, porque o outro lado já é a moda contemporânea.
É o que (mal) eu conto!
O indivíduo achou-se prenha e queria parir, acusando-me, todavia, de ser o pai dessa luz. Porém, não obstante quisesse ter um filho agora, negava redondamente ter esse "presente", mesmo que fosse meu inteirinho. Apetrechado e bem aparecidinho como eu, com a cabeça, tronco e membros... Com as mãos de palha, o calcanhar arriscado na perpendicular e/ou na oblíqua, os pés esburacados de ambrolho, com dedos a esflorar, desfazendo o orvalho que molha, na perigrinação o derradeiro... De cabelos como moscas ao nauseabundo... Aliás, não sonhei que sonhei e que tampouco tive relações sexuais com essa pessoa, entretanto, para minguar o caminho, não me sentira à altura de assumir essa gigantesca e imedida responsabilidade. A atitude adulta dela, digamos, estava fora da que eu preferia, aceitava e apadrinhava para ser uma mãe neste milenio...
Como que para lhe fazer o gozo, já que a estória era acaso e não podia ter sentido, no mesmo sonho retalhei-lhe com uma poesia, da qual transcrevo, o que como o residuo, ainda recordo:
Nunca podes ser uma família
nem que for só por um dia
ao menos podias dar-me a alegria
em estar na minha companhia.
Saistes... da minha filosofia
para não ficares na nostalgia
ao menos fizestes essa mania
de mim nunca vais ter uma fatia.
Fizestes isso... sua ninharia
quando sabias que eras para-titia
não me levas ainda para agonia
porque em mim não existe anarquia.
Do mundo com a palavra se fia
porque ali há muita porcaria
mesmo para quem chamam Maria
que para ela criaram estribaria.
Com essa sua historiazinha
de para-titia fostes para minininha
em vez de te chamarem Quinha
passam a chamar-te Fatinha...
Não mudastes nem para “ ia” ou para “ inha”
porque ao diabo levarás a (a)mante-nha...
E eram mais... estrófes. E como não dá para ir ao fim, paro!
E... ela pariu.
E o “coisa” cresceu-se tão depressa que em segundos virou menino a gatinhar e a chamar pápá... Como se eu o fora! Todavia, ela fê-lo sem pensar nas responsabilidades e nas consequencias que isso teria numa criança, sem um pai ao lado, votada a crescer e a conhecer o mundo, do tamanho que é agora. Por isso, sem analisar as consequências e sem alternativas, resolvi aceitar a paternidade.
Tive que aceitar porque ela ameaçou-me que se não o aceitasse como meu filho, o ia botar numa rocha abaixo. Acabei por lhe dar crédito e aceitar. A discussão, diria, fora sem tréguas e sem precedentes... E eu tinha que faze-la parar. Nunca vi nada do mesmo jeito. Numa luta sem esconder esforços, tentei segurar o menino que ela tentava atirar rocha abaixo. Aí começamos a lutar desenfreadamente: Eu puxava e segurava o menino para um lado com o propósito de não o deixar ir, e ela, por outro, a esforçar para mo tirar e pensar, sem dó, em botá-lo... À força! E fé-lo!!! Aconteceu quando decidi deixar a criança porque já não queria maguá-lo, de tao brava que era a luta. Largava-o pouco a pouco. Ela também, assim fazia, mas com outro proposito.Por isso, enganando-me, deixou-o cair. Aconteceu! Que desespero! Para o lugar mais (ino)portuno para nós dois! Como ela anticipadamente planeou lá foi a criança, sem a minima remissão e amparo, para o "destino" abaixo. Deixou-a cair para me culpabilizar, perante as testemunhas que à distancia observavam, de liquidar o menino que, redondamente, eu negava ser meu. Gritos e alaridos, por mais sagrados que foram, não fizeram a criança voltar do inferno para onde a mae lhe mandou... Em decadência!
Desta feita, ela abeirou-se do meu ouvido, murmurou para mim, dizendo que planeou aquilo, e que, agora, a cadeia me reservara o melhor lugar para a minha sesta. Que agora ela podia fazer o que quisesse, sem que eu possa saber e a impedir...que os meus longos anos no cárcere lhe davam todo o tempo (o mundo e fundos) para fazer o que algures sonhou e implorou fazer.
Não podia defender-me, e nem havia uma chance sequer. A minha vida tinha que se resumir na prisão, sem a minima culpa e sem qualquer razão. E ela livre, nessa selva, conforme tinha planeado e conseguido. Por fim acordei, contudo, sem a cólera.
Sonhei que estava a sonhar e acordei.
Por: R.Kardozu-31-01- 2010
Categories: Artigos, Remoaldo Cardoso
