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"Se os teus projectos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, instrui o povo." (Provérbio chinês)
A pobreza, a alteração climática e a crise financeira, foram temas de debates durante a 40ª edição do Fórum Económico Mundial, que teve início no dia 26/1, em Davos/Suiça.
Os temas, todos eles interessantes — entretanto, aqui, de forma sucinta, vou-me reflectir apenas sobre um deles – a pobreza, pois considero que o combate a esse mal que assola cerca de 30% da população caboverdiana e cerca de metade dos foguenses deve continuar a ser o ponto 1 da agenda dos nossos governantes, tanto a nível local e nacional.
Neste textozito, não vou apontar quais os ganhos que o País obteve nestes quase 35 anos enquanto república. Vou sim, enveredar pelo binómio educação/pobreza, mas de forma superficial. Para me situar, faço uso das palavras do Bill Clinton (ex-Pesidente dos EUA) ao Fórum de Davos — “...a educação e a formação é o caminho prioritário e essencial para sair da pobreza...”, do Shimon Peres (Presidente do Israel) — “... não são os bolsos que enriquecem o nosso cérebro, é o cérebro que enriquece os nossos bolsos...” e bem assim do Timothy Berner-Lee (Drector da World Wide Web Consortium) — “...nos Países em Desenvolvimento, o acesso à internet ainda é um privilégio, sendo usada por apenas 20 % da população mundial... ” – eu acrescentaria que destes 20%, uma significativa fatia são os governantes, que não poucas vezes passam parte do seu tempo à frente do computador a jogar “solitário”!
Pois bem, em Janeiro último vi escrito algures na Página Oficial do Governo de Cabo Verde que, teve lugar na minha/nossa ilha do Fogo — a inauguração, nos Concelhos de São Filipe, Mosteiros e Santa Catarina, do Sistema de Informação Municipal (SIM) e das praças digitais de São Filipe e Mosteiros, presumo que a de Santa Catarina (também anunciada), ficou por inaugurar — quicá numa outra data, possívelmente.
Sem rodeios, digo vos — à semelhança de muitos filhos, nas ilhas e/ou na diáspora, fiquei maravilhado com a notícia, aliás aqueles que me conhecem mínimamente conseguem imaginar qual é o meu estado de espírito ao escutar notícias dessa natureza para Cabo Verde em geral, mas em especial quando se refere à ilha do vulcão. Entretanto, fiquei a pensar — até que ponto a chegada do SIM e das praças digitais vão colocar a ilha do Fogo em pé de igualdade com as demais (?), por um lado, e apoiar no combate à pobreza (??), por outro. Com optimismo e apoiando as boas práticas em todas as ilhas/concelhos — a verdade é que, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), por si só, não chegam para a promoção do desenvolvimento da ilha do Fogo — sendo que, o atraso de Djarfogo é de natureza complexa — passando pelo elevado déficit de infraestruturas físicas, fraca cultura de inovação, atitudes de gestão mal adaptadas à realidade económica local, frouxo posicionamento dos políticos locais, lacunas em matéria de qualificação e de formação, entre outros factores.
Reconheço que, o recurso às TICs poderá permitir encurtar o tempo, facilitar o diálogo com as demais Partes, promover a eficiência e eficácia dos utentes camarários e não só, mas sem um forte investimento na educação, a população continuará de bolsos vazios, pelo que, ainda que venhamos a ter praças digitais em todos os povoados, a maioria dos filhos da ilha não colherá os seus frutos!
A ilha do Fogo precisa de portos, de aeroportos e de estradas modernas, da promoção do empreendedorismo, do reforço à componente turística, da valorização do património local, da promoção de actividades rurais, mas mais ainda, precisa de investir na formação dos seus filhos – pois, este sim, é um investimento de longo prazo. Porém, a disponibilização de infra-estruturas, embora importantes, não basta – existe necessidade de traduzi-las em aplicações e serviços – estes sim geradores de riqueza – contribuindo para a redução da pobreza e da exclusão social.
A todos os foguenses um Feliz Ano do Tigre!
Categories: Francisco Mendes
