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Manuel Reis, apoiando-se numa noticia do jornal ASEMANA, produz um excelente artigo que deixou-me pensativo e reflectivo, tal é a estrutura lógica e a inteligência com que apresenta os seus pontos de vista sobre um assunto muito oportuno. Como factos dessa natureza sempre despertam interpretações relativas, resolvi fazer um comentário ao referido artigo, que por fim, veio a dar no seguinte:
Caro Manuel, este seu excelente artigo é deveras inteligente. Mas, devo, no entanto, opinar sobre aspectos que me sugeriram outras interpretações.
Você faz abordagens, centrando-se no seu entendimento sobre o comportamento do Luís nas ultimas autárquicas, inferindo-se, depois, no seu oportunismo em querer regressar ao partido. Pelas referencias que trouxe da noticia da ASEMANA, não se vislumbram essas pretensões do Luís, mas sim, um convite que parte do partido. O interesse parte do partido, até porque, o Luís nem sequer reagiu, pelo que sei (talvez existam outras informações). A partir dai, faz algumas observações que não parecem justas. Pois, alguém que abandona o poder por conflito de princípios não pode ser acusado de sede de poder porque é mais confortável estar-se quieto e estabelecido do que entrar nestas contendas- (Quero deixar claro que não faço juízo de opinião sobre quem esteve certo ou errado, que nem defendo uma posição em relação a outra e nem pretendo significar que quem esteja no poder esteja la por interesses. Apenas quero compartilhar outras possíveis interpretações).
Sendo essa tentativa de aproximacao de origem partidária, será ela ilegal e/ou imoral?
Como você observou, o PAICV, como qualquer outro partido, deve cultivar a união e não conflitos internos. Se foi fácil concluir que o regresso de Luís, que simboliza o mesmo processo de centenas de militantes, pode prejudicar essa unidade, também, ele pode ser visto como um passo definitivo para a solidificação dessa mesma unidade. Essa ruptura existiu por causa de incompatibilidades entre alguns militantes e pela existencia de um processo a que certos interpretaram como exclusivas. Alguns sentiram-se excluidos, nao se considerando, pois, desertores. Nao creio ter existido uma ruptura ou negacao ao partido, por parte dos militantes que se sentiram fora do partido. Um jovem quadro como você, aberto e disposto ao dialogo, estará na liderança da fileira dos que defenderão esta resolução com a finalidade de promover uma instituição aberta e disposta ao dialogo e reconciliação.
Afinal, como diz o titulo do seu artigo, o objectivo final dos partidos políticos é o poder, sendo as lutas meras estratégias. O GIGA conseguiu mais de dois mil votos no universo de São Filipe. Como nenhum dos dois grandes partidos estão indiferentes a forca do movimento, posicionam-se para dali tirarem o maior retalho possível. Neste contexto, se entende o convite do PAICV como uma tentativa de aproximação. O movimento de Luis Pires, consciente da sua forca, vai entrar nas negociações e fazer exigências. Se não o fizer com um partido, será com o outro.
Nessa estratégia, não havendo obstáculos estatutários, o que impedirá o partido de aceitar o regresso de centenas de militantes? A lei ou a moral? Sendo “papista”, defenderia a união não só de dois, mas de todas as forcas politicas existentes, para o bem da nossa ilha. Mas, o sentido que orienta os partidos, referindo-se mais uma vez ao titulo do seu artigo- é a luta pelo poder, e os militantes estarao conscientes disso.
Para finalizar, Peco a sua permissão para:
- Usar umas perguntas inteligentes feitas no seu artigo - “quem ganharia com esse regresso?”
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- E terminar, usando os ultimos paragrafos do seu artigo:
“Vale a pena cria mas feridas no fogo em torno donosso partido?
Acredito sim que os verdadeiros militantes eamigos estão e estarão atentos e em uníssonos saberemos fazer ouvir as nossasvozes como forma de combater qualquer que seja oportunista e que estariadisposto a pôr em choque o bom nome e a Verdadeira ideologia do PAICV.
Estarei sempre atento neste novo estádio deinteresses que o nosso partido se tornou, naturalmente que nem todos terão umlugar cativo nesta luta de interesses e pelo poder.
Muitos filhos pródigos quererão de certeza emforma de cordeiro fazer parte desta luta sem tréguas, o que me preocupa, pois,alguns sairão magoados, outros desiludidos e outros injustiçados.
Verdadeiros militantes nunca tiveram sede dopoder, pelo contrário ajudaram a fortalecer com diálogo, liderança e posturadigna de um Cabo-verdiano batalhador e pronto a dar o seu contributo,respeitando as directrizes políticas do partido como forma de o tornar cada vezmais a força politica motora de crescimento ideológico e um viveiro de ideiascapaz de fazer do Homem Cabo-Verdiano mais respeitado e livre.”
Categories: Artigos, Claudio Fonseca (Khacka)
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