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Huaxi : A aldeia que j? foi pobre

Posted by Francisco Mendes on December 6, 2009 at 4:05 AM

Podia aqui vos falar de algumas das grandes cidades chinesas, tais como, Shanghai (Xangai), Beijing (Pequim), Hong Kong, Shenzhen, Macau, etc., mas não me apetece. Estas são realidades conhecidas por muitos e as informações de fácil acesso. Histórias distintas é certo, mas têm todas algo de comum – foram aldeias agrícolas e/ou pescatórias que, ao longo dos anos se fizeram cidades.

 

Quero, vos falar de uma aldeia, pois sim de aldeia, mas não de aldeia qualquer - podia ser da minha aldeia - Roçadas - mas não é – quero vos falar da aldeia mais rica da China – a aldeia Huaxi. Para muitos é uma aldeia desconhecida, mas que talvez mereça ser conhecida, pois tem as suas particularidades. Quero entretanto deixar claro que, nem tudo o que aqui vai escrito me atrai. Alguns excertos até me suscitam dúvidas e um olhar crítico, mas é sem dúvida, uma experiência de desenvolvimento local atípica e por isso achei interessante compartilhá-la convosco.

 

Em 1961, a China saía da fracassada tentativa de industrialização – conhecida pelo «Grande Salto em Frente (1958-1960)» e se caminhava para a «Revolução Cultural (1966-1976)», que culminou com a destruição da elite intelectual em nome da idealização do campo. Huaxi, uma pequena aldeia com 667 moradores no fértil Delta do Rio Yang-tsé (sudeste da China), ousou violar as directrizes do partido comunista e criar uma fábrica de parafusos e de ferramentas agrícolas, para suprir as necessidades locais e da região vizinha. “Quando os funcionários do partido vinham visitar a aldeia, fechávamos as janelas da fábrica e corríamos para a roça”, contou aos médias, Wu Renbao, ex-secretário-geral do partido (noutras palavras, chefe da aldeia) entre 1961 e 2003, após ser sucedido no cargo pelo quarto filho, Wu Xieen, actual líder de um Comité, em que 11 dos 50 membros são da mesma família, entre os quais filhos, sobrinhos, genros etc.

 

"Trabalhávamos 15 horas por dia", recorda Wu Renbao. A propriedade da fábrica clandestina, assim como a receita de suas vendas, era repartida em forma de acções, sob o princípio de «quem mais produz mais ganha», um autêntico contraste com o sistema adoptado pelos comunistas/socialistas de então.

 

Em 1976, 380 famílias representando 1500 moradores de Huaxi (outros não quiseram se arriscar) fizeram o que modernamente se chama «aporte de capital» ou seja «injectar dinheiro» em linguagem vulgar na sociedade, tendo cada um desenbolsado 2000 yuans (cerca de USD$300).

 

No ano seguinte, a directriz do partido era/foi para a distribuição das terras, até então propriedade estatal, entre os camponeses para o cultivo. Uma vez mais, Wu Renbao e os seus sócios fizeram orelha mouca ao partido e decidiram que a terra deve permanecer sendo parte dos activos da empresa.

 

Após a publicação de um estudo do ideólogo comunista Hu Fuming, em 1978, apelidando Huaxi de «aldeia número 1 do mundo», o então líder chinês Deng Xiaoping, visitou a aldeia em 1979, e, atribuiu a Wu Renbao, o título de «líder da aldeia número 1 do mundo», meses depois de ter lançado a política de reforma e abertura inspirada na economia de mercado que, no fundo, eram já praticadas na aldeia há cerca de 17 anos.

 

Huaxi é hoje um conglomerado de 20 aldeias e 60 mil habitantes (35 mil residentes e 25 mil trabalhadores imigrantes), mas resiste a tornar-se município, para não perder o título conquistado. A empresa, ainda administrada pelo Comité local do Partido Comunista, virou uma holding de 80 fábricas (em sectores que vão da siderúrgica aos têxteis), além de investimentos imobiliários e agronegócios, tendo facturado em 2008 mais de 50 bilhões de yuans (US$ 7.35 bilhões) e pago aos cofres do tesouro mais de 1 bilhão de yuans em impostos. Os 1.500 acionistas fundadores agora dividem as suas acções com os investidores da Bolsa de Shenzhen, onde  a empresa está cotada desde 1999.

 

De uma pequena comunidade agrícola rural transformou-se num centro industrial de alta tecnologia. Hoje, Huaxi tem activos fixos acima dos 9.8 bilhões de yuas (cerca de 1.4 bilhões de dólares), com mais de 50% provenientes da indústria do ferro e do aço. O desenvolvimento faz-se essencialmente importando matérias primas, maioritáriamente da India e do Brasil e exportando produtos manufacturados para mais de 40 países e regiões, segundo Yang Yongchang, Director Geral da Companhia Huaxi Jiangyin Ferro e Aço.

 

A renda per capita dos residentes de Huaxi está a volta dos 100 mil yuans (US$ 14.700), uma das mais altas da China. Todas as famílias têm pelo menos um carro, e não falo de carro qualquer, falo inclusivé de Mercedes, BMW e Cadillacs, mas falo também de uma residência cuja área mínima é de 400 m², bem como serviços de saúde e educação 100% gratuítos. As crianças de Huaxi desfrutam não só de salas de aulas bem equipadas, de programas de ensino bilíngue Chinês/Inglês, mas também de oportunidades de brincarem em parques de diversões com réplicas do Arco do Triunfo, do Capitólio, da Estátua da Liberdade, da Casa de Ópera de Sydney, e pois claro da Praça Celestial (Tiananmen) e da Cidade Proibida. O raciocínio por detrás deste parque temático, cujo a construção iniciou-se em 1990, é que, se a população de Huaxi está trabalhando, não tem tempo nem capital para viajar para o exterior e ver o mundo, os ícones do mundo deverão vir até Huaxi. Tais ícones funcionam também como atractivos para a vinda de turistas de outras regiões do país.

 

Mas essas mordomias têm um preço. Os fins de semana são inexistentes, trabalha-se sete dias por semana. No entanto, se há algo importante para se resolver, o trabalhador tem direito a uma licença justitificada para ir tratar dos seus problemas. O trabalhador, pode sempre que necessitar, solicitar um dia de folga a que tem direito. Uma outra questão não menos importante é que, o residente que deixar a aldeia perde (quase) tudo : casa, dinheiro, benefícios sociais ... ademais, jogos de azar e drogas são restritamente proíbidos e qualquer um que se dedicar à especulação será expulso da aldeia, e seus bens confiscados, mas, os aldeões não vêem nenhum inconveniente nisso tudo, pois, o objectivo maior é atingir os patamares de Shanghai, Hong Kong e Pequim, pelo que não tencionam abandonar a aldeia...pelo menos enquanto a felicidade é proveniente dos bens materiais.

 

Wu Renbao, o antigo chefe da aldeia é hoje considerado um herói nacional e Huaxi, o ideal de prosperidade e qualidade de vida no campo perseguido pelos líderes chineses. Por determinação do governo central, 10 mil quadros de outras aldeias vêm recebendo formações na aldeia, para aprenderem as experiências do desenvolvimento da mesma, tendo sempre em mente, que o desenvolvimento faz-se com base nas potencialidades de cada região, não através de cópia deste ou aquele modelo.

 

Em 2008, o capital disponível da aldeia atingiu 3.5 bilhões de yuans e as expectativas é de atingir os 5 bilhões em 2011, data dos 50 anos da fundação da aldeia, pelo que, a 18 de Outubro do corrente ano, foi fundada a Huaxi Group Finance Ltd, uma empresa no sector financeiro que tem como objectivo principal ajudar o governo local a enfrentar a crise financeira internacional e bem assim identificar novas oportunidades para garantir vitalidade e desenvolvimento da economia local. Wu Xieen disse na altura estar esperançoso em torná-la na empresa líder de prestação de serviços financeiros da província de Jiangsu, uma das mais prósperas do país.

Categories: Francisco Mendes, Artigos

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1 Comment

Reply Kaka
03:52 PM on December 12, 2009 
Um artigu inpurtanti, prinsipalmenti pur ter konpartilhadu xperiensia di otus ki ten konsigidu susesu ku algun xforsu i kriatividadi. Que venham mais.