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PAICV E A LUTA PELO PODER

Posted by Manduco on December 4, 2009 at 1:43 PM

MANUEL REIS

 

A ideologia política de uma classe revela aspectos marcantes que a mesma pode produzir no seio de um grupo ou de uma sociedade.

 

Basta fazermos um retrocesso às histórias sejam as recentes ou não para podermos confrontar e facilmente enquadrar o momento actual do nosso partido (PAICV) com uma perspectiva futurista, tendo em conta os próximos cenários.

 

O homem pode ser dogmático, porém, a sua postura leal e sincera é que o faz ter sempre um espaço e cativar apoios e elogios face a cada momento da sua intervenção ou de acção.

 

Como é sabido o PAICV é um partido que prima pela liberdade de escolha e os seus verdadeiros militantes sempre foram firmes mesmo nos momentos da travessia do deserto o que demonstra uma grande militância e simpatia. Outrossim, pelo que eu saiba, qualquer forma de se fazer política é orientada por um conjunto de normas/ regulamentos estatutários como forma de regular, orientar as directrizes políticas do partido e de seus líderes e militantes.

 

Face às notícias vinculadas pelo A Semana de 6 de Novembro sobre o convite ao Luís Pires ao Congresso do Partido, fiquei estupefacto e atónito perante o cenário que se deslumbra, naturalmente por várias razões.

Ninguém pode refutar que este senhor se desvinculou do partido porque entendia que era a solução à sucessão do Eugénio Veiga, criando assim um grupo de dissidentes que podia custar caro ao PAICV e às estruturas de base em S. Filipe e no Fogo.

 

Enganado como sempre e na sombra da estrela negra quis ser César, no entanto, esqueceu-se que o que detinha de nome era fruto do partido e os cargos de confiança foram em função da ligação com o governo e o partido que o sustente e, por outro lado havia um Senhor que tantas oportunidades o tinha dado e até um grande espaço no seio do partido caso para se pensar não acham? O discurso por ele feito foi sempre que não comprava votos de defuntos e nem comprava consciência dos eleitores com vergas e cimentos, pudera, se o mesmo não estivesse oito anos do mesmo lado com PAICV. Um outro aspecto interessante é que o próprio, então Delegado do MEES em S. Filipe quis que muitos dos professores deixassem da militância activa do PAICV para se juntar à sua lista alternativa, logicamente que era membro de confiança do governo. Assim é ser serio não acham?

 

O ponto fulcral desta minha chamada de atenção é para termos em conta um futuro cenário que seria de um lado um grupo que apoiaria o seu regresso e, do outro assim como eu , não o faríamos.

Naturalmente vincular ou desvincular de um partido é um processo livre, porém, deve ser de acordo com o estatuto e não pode existir qualquer processo em separado tendo em conta a vantagem pessoal de qualquer um em detrimento dos valores políticos e morais do partido.

Eis algumas questões que gostaria de compartilhar com os amigos, membros e militantes do nosso partido.

 

Qual é vantagem do seu regresso no momento que o partido precisa de união e não de conflitos interno?

O PAICV ganharia tendo Luís Pires e provocando duas alas no seio do Partido mesmo perante os próximos embates que se avizinham?

 

Quem ganharia mais? O nosso partido, MPD ou o próprio?

 

Será que perante o discurso feito estaria de bom agrado na mesa com os verdadeiros militantes e amigos do PAICV?

 

Que modelo de militantes queremos nas fileiras do partido? Que valores políticos e morais pretendem incutir nos jovens quadros do partido? Onde podemos enquadrar as ideologias defendidas pelo PAICV na criação de valores morais e políticos a bem da formação da nossa sociedade?

 

Vale a pena cria mas feridas no fogo em torno do nosso partido?

 

Acredito sim que os verdadeiros militantes e amigos estão e estarão atentos e em uníssonos saberemos fazer ouvir as nossas vozes como forma de combater qualquer que seja oportunista e que estaria disposto a pôr em choque o bom nome e a Verdadeira ideologia do PAICV.

 

Estarei sempre atento neste novo estádio de interesses que o nosso partido se tornou, naturalmente que nem todos terão um lugar cativo nesta luta de interesses e pelo poder.

 

Muitos filhos pródigos quererão de certeza em forma de cordeiro fazer parte desta luta sem tréguas, o que me preocupa, pois, alguns sairão magoados, outros desiludidos e outros injustiçados.

Verdadeiros militantes nunca tiveram sede do poder, pelo contrário ajudaram a fortalecer com diálogo, liderança e postura digna de um Cabo- verdiano batalhador e pronto a dar o seu contributo, respeitando as directrizes políticas do partido como forma de o tornar cada vez mais a força politica motora de crescimento ideológico e um viveiro de ideias capaz de fazer do Homem Cabo-Verdiano mais respeitado e livre.

 

 

 

11:53 AM on 12/04/2009

 

Categories: Artigos, Manuel Reis

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2 Comments

Reply Jose Mendes
09:25 AM on December 05, 2009 
Alem de em toda a campanha afirmar nos microfones as pessoas que compravam votos com cimentos e verguinhas, alem de lembrar as pessoas que tinham atestados medicos para os mortos votarem, o Luis Pires foi tambem claro a mostrar que quem tinha o concelho de S.Filipe atrazado era Eugenio Veiga, que era quem tambem estava a destruir o patrimonio arquitectonico de S.Filipe. Pena que o Luis Pires deixou que a ambicao material lhe tenha matado politicamente. Um autentico suicidio politico, ao aceitar o "acordo" que Eugenio Veiga lhe fez. Hoje nao tem moral nem coragem de fazer as afirmacoes que fez durante a campanha. Ficou amarrado. E perdeu a confianca de quantos nele acreditaram. Ficou desacreditado e descredibilizado.
Reply NAPOLEAO
02:08 PM on December 04, 2009 
Excelente artigo, Manuel Reis.
Não estou a fazer jungamento de nenhum comportamento político de quem quer que seja, mas como diz lá o ditado há muitas espertezas por aí. Se o Manuel Reis tem uma fatia de militantes que faça o mesmo. Assim poderá avaliar a reacção do PAICV em Santa Catarina.
Nhas mantenhas, temprado cu sal de Djarfogo.