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Educa??o e Cidadania _ Uma Reflex?o Necess?ria

Posted by NAPOLEAO on November 18, 2009 at 4:54 PM

 

“Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante”. Carlos Rodrigues Brandão

 

A verdadeira educação é, sem dúvida, aquela que constiui a chave mais importante do crescimento, desenvolvimento e progresso de qualquer sociedade. Todavia, para que ela atinja este objectivo terá de ser liderada/conduzida por recursos humanos preparados e capacitados em termos cintífico, técnico, pedagógico e humano.

 

Tendo como dados adquiridos que ninguém se escapa da educação, na medida em que ela é praticada na família, na sociedade, na rua, nas escolas etc. deve-se primar para que ela seja de qualidade para poder constituir um factor de crescimento, progresso e desenvolvimento. Na sequência desta premícia conclui-se que o educador é um cidadão de excelência e constitui, por sua vez, um elemento imprescindível na organização harmónica e saudável de qualquer sociedade. Mas, o educador que constitui elemento imprescindível para o progresso, crescimento e desenvolvimento da sociedade é o preparado, capacitado científico, pedagógico e humano e que está comprometido com os desafios da sociedade; é o que tem a consciência da cidadania activa e que aje em função do interesse comum. Tomando estes dois preceitos ( verdadeira educação e educador) como baluarte de crescimento, desenvolvimento e progresso de qualquer sociedade, pensamos que, tudo se deve primar pelo realismo, pelo concreto, objectivo e prático. Entretanto, sabemos que na nossa sociedade os que primam pela realidade, objectividade e práxe são apelidados de teóricos. Pois, assim pensam muitos que já se convenceram que a teoria nunca poderá corresponder a prática, que a lei não foi feita para cumprir, mas sim, para estar no papel, que a verdadeira realidade e objectividade não existem… Aliás, muitos já se conformaram com o possível, o facil, o de lucro fácil. Todavia, a verdadeira educação e o verdadeiro educador não podem/devem compactuar com esses devaneios que caracterizam a sociedade actual. Pois, a educação é um sector de excelência e o educador é, também, um cidadão de excelência. A educação e o educador são incompatíveis com tudo aquilo que deixa transparecer mediocridade.

 

Nesta linha de reflexão devemos dizer e, sobretudo alertar que no sector da educação a escolha para a composição dos orgãos centrais deve recair sobre cidadãos com competência e mérito comprovados na área e nunca, nunca mesmo sobre indivíduos que espelhem confiança ideologica de quem está no poder. Tendo os orgãos centrais compostos na base de mérito e competência comprovados na area, estes devem primar pelo rigor prático e redobrar a atenção às mudanças e transformações efectuadas nas estruturas de bases no sentido de evitarem o descompasso entre o centro e as bases da educação espalhadas nos diversos centros do país. As competências educativas já estão definidas. Aliás, estão bem claras: quais as competências dos orgãos centrais e quais as dos diversos subsectores espalhados pelo territorio nacional. No entanto, vê-se interferência de certas instituições em competências educativas reservadas aos orgãos centrais. Neste momento, percebe-se com nitidez a tentativa de muito poder local transcender o âmbito da sua competência, tomando decisões no sector da educação de acordo com interesses meramente confusos. Muitas decisões que devem ser tomadas pelos órgãos competentes credenciados para tal são tomadas pelo poder local não em função das necessidades locais. É perigoso quando na educação as decisões são influenciadas por interesses omissos! Quando assim é, o professor/educador, a sociedade civil, as famílias, as outras instituições públicas e privadas têm um papel importante na fiscalização de todo o processo que prima para a qualidade da educação no país. Afinal, a fiscalização do processo de crescimento, desenvolvimento e progresso da sociedade constitui um dever inalienável de todo e qualquer cidadão independentemente de estar ou não inserido nesta ou naquela instituição ideologica. O cidadão deve adoptar uma postura crítica em relação a tudo que não é justo, que não é transparente, que não abona a sociedade; a tudo que visa resolver capricho de indivíduos gananciosos que nunca tiveram iniciativa de se prepararem para assumir determinada responsabilidade. O sector da educação não deve ser visto como lugar de “ganha pão” ou de promoção pessoal e nem o educador/professor deve procurar o professorado como profissão. Educador/professor é vocação. Pois, quando assim é entendido e praticado, há sempre trabalho e trabalho eficaz, há responsabilidade, há competência e não há mediocridade. Muitas vezes, em conversas informais com colegas já dissemos, em função da postura de certas instituições que já começamos a perder confiança em algumas instituições e que no entanto, temos forte fé e convicção na igreja e Universidade, instituições que por essência devem ser imparciais e justas. Pois, no dia em que estas duas instituições entrarem na corrupção e mediocridade devemos, também, como cidadão desistir da crítica e de lutar, pois será o fim de tudo – (caos.)

 

A história da educação mostra-nos que no passado, alguns países, como, por exemplo, o Japão, adoptaram a educação como estratégia de desenvolvimento e foi um sucesso. Na verdade, Japão é, hoje, um país bem sucedido económico e tecnicamente. Promoveu, desde final do século XIX, uma educação baseada no mérito e na competência, capacitando seus recursos humanos internos e, ao mesmo tempo, pô-los ao serviço do crescimento, progresso e desenvolvimento do país. Convêm realçar que Japão só conseguiu tal sucesso devido ao uso racional dos recursos naturais que eram escassos e dos recursos humanos internos bem preparados. Só assim, a educação pode, como frisamos no início, promover crescimento, desenvolvimento e progresso. Mas, a educação que promove crescimento, progresso e desenvolvimento é a verdadeira e sofisticada; inovadora, inventora, ousada, criativa … conduzida por recursos humanos preparados em termos cintificos, tecnicos, pedagógicos e humanos.

 

Relativamente ao nosso país, apesar de laicização da educação, ela não surtiu os efeitos esperados porque, nestes últimos anos, tudo fica bipolarizado, tudo funciona em função de interesse ideológico de quem tem mais poder e, assim, o cidadão não preparado que quer algo que o leve ao destaque aproxima-se ao poder, pondo de lado princípios que norteiam o equilíbrio social e consegue ser destacado independentemente de requisitos, resolvendo, deste modo, seu capricho e passa, por faltas de requisitos necessários, a atropelar o crescimento, progresso e o desenvolvimento do país. Os orgãos competentes do sector da educação, cidadãos, as instituições públicas e privadas, as famílias etc. devem assumir uma nova atitude em relação à educação tornando-a um factor chave de progresso, crescimento e desenvovimento da sociedade. Devem ainda, orientá-la no sentido de incomptabilizá-la com tudo que é mediocre, estupido e violento. Ela é cautelosa, humilde e dialógica. Por conseguinte, o educador/professor não deve agir em função da violência, estupidez ou insensatez.

 

Na educação não deve haver espaço para impor seja lá o que for. Nela tudo deve ser decidido a base do diálogo. Nela, a responsabilidade deve ser assumida pelo cidadão de forma democratica. Esta responsabilidade não pode ser de confiança partidária. Pois, a educação é, por essência, um espaço de mérito e compentência. Nela, o mérito e a competência devem sobrepor toda e qualquer tipo de confiança e subterfúgio dos gananciosos. Ninguém, deve assumir responsabilidade na educação na base de troca de favores ou de intimidação com uso de violência. A verdadeira educação e o verdadeiro cidadão educador devem ser sensatos

 

Por estas razões e a bem de uma sociedade sádia, harmónica, desenvolvida, progressiva e justa, defendemos que na Educação as decisões devem ser ponderadas, estudadas antes de serem tomadas pelas entidades competentes, pois, uma escolha, uma decisão errada, pode afectar grandemente uma geração e quiçá comprometer o futuro de uma sociedade. A não ser que almejamos uma sociedade perversa à aquela que publicamente manifestamos.

 

Cidade de São Filipe, Novembro de 2009

 

Alberto Nunes

Categories: Artigos, Alberto Nunes

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7 Comments

Reply Kaka
06:09 PM on November 21, 2009 
Dificilmente nao se pode estar de acordo com temas como este. E sempre necessario atender e vigiar os caminhos e os perigos que enfrentam o processo educativo, essa pedra basilar para o sucesso de qualquer sociedade. Dos olhares atentos, dificilmente os maus vicios e desvios escaparao. Assim, Alberto Nunes, ao seu estilo, presta mais um servico a construcao de uma sociedade que se quer cada vez melhor.
A educacao e a politica eh mesmo assim- uma relaccao paradoxal. O sistema educativo eh o braco de uma politica educativa que tem como uma das finalidades: fazer suceder e perpetuar com sucesso o regime politico e a sociedade onde esta inserida. Mas, ao mesmo tempo, nao e vantajoso que os agentes, como professores, estejam primeiramente comprometidos com interesses ideologicos, tanto da situacao, como da oposicao, ao ponto de alienarem os objectivos supremos da educacao.
Reply madueno
10:19 AM on November 20, 2009 
Parabéns mister Alberto grande trabalho continue
só assim é que chegamos lá.
Reply FERRO
09:23 AM on November 20, 2009 
Boa trabalho de Betinho, mas eu tener que descobedjar arguns consideração pra este artigo.
O Betinho debeba mais trazeba problema de carrera docente, porquês as professores és mal pago.
Mutos professores sair de bida de professores para meter nos politicas pamode dar mais dinhero ; e nos saber que um agente de policia, que não tener licenciatura como uns professor ganha mais que professores coms lincenciaturo.
A estado e governo de Cabo-Seco deber investir mais no educação e pagar professores dreto para eles não sair e meter na politica. O Betinho é uns exemplos desse caso, quando candidatei nos equipas de Jose Antonio. Olhou que professor paga mariado e que politica podeba ser um alternativa.
Eu, Ferro, de profissão labrador, fazedor de bala tenté e curtidor de pele para fazer barquino vai dar um consedjo para Betinho.
A artigo está muita boa, mas precisa de pedir e reclamar djunto com Governo para mudar educação e pagar professor mais dreto. Se Betinho fazer um artigo assim eu ficar mais contente. Educação só pode compor com pagamento de professores mais dreto.
Teus amigos,
Ferro Fiera Carapate
Reply RODJO
08:52 AM on November 20, 2009 
Estar dreto arguns ideias de Bentin nos tocantis a ideal. Estar dreto, mas educacao bai para alem de conhecimento sientifico. Ela tem qui tener um base espiritual e moral prufundo para sustentar es consciencia de preparasaun de sociedade e ganhar uns forma programatico e politico dos instituisaun compitentis. Mesmo Bentin creba sair de educacao para ir pra politica pamode pagar mais txeu. Ele perde e agora ficar dar lison a otus. estar bom assim. Ora que nos tchamuscar no lume aprender dizer otus que lume tchamuscar i quemar arguem.
Reply Francisco Mendes
05:43 PM on November 19, 2009 
Caro Alberto, apenas queria destacar estas palavras "...o professor/educador, a sociedade civil, as famílias, as outras instituições públicas e privadas têm um papel importante na fiscalização de todo o processo que prima para a qualidade da educação no país. Afinal, a fiscalização do processo de crescimento, desenvolvimento e progresso da sociedade constitui um dever inalienável de todo e qualquer cidadão independentemente de estar ou não inserido nesta ou naquela instituição ideologica. O cidadão deve adoptar uma postura crítica em relação a tudo que não é justo, que não é transparente, que não abona a sociedade..." Como o título diz, eis uma reflexão necessária. Excelente! Mantenhas.
Reply TAMBARINADURO
09:28 PM on November 18, 2009 
Este tema bastante ambicioso exigeria uma abordagem mais alargada, mas devido ao constrangimento do tempo e espaco, optou -se por uma elaboracao sumaria e simples. Veio a tona pontos importantes em relacao a educacao e cidadania, materias que merecem um estudo muito aprofundado, porque como se disse aqui e como disse o nosso imortal, a nossa maior riqueza, reside no nosso recurso humano, e por isso, e imperativo que cuidemos dele. Parabens!!!!
Reply NAPOLEAO
05:01 PM on November 18, 2009 
Excelente trabalho. Continue