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No inicio do ano de 2002, o Sr Primeiro Ministro tinha garantido aos Caboverdianos: mais pão, mais agua, energia mais.
Em Outubro de 2004, num debate sobre energia, no Parlamento, o Ministro da Economia Afirmou que o Plano Energético que cobre o país até 2012 estava concluído , Plano esse que, segundo ele, visava responder as necessidades crescentes e garantir à população energia e combustíveis em quantidades suficientes e a preços que contribuem para o seu bem estar mas também para a competitividade da economia caboverdiana.
O Primeiro Ministro não cumpriu a promessa e o tal Plano, caso exista, é um Plano furado. O País não tem energia nem em quantidade e muito menos em qualidade suficientes e os preços estão muito longe de contribuir para o bem-estar das populações e mais longe ainda para competitividade da economia.
Apesar da publicidade enganosa do Governo, todos os dias temos ouvido as queixas das populações, nos diversos concelhos, resultantes de graves problemas com a produção e abastecimento de energia.
No Fogo, onde o habito da população tem sido Sufre calado, a situação está a atingir um nível insustentável, apesar do enorme esforço dos Trabalhadores da Delegação local. Com efeito, nos últimos três meses, depois de um apagão de alguns dias, resultante de uma avaria na rede, há um mês que a população sofre por causa de uma nova avaria, num gerador, com cortes diários que atingem até dez horas.
Numa central eléctrica como a de S. Filipe onde há quatro geradores e uma potência instalada de mais de 3.300 kvas, não se pode aceitar que uma avaria num gerador de 1250 kvas ponha toda uma população a sofrer, quando se sabe que o consumo, mesmo nas horas de ponta, não ultrapassa os 1300 kvas.
E tudo acontece por causa da incuria, do abandono, da negligência e do desrespeito a que são votados todos os problemas do Fogo.
Na central de S.Filipe encontram-se geradores que foram deixados inoperacionais ou a funcionar a metade da capacidade, simplesmente porque precisavam de peças. A Electra adquiriu um gerador novo e não se cuidou em manter uma capacidade de reserva e nem se importou com as necessidades dos utentes que pagam, e muito, para que lhes seja prestado um serviço de qualidade.
E os resultados estão à vista: um mês com longas horas de cortes diários sem fornecimento de energia; Prejuízos enormes a todas as classes profissionais; facturas mensais de energia elevadas, apesar de longas horas sem energia; indefinição em se saber por quanto tempo mais Irá se prolongar essa agonia, etc, etc
Se não há vontade nem disponibilidade do Governo e da Electra para a reparação pontual de geradores, apesar da falta que vão fazendo, a Ilha fica proibida de sonhar com a instalação de qualquer parque de energia eólica ou solar grado, mau grado as potencialidades reconhecidamente existentes e os ganhos advenientes para os utilizadores e para a Ilha, sobretudo em termos financeiros e ambientais.
Enquanto isso, os Foguenses vão vivendo da esperança das promessas de dois novos potentes geradores movidos a fuel e duma Central Única para a Ilha, projectos cuja execução vai sendo adiada de ano para ano.
Como sempre acontece com o Governo do PAICV, os projectos do Fogo ficam no fim da fila à espera que os problemas dos outros concelhos e ilhas sejam resolvidos, para, sobrando alguma quantia, serem materializados.
S. Filipe, Fogo, 16 de Outubro de 2009.
Jorge Nogueira
Deputado Nacional
Categories: Artigos, Jorge Nogueira
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