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O desdobrar de um olhar para além da própria política...
A Ilha do Fogo está experiênciado um momento politico histórico. Hoje em dia, em plena batalha eleitoral observa-se um fenômeno singular que ocorre devido tanto a sua condição demográfica, quanto também devido a forma de organização econômica dos municípios que tem em seu eixo fundamental ainda o funcionalismo publico, mas principalmente pela oportunidade que cada eleitor tem e percebe que tem de influenciar diretamente no resultado da disputa eleitoral e com isso afetar no modo global da organização dos municípios.
Existe portanto um sentimento presente em cada eleitor de que seu voto possui uma recompensa direta, fato inegável e que pode ser facilmente observado através de uma conversa com os eleitores. Por recompensa direta entende-se aqui não simplesmente o famoso toma-la da-cá e a compra de votos, que não deixam de existir em qualquer processo eleitoral em qualquer lugar, em Cabo Verde e no mundo queixem- se o quanto puder.
Principalmente dos outros porque isso parece não predestinado a desaparecer, mas por recompensa direta ressaltamos que cada eleitor tem o pleno engajamento e sente-se realmente implicado no processo eleitoral. A paixão é tão grande em ambos os lados (PAICV e MPD) que me divirto muito quanto escuto falar que numa determinada reunião de uma coligação existiam ali infiltrados ou disfarçados, diversos opositores e que por isso o numero de participantes de um comício ou reunião não conta, acredito sim que muitos indecisos ou foliantes possam levar bandeiras e subirem nos carros, mas verdadeiros opositores sinceramente não se dão a esse papel, afinal ninguém deseja aumentar ainda mais a festa do outro.
O que me motiva a fazer tais observações é o fascínio de poder ver e experienciar esse momento politico da Ilha do Fogo, e tentar entender como ele se desdobra a partir de um outro olhar para além da própria politica em si, e sim tentar compreender através do próprio fenômeno da experiência humana de se posicionar politicamente e sobre que condições isto se dá.
Para isso é necessário primeiramente nos desfazermos de nossas couraças da moralidade e daquilo que as visões higiênicas e conscientizadoras tendem a fazer do voto. Não negando é claro a legitimidade dos discursos que almejam dar ao voto o caráter ético e racional, mas negando que ele é influenciado por tais critérios. Isto quer dizer que apesar de perfeitamente podermos analisar um candidato por seus méritos administrativos ou intelectuais, o que pode ser bastante válido em certo sentido, contanto que possamos admitir que sempre votamos por razões sentimentais.
L.F. Alves
Fortaleza - Brasil, Agosto de 2009
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