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Quando as autárquicas lembram as Presidenciais
O PAICV anda às voltas com a definição de candidatos para as próximas autárquicas. O baixo desempenho de alguns autarcas e o perfilamento de uma nova vaga de jovens quadros, vem barafustando as hostes tambarinas. Se por um lado as regras do partido tendem a privilegiar (i) o autarca no poder, (ii) a proposta do sector, (iii) o consenso às primárias, em alguns círculos, os autarcas no poder nem sempre tiveram desempenho meritório, nem sempre gozam do apoio do sector, pelo que não estão em condições de reclamar consenso, às primárias. O CN revive o dilema de apoiar um candidato marcado, ou apostar num candidato vencedor.
“Se na Brava o caldo anda vertido”[1], melhor não se encontra em Santa Catarina do Fogo, onde o autarca, atormentado com o apoio de influentes elementos do partido, de associações comunitárias e da população da ilha do vulcão, ao economista, Francisco Mendes, desdobra-se, com o resto dos que ainda o apoiam, em tardias actividades de aliciamento, desbaratando o orçamento municipal com acções de sedução aos populares e aos membros do Sector, do mais pobre município do país.
O autarca, que em 7 anos à frente do Município, pouco tem a mostrar, além da electrificação/adução de água a alguns povoados e a residência do Presidente da Câmara, vive uma situação crítica. Há muito perdeu o amparo das populações e a falta de diálogo, a ausência de visão, a inércia, a falta de realizações e desorientação no aproveitamento de oportunidades para a infra-estruturação e geração de emprego, no concelho, aliadas ao nepotismo, ditaram o afastamento dos seu próprios vereadores, que já fizeram saber ao Conselho Nacional do partido que, não apoiarão o actual edil, nos próximos embates eleitorais. O autarca entendendo o fim de ciclo anunciou sua retirada, e em mais uma demonstração de desorientação voltou atrás, enfatizando que não tem nas mãos o leme das coisas, levando a questionar se, nessas condições, poderá ele orientar Santa Catarina para o desenvolvimento?
Quem está de riso nos lábios com essa situação é o candidato da oposição que, vai rezando para que o partido da estrela negra, faça valer seu princípio número 1 e apoie o seu autarca em vez Francisco Mendes, diga-se Toinho, tal como é conhecido no Fogo, o jovem que reúne os maiores apoios no concelho de Santa Catarina, pelo lado tambarina. Francisco Mendes representa a nova geração que com muito sacrifício estudou e que, por “amor à terra”, quer um futuro melhor para Santa Catarina. Mestre em economia, Toinho trabalhou os últimos 4 anos em Macau e é incentivado localmente, por conterrâneos da Praia e dos Estados Unidos a levar para Santa Catarina sua visão de futuro, a emprestar a experiência adquirida em Macau e mobilizar os canais de financiamento disponíveis no oriente, que muito precisa o desenvolvimento de Santa Catarina.
Aponta-se para os próximos dias o tira-teimas na cidade de Cova Figueira. Ali já se sente a crispação no ar, com os apoiantes de Francisco a quererem sair à rua, numa prova da sua vontade e demonstração de cansaço com as decisões saídas da Praia. E vão avisando que se o partido impuser um candidato, votarão em massa no candidato da oposição.
E as presidenciais estão bem frescas na memória de todos.
FIDJO TERRA
Categories: Artigos, Napoleao Andrade
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