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Ilha do Fogo: Cultura, Gentes e Vivencias

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A Introduçao e a Dedicatoria do meu Primeiro livro a ser Editado nos Proximos Meses

Posted by Manduco on November 23, 2011 at 2:00 PM



Os textos ora estampados em livro são artigos produzidos a partir de 2005 publicados no Jornal A Semana e nos sites www.manduco.net e www.topicos123.com. Uns foram publicados no Jornal A Semana imprenso e, ao mesmo tempo, online; outros foram publicados neste mesmo espaço só imprenso e outros apenas online. À excepção dos artigos - A Criação dos Novos Municípios em Cabo Verde e o Legado da Governação em Cabo Verde -, os outros encontram-se publicados nos dois sites já mencionados. Os textos são frutos de uma longa reflexão, conversas com amigos, leituras de vários livros e documentos. Ao longo de alguns anos de reflexão, de contacto com alguns documentos e observação minuciosa de algumas práticas, decidimos colocar no papel o nosso contributo para posteridade na qualidade de cidadão. Ao tomarmos esta atitude tínhamos consciência clara das consequências advenientes desta forma de exercer a cidadania activa numa ilha e num país onde ainda somos obrigados, sorrateiramente, a bater palmas sem querer em troca de um direito nosso consagrado na Constituição ou pela conquista de oportunidades a que, por mérito próprio, temos direito. Os textos ora transformados em livro emergem neste contexto com quatro objectivos bem definidos:
Em primeiro lugar queríamos registar os acontecimentos do dia-a-dia da ilha do Fogo e de Cabo Verde;


Em segundo lugar objectivávamos chamar atenção e apelar à sociedade civil e, sobretudo aos partidos políticos, a levarem em consideração determinadas práticas levadas a cabo por alguns dirigentes que de uma forma ou doutra vinham e vêm praticando e que, no nosso entendimento, podiam e poderão comprometer o futuro da ilha e de Cabo Verde;


Em terceiro lugar queríamos também reivindicar a realização de algumas infra-estruturas como também propor a justiça social na governação local, na nossa ilha e a nível nacional;


Por último, entendíamos e entendemos que, na qualidade de cidadão, é possível exercer a cidadania activa numa sociedade bipolarizada embora consciente das possíveis conotações, injúria, difamação, calunia etc.


Ao assumirmos com determinação estes objectivos na qualidade de cidadão integrante da sociedade civil e não na qualidade de militante de partidos políticos prevíamos enfrentar a realidade de frente, consciente de que esta nossa atitude não agradaria muitas e boas gentes da nossa ilha e país.


Encarávamos e encaramos, naturalmente tudo isto, como preço que pagamos no exercício da cidadania activa numa sociedade bipolarizada e contraditória.


Começávamos a escrever os nossos primeiros artigos de forma espontânea. Entendíamos, na altura, que se tratava de uma iniciativa pessoal e que devíamos exercê-la em função do tempo disponível e de brio intelectual. Entretanto, depois de termos publicados o terceiro texto, os leitores passaram a chamar-nos pelo telefone e a mandar-nos e-mail a perguntar se tínhamos artigos para semana seguinte. Entendemos, a partir de uma certa altura, que tínhamos assumido um compromisso com a sociedade cabo-verdiana residente e na diáspora. Os pedidos e as exigências de alguns leitores levaram-nos a reflectir seriamente na nossa atitude de cidadão activo. Concluímos, entretanto, que muitos leitores não sabiam e nem sabem o preço que pagamos neste nosso estado de direito democrático quando apontamos dedos com justiça para aqueles que se acham intocáveis. Entendemos que devemos dizer aos leitores que muitos dirigentes e governantes da nossa ilha natal não nos cumprimentam; aliás, se não nos cumprimentam, imaginem que oportunidades nos proporcionariam? Não nos convidam a actos que eles julgam importantes para nos queimarem; a nossa pessoa passa a ser alvo de estereotipação, de difamação, de calúnia. Muitos que nos cumprimentam não nos estendem a mão ou se estenderem coloquem a cara lá longe fingindo que não somos ninguém! Ao passarem ao nosso lado, cruzando connosco na estrada nem se quer uma buzina. Com esta atitude de dirigentes e políticos sentimo-nos encorajados e tranquilos, pois, como já dissemos, conhecemos o preço da cidadania activa numa sociedade de democracia em construção. Neste nosso caminho espinhoso lembramo-nos sempre da célebre frase do Doutor Milton Santos: “ um homem que pensa, e que por isso mesmo frequentemente se encontra isolado no seu pensar, deve saber que os chamados obstáculos e derrotas são a única rota para as possíveis vitórias, porque as ideias, quando genuínas, unicamente triunfam após um caminho espinhoso”.

Categories: Alberto Nunes, Artigos

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