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Senhor Presidente
Senhores Membros do Governo
Ilustres Colegas Deputados
Ontem, foi um dia triste para a história desta Casa Parlamentar. A pretexto de uma Declaração Política, o Líder Parlamentar do MpD proferiu graves acusações e estranhas insinuações a instituições da República, retratando o seu desempenho na Ilha do Fogo como algo à margem da lei, da ética e dos fundamentais do Estado de Direito Democrático, algo já consolidado no nosso convívio e a vigorar em todos os cantos destas ilhas.
Essa Declaração Política, pecando pela perfídia e pela inverdade, constituiu a mais grave ofensa à Ilha do Fogo e aos foguenses jamais feita no confronto político parlamentar, merecendo de todos nós vivo repúdio e inequívoca condenação, pois Cabo Verde não é tal linguagem bífida, Cabo Verde não é tal peçonha de ódio e vingança, na fala viperina do Grupo Parlamentar do MpD.
Ontem, foi um dia triste neste Parlamento, na medida que os deputados da minoria, tendo nesse grupo até filhos do Fogo, se permitiram a dizer coisas intoleráveis, tais como: " a democracia ainda não chegou à ilha do Fogo, vive-se ali um clima de medo e de terror, e as autoridades judiciais e policiais estão ao serviço dos militantes do PAICV", suposições que não se baseiam em factos, pois, afirmações covardes porque se escusam da ética das provas.
Os deputados do MpD, confundindo a árvore com a floresta, tentaram escamotear uma verdade que lhes é dura e dolorosa, de ser a psique elevada e o comportamento tenaz contra a força bruta da imposição, apanágio dos foguenses, de continuar a ser o Fogo o honroso espaço do território nacional de resistência contra as intempéries políticas e sociais do passado longínquo e do passado recente, bem como das remotas probabilidades de estas serem nessa ilha em próximo futuro.
Muitos não perdoam aos foguenses o espírito da liberdade e da cidadania, padroeiras cívicas das suas várias bandeiras, como aliás provou o nativista Pedro Cardoso que, em tempos idos, soube defender as suas convicções e as dos seus patrícios, deixando antever a todos os cabo-verdianos ser Djar Fogo a luz cintilante da pátria crioula e não o breu da democracia, como ontem a perfídia da Declaração Política, com tristeza e consternação, pretendeu nesta Casa Parlamentar.
Durante os anos noventa, contra tudo e todos, enquanto muitos embarcavam no ufanismo da maioria exacerbada o povo foguense disse não ao engodo geral de um poder que discriminava os cabo-verdianos pelos seus credos políticos e impunha às câmaras a “pata autoritária” sobre aquelas que tocavam pelo diapasão do então Governo. Não muito longe da nossa memória estão as investidas do Dr. Carlos Veiga, em ofensas públicas aos foguenses, tentando, pelo discurso musculado e a asfixia governativa, mas sem sucesso, torcer a vontade cidadã da maioria dos foguenses.
Todos estamos lembrados das frases infelizes desse senhor em relação à autodeterminação do pensamento e de acção das mulheres e dos homens da ilha do Fogo. Todos estamos lembrados que o lume diabólico das suas ameaças não pôde moldar o ferro inquebrantável dos foguenses. E é isto que incomoda. É isto que faz com que, mais uma vez, a um ano de novas eleições, a pretexto de se fazer um balanço da situação no Fogo, o MpD retoma a sua perfídia contra tão valorosa gente e contra as instituições importantes do Estado nessa ilha, com o agravante desta perfídia ressoar em pleno Parlamento, casa maior de todos os cabo-verdianos.
Senhor Presidente
Senhores Membros do Governo
Ilustres Colegas Deputados
O Fogo, na cabeça do MpD, é uma intolerável erupção da democracia e da cidadania. Povo que não se embarca em promessas falsas, nem no rabentolismo desmedido, a nossa gente só se aquiesce à força da razão e não à razão da força. Vulcânica gente nossa, renitente em toda a linha, não será pela perfídia e pela vanidade da ofensa pública que ela baixará sua guarda de povo invicto e inquebrantável.
Se ontem foi um dia triste nesta nobre Casa do Povo, hoje será um dia heróico para esta Casa, pois aqui e agora, bem como em todos os cantos do País e da Diáspora o cântico do Fogo, com a sua chama viva e impagável, clama em nossos corações. Ele é um cântico da liberdade, o verdadeiro e premente cântico da democracia, cujas letras se fossem inspirar num canto só de Cabo Verde, com certeza fá-lo-iam na ilha do Vulcão.
Muito obrigado!
Categories: Napoleao Andrade
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