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DIMOKRASIA

Posted by Remoaldo Cardoso on March 10, 2010 at 11:37 PM

 

Si Kabu Verdi sta na stera

Kurpadu ê só kês ki fazê asnera

Ki votâ más na gentis disleal

Sin rifletí na konsikuênsia nasional.

 

Dimokrasia voltâ a feudalismu

El tornâ kurrida pâ puder

Ku ideia di multi-partidarismu

Ês krê fazê nós povu intende.

 

Kel maioria ki kâ sabe ler

Pusta na sés subida pâ puder

Ku prumesa di tudo más txêu

Ês pensâ ma txêu tâ kai di Séu.

 

Donu di teris djâ ganhâ troféu

Povu inpodu pâ frosha txapéu

Sima na tempu di nho Milisianu

Di Salazar y di nho Marsel Kaitanu.

 

Dimokrasia djâ abonâ puder

Tê pâ rinegadus di susiadadi

Ki inpidiba nós povu di sabe ler

Pâ nunka és tinha filisidadi.

 

Dimokrasia, papiadu kantadu,

Ê kâ passâ di puru liberalismu

Na undi ki ten pulisia inplantadu

Pâ atuâ na sonbra di nêu-fasismu.

 

Dimokrasia bira konversa banal

Pâ sinhoris sirbidu, viva mareshal

Povu djâ fazedu scrabu sirvisal

Mutu más ki na tempu kolonial.

 

Stâ papiadu, kantadu dimokrasia

Sê dansa stâ tâ inbrudja’m stangu

Tê ki’m lenbrâ di fidjus pa’m kria

Sés koladera stâ tâ birâ tangu.

 

Pur:R.Kardozu - Norwich, 1992

Categories: Poemas, Remoaldo Cardoso

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2 Comments

Reply TAMBARINADURO
08:41 PM on March 11, 2010 
O SISTEMA POLITICO DE HOJE NAO E DEMOCRACIA...ELA NAO CO-EXISTE COM BAIXO INDICE DE EDUCACAO, CIVISMO, E CIDADANIA. O QUE EXISTTE HOJE E O DIREITO DE SUFRAGIO UNIVERSAL; ISTO E UMA UMA FORMA DE PERMITIR AO POVO - SEM PREPARACAO - ESCOLHER O GOVERNO PARA O ARRUINAR...O GOVERNO NESTE CASO ESTA LEGITIMAMENTE ABILITADO PARA DESTRUIR O SONHO DO POVO, COMO TEM SIDO O CASO EM CABO VERDE
Reply Pedro Fonseca
03:54 PM on March 11, 2010 
Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita ? como se dissessem: ?Eu sabia, você nunca me enganou?, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade ? em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.


O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais ? e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.


O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam ? às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele ?veneno? que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem ?conheceu o monstro por dentro?, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.


Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a ?dialética?, a ?luta de classes?, a promessa de uma ?sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado?. Denunciar, denunciar qualquer indicio de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do ?socialismo?, do ?totalitarismo?, do ?stalinismo?.


Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.


Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o ?totalitarismo?, em cada política social a ?mão corruptora do Estado?, do ?chavismo?, do ?populismo?.


Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a ?democracia? contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o ?perigo comunista? ? sem o qual não seriam nada ? está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha casa, minha vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma ? ?uma vez terrorista, sempre terrorista?.


Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem ? e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras ? e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.


Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.

Emir Sader

Carta Maior

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